By: Milah e Manu
Beta: Deh Way


Prefácio.


Quatro meninas. Quatro amigas. Quatro irmãs. Um cotidiano quase comum. E uma vida quase normal.

- Vamos para uma boate. Nosso aniversário tem que ser comemorado em alto estilo! Se não tem dinheiro para fazer festa, vamos a uma boate.
- , eu te amo. O que seria da minha vida sem as suas idéias? – Exasperou-se parecendo bem mais animada do que antes.
- Vamos todas para a boate então. – Começou mudando de assunto. – Eu, você, e . Nada de pais! Nada de amigos homens! – Reinvidicou.
- Concordo plenamente!

Mas na vida a gente não escolhe realmente o que nos foi dado...ou o que está por vir.

- ? O que foi? Você ta bem?
- Eu to bem. Só essa merda de panela que caiu no chão, perdi a concentração. Eu achei que conseguiria a essa distância. – Disse impaciente. – Mas a campainha tocou. Me desconcentrou. Esses pirralhos idiotas deveriam parar de me irritar com essa campainha!
- Você realmente precisa se concentrar mais.

Algo mudaria completamente a vida dessas meninas. Elas estariam prontas para lidar com isso?

Vizinhos? Pensou . Essa casa havia muito tempo estava sem nenhum habitante. Muito mais tempo do que ela poderia lembrar. Ela nunca vira aquela casa habitada.

Vizinhos podem ser mais do que simples vizinhos. E amigos muito mais do que companheiros.

- Olá. Eu sou Emmett Cullen. – Cumprimentou Emmett apertando a mão de e lançando-lhe um sorriso caloroso.
- Falcão. – Conseguiu finalmente dizer, soltando sua mão da dele e tentando recobrar seus sentimentos habituais.
- Meu nome é Edward Cullen.
- Olá Edward. Eu sou e essas são , e .
- Aqueles ali são meu irmão Jasper, e meu pai, Carlisle.

A partir desse momento todos eles teriam que lidar com Os Segredos e a Dádiva do Destino.

- Jazz, parece ter lhe visto em outro lugar.
- Não. Ela não me viu. – Jasper parecia confiante. – Eu teria me lembrado dela.

- O que são aqueles olhos cor de bronze? – Começou . – Completamente encantadores!
- Todos têm olhos cor de bronze. – Esclareceu . – Eu vi.

- Oi Emmett. – lançou-lhe o melhor olhar sedutor que podia. – O que você veio fazer aqui?
- Bem...Eu pensei que tínhamos um encontro. – Emmett atrapalhou-se nas palavras.

- ... – Começou.
- . – Corrigiu a menina. Jasper sorriu e continuou.
- , quem é Luke? – Perguntou devagar.
o fitou um momento antes de responder.
- É só um amigo. – Disse por fim mesmo que não respondendo exatamente o que Jasper queria saber.

- Está muito bom. – Disse sorrindo.
- Eu melei seu cabelo, desculpa. – Disse Edward limpando o cabelo de e a olhando nos olhos castanhos.

- Nós temos casas em outros lugares também. – Explicou Carlisle. – Compramos essa há algum tempo. E resolvemos nos mudar agora.
- Que bom. – Falou rápido demais para que pudesse filtrar as palavras. Sentiu-se vermelha por causa da vergonha que lhe abordara. – Maldita sinceridade. – Reclamou baixinho.
- Gosto de pessoas sinceras. – Argumentou Carlisle sorrindo levemente. – E você é muito espontânea.


Capítulo um.

- Pois é. – Disse desanimada ao telefone.
- Já sei! – Retrucou do outro lado da linha parecendo ter uma idéia. – Vamos para uma boate. Nosso aniversário tem que ser comemorado em alto estilo! Se não tem dinheiro para fazer festa, vamos a uma boate.
- , eu te amo. O que seria da minha vida sem as suas idéias? – Exasperou-se parecendo bem mais animada do que antes.
- Ai, , eu sei que você me ama, honey!
- Ah! Saco! Pára de ser presunçosa!
gargalhou do outro lado da linha deixando um pouco desconfortável.
- Bem, vamos todas para a boate então. – Começou mudando de assunto. – Eu, você, e . Nada de pais! Nada de amigos homens! – Reinvidicou.
- Concordo plenamente! Calma aí que eu vou ligar para para avisar. Ai!!
- O que foi? – Perguntou .
- Nada. Meu telefone vibrou. Mensagem! Alguém lembra de mim!
- Ah! Deixa de ser escandalosa, garota! Pensei que alguém da Companhia tinha te matado. – Disse com um tom cômico na voz.
- Não brinca com isso, Collin! – Advertiu .
- Ta bom, ta bom, parei. – Rendeu-se . – Mas e aí, de quem foi a mensagem? Quem lembrou da sua insignificante existência? – Caçoou.
- Você é tão chata às vezes, . Mas tudo bem, a mensagem foi de , reclamando que eu não ligava mais para ela. Nossa! Eu liguei ontem! Não faz nem 24 horas! Depois eu que sou escandalosa. – Ironizou. – Ok. Vou ligar para ela agora ou ela morre. Espera. – concordou.

X.X.X

- Meu amor! – Cumprimentou .
- Muito bonito, não é Dona ? – Atacou .
- Ah, que é isso . Vamos deixar de cerimônia, não precisa me chamar de “Dona”.
- Ok. Idiota é melhor para você?
- Na verdade não. Mas com certeza é bem mais íntimo. – Riu , fazendo rir também.
- Sim, , você e decidiram o que vão fazer do aniversário de vocês?
- Nossa! Você parece ter lido meus pensamentos. Eu estava falando com sobre isso agora mesmo. Espera que eu vou pôr ela na linha, ok?
- Ok.
- Conferência! – Gritou.
- Oiii! – Disseram todas juntas e depois caíram na gargalhada.
- Bem, , a gente tava pensando em irmos todas a uma boate. Assim a gente não ia gastar muita grana.
- Ah! Genial! – Exclamou .
- Obrigada, foi idéia da minha mente brilhante aqui. – Disse .
Todas riram. Até ouvirem um barulho ensurdecedor.
- ? – Perguntou preocupada.
- Eu to bem. ? O que foi? Você ta bem?
- Eu to bem. Só essa merda de panela que caiu no chão, perdi a concentração. Eu achei que conseguiria a essa distância. – Disse impaciente. – Mas a campainha tocou. Me desconcentrou. Esses pirralhos idiotas deveriam parar de me irritar com essa campainha!
- Você realmente precisa se concentrar mais. – Disse em tom alarmador. - O barulho poderia ter chamado a atenção de alguém. Alguém poderia ter visto. Isso não é normal para um humano.
- Como se nós fôssemos normais. – Ironizou .
- Tudo bem, . Não somos normais. Mas ninguém precisa saber disso, você não concorda?
- Tudo bem, eu concordo. – Rendeu-se .
- Gente, ta tudo bem! Foi só uma panela que caiu, nada de mais. Nem tem ninguém aqui em casa. Não se preocupe, . Ninguém viu. Ninguém nunca vai saber. Nunca. Não precisamos brigar por causa disso. Chega.
- Ok. – Concordaram as outras duas.
- Agora eu preciso desligar. – Disse . – Por acaso eu to no meio da rua, com um fone de ouvido e todo mundo ta me achando louca. Eu to chegando em casa. Alguém liga para e avisa sobre a boate.
- Eu ligo. – Disse .
- Ok então. Beijos meninas. Amo vocês.
desligou o telefone e se preparava para entrar em casa quando percebeu a presença de um Volvo prateado que ela nunca havia visto na casa em frente a sua. E logo atrás um caminhão trazendo o que deveriam ser móveis. Vizinhos? Pensou . Essa casa havia muito tempo estava sem nenhum habitante. Muito mais tempo do que ela poderia lembrar. Ela nunca vira aquela casa habitada. Quando pequenas, ela e as suas amigas costumavam dizer que a tal casa era mal assombrada. Ver que finalmente a casa seria habitada fazia sentir uma pontada de curiosidade. Quem seriam seus novos vizinhos? Uma família grande e feliz? Bem, isso seria normal. e suas amigas moravam em um bairro que pode se chamar de familiar.
Despertando de seus devaneios, a garota que se encontrava parada no meio da rua com várias sacolas das compras que fizera, observou atentamente os quatro homens saírem do carro fantástico - Pensou , e se direcionando a porta da casa. Nenhuma mulher? Como assim? fitou atentamente todos os quatro novos vizinhos, muito bonitos e jovens, todos. Irmãos. Com certeza. Ou talvez amigos. Já que não são tão parecidos. Mas são todos muitos bonitos. É melhor eu entrar em casa. Pensou ainda observando pelo que ela podia chamar de ‘discretamente’ para um loiro que aparentava ser mais velho, um moreno grandalhão e um ruivo que conversavam alguma coisa engraçada, pois sorriam abertamente. deu um passo em direção à sua casa, e então percebeu o ultimo dos homens.
Um loiro também lindo como os outros, mas com um olhar muito penetrante, que direcionou a , fazendo ela se sentir ligeiramente desconfortável. O mesmo parecia acontecer com ele, pois logo desviou o olhar, tentando se ocupar em abrir a porta. Minha Nossa. O mais lindo, com certeza. Ai! Onde está o meu fôlego mesmo? Riu-se tentando abanar o pescoço, sem muito sucesso. O que chamou a atenção de um dos garotos. O ruivo pareceu rir pelo canto da boca da maneira como ela reagiu. Nossa! Ele percebeu. Como assim? Eu achei que estava sendo discreta. Pensou a garota confusa. E entrou em casa um pouco mais rápido do que poderia imaginar conseguir sem usar os seus poderes. Seria muito conveniente que ela parasse o tempo para analisá-los melhor, ou talvez se teletransportar para casa, mas isso não passou pela sua cabeça no momento. Nada com coerência passou pela sua cabeça quando ela viu os novos vizinhos.
jogou todas as sacolas na mesa da cozinha e foi beber água. Gelada. Ela precisava reorganizar os pensamentos. Sentia-se quente pela sua caminhada. Ou talvez não fosse só por causa da caminhada. Talvez também tenha sido pelo peso que eu trouxe desde tão longe. Pensou ela sem querer admitir que havia um motivo mais óbvio para seu comportamento. Respirou fundo e foi tomar seu banho. Ela teria um dia longo. As suas amigas fariam uma festa do pijama. E o lugar escolhido da vez tinha sido a sua casa. Sua casa precisava de uma faxina urgente.

X.X.X

- Essa casa parece boa, Carlisle. – Disse Edward. – É melhor do que a última. Essa é maior.
- Maior ela é. Mas garanto que vão ter mais dias em que a gente vai ter que ficar em casa. Aqui parece fazer sol com maior freqüência do que em Forks. – Foi a vez de Jasper falar.
- Não chove tão menos quanto Forks, Jazz. Mas a gente dá um jeito. Vai ser bom para todos nós. É um novo começo.
- Um novo começo. – Disse Emmett com um tom sonhador. – Um belo começo. Melhor ainda se a garota aí da frente tiver amigas bonitas. – Gargalhou.
- Ai, Emmett! Será que você pode parar de pensar nessas coisas por um breve momento? – Exasperou-se Jasper.
- Nem vem Jazz. Ta pensando que eu não vi o seu olhar nada básico naquela garota? – Alfinetou Emmett. – Mais um pouquinho e a garota corria.
- Corria para cima dele você quer dizer, não é Emm? – Juntou-se Carlisle à conversa.
- Você também, Carlisle! Nunca pensei que isso aconteceria! – Irritou-se Jasper.
- Desculpa Jazz, mas se melhora seu humor, a garota corresponde aos seus pensamentos. – Disse Edward, mas parou logo, levantando as mãos em sinal defensivo quando viu o olhar fuzilador do irmão.
Todos riram. Uma risada descontraída que há muito eles não tinham. Eles pareciam humanos normais visto daquele ângulo. Humanos.

X.X.X

estava sentada na sua cama escolhendo de maneira peculiar o esmalte que iria pintar as unhas. Todos eles giravam em sua frente voando, fazendo um desenho circular. Até que optou por uma cor escura. Estava completamente absorta em seus afazeres quando seu telefone tocou. O nome ‘’ apareceu no visor fazendo a garota estranhar a ligação. Por que ligaria para ela se elas se veriam em menos de duas horas?
- ? – Disse ao telefone.
- Oi. O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou .
- Bem. – Começou . – Nada de ruim, com certeza.- Percebendo a não resposta da amiga ao telefone resolveu continuar. – Chegaram novos vizinhos na casa abandonada. Quatro homens.
- Quatro homens? Irmãos? Amigos? Ou eles são a assombração da casa que a gente sempre apostou que existia? – Riu .
- Se eles forem assombrações, são as mais bonitas que pode existir. – Suspirou .
- Sério? Isso é bom.
- Você não imagina o quanto. Meu queixo caiu quando eu os vi!
- Não acredito! Você é uma vergonha para nossa família, . – Gargalhou do outro lado da linha. – Eles perceberam sua estupidez?
- Claro que não. Eu sou discreta demais para isso. – Gabou-se .
- Ah claro, eu conheço bem sua discrição. Eles devem ta rindo da sua cara até agora.
- Duvido. Mas , você não tem noção, eles são LINDOS! De verdade. Parecem ter saído de um conto de fadas.
- , não exagera. – Disse entre suspiros depois de muito gargalhar. – Mas você já sabe o nome deles? Alguma coisa?
- Não né. Eles acabaram de chegar. Mas eu vou ter que descobrir. Você e as meninas vão ter que me ajudar. – Intimou com ar de autoridade.
- Você é uma incompetente mesmo. Mas eu só vou ajudar se eu aprovar os garotos.
- O que você ta insinuando? Que eu tenho mau gosto? – Perguntou indignada.
- Não. Eu sei que você tem bom gosto, mas talvez você esteja exagerando.
- Ok. Não vou discutir com você por isso. Mas quero ver a sua cara e a das meninas quando os virem.
- É, nós vamos para sua casa mesmo. Em falar nisso. Você já arrumou toda a casa?
- Ai, que saco. Vou fazer isso agora.
- Vá logo. A gente não vai demorar a chegar aí. já me ligou mil vezes para acertar os detalhes.
- Honey, eu tenho todo o tempo do mundo, esqueceu? – Ironizou . – Num piscar dos seus olhos e minha casa vai estar linda.
- Esnobe mesmo. Se ta se gabando tanto então por que não veio aqui de uma vez, em vez de usar o telefone? ‘Em um piscar dos meus olhos’ a Senhorita Tempo aí podia aparecer aqui no meu quarto e me assustar como sempre, não é?
- Você por acaso está sozinha em casa? – Perguntou .
- Não. Ok, você venceu. Com o escândalo que você fez pelo telefone não tinha como mentir dizendo que meu celular estava com o autofalante ligado.
- Sem graça. – Desdenhou .
- Agora me deixa desligar. Eu to pintando as unhas. E esperando e chegarem para a gente poder ir. Beijos, best.
- Beijo. – Disse . – Ah! Só mais uma coisa: A casa já está arrumada. – Disse por fim com um ar presunçoso desligando o telefone antes que amiga pudesse dizer qualquer coisa.


Capitulo dois.

- Eu não agüento essa menina. - Falou sozinha no quarto. – Ainda mais quando ela começa com essa história de fazer as coisas sem que eu saiba. Argh!
tinha acabado de pintar as unhas quando alguém abriu a porta do seu quarto. Ok, onde está a minha privacidade? A porta existe para isso. Pensou , mas fez uma carinha convidativa quando viu que era sua mãe na porta, segurando a maçaneta.
- Suas amigas chegaram. Estão te intimando a ir mais rápido. – Riu a mulher de meia idade que todas as meninas gostavam tanto.
- Ta bem, mãe. Eu já vou descer. Peça para elas se controlarem. Eu já to indo.
- Vem logo ! – Ouviu-se uma voz que com certeza era a de no pé da escada.
A mãe de limitou-se a sorrir e saiu do quarto da garota sem dizer mais nada. pegou sua bolsa o mais rápido que pôde e saiu do quarto indo em direção as escadas. Descendo ao primeiro andar encontrou uma de cara amarrada, provavelmente pela sua demora habitual em se arrumar para qualquer coisa que fosse, e uma sorridente.
- Para alegria geral da nação, eu estou aqui. – Riu .
- Até que enfim. – Reclamou . – Mais um pouquinho e a sua mãe ia ter que vir aguar minhas raízes. Porque crescer elas já cresceram.
- Nada dramática você, não é ? – falou. – Não se preocupa , a gente só esperou o normal. Nada que tenha me surpreendido. – Riu , só fazendo amarrar mais ainda sua cara, se isso fosse possível.
- Bem, vamos logo antes que a exploda. – Alfinetou . – Pasmem: O meu pai me emprestou o carro. Disse que é mais seguro para nós. Mal sabe ele o quão difícil é fazer algum mal a qualquer uma de nós. – Riu , ainda que sussurrando as últimas palavras.
- Valeu, tio! – Gritou com uma pontada de bom humor.
- Cuidado vocês todas. – Disse a mãe de se aproximando dela para lhe dar um beijo na testa. – Nada de dormir muito tarde. – Disse essa ultima frase olhando diretamente nos olhos de cada uma das meninas.
- Dormiremos cedo, pode deixar. – Disse . – Eu sou a mais velha e cuido das minhas crianças.
As outras duas garotas olharam feio para , enquanto a mãe de parecia agradecida. Terminado as despedidas, todas as três foram para a garagem do carro do pai de . Estavam atrasadas do horário combinado com , mas isso já era esperado. Chegando à garagem, abriu a porta do motorista e entrou. Seguida por que entrou do banco do carona e que não se deu ao trabalho de abrir a porta traseira do carro e entrou mergulhando na superfície metálica e pousando no banco.
- Você poderia abrir a porta de vez em quando. – Disse .
- Não é necessário. – Respondeu simplesmente.
- tem razão, . – Repreendeu . – Alguém podia ter visto esse acontecimento nada natural. Não podemos nos arriscar tanto.
- Ah, esqueci que na ausência protetora da é você que vira a chata. – Inflamou .
- Eu não estou sendo chata , é só cuidado que a gente precisa ter de vez em quando. – Disse fazendo revirar os olhos.
- Sem brigas, ok? – Disse . – Vamos ver se a gente consegue ficar um final de semana sem brigar por besteiras. – As outras duas apenas menearam a cabeça afirmativamente.
- Vamos falar de um assunto mais saudável. – Começou . – A me ligou hoje de tarde para dizer que chegaram novos vizinhos naquela casa que a gente dizia ser assombrada.
- E o que isso tem de bom? – Perguntou .
- Bem, aí é que ta. disse que são quatro garotos. Quatro garotos lindos.
- Lindos? Foi essa a palavra que ela usou? – Perguntou . – Eles realmente devem ser bonitos. Ainda bem, de vizinhos chatos e feios eu já to cheia. Gente bonita. Era disso que nosso bairro tava precisando. – Riu , fazendo todas rirem com ela.
- Mas a é exagerada, . – Disse .
- Exagerada é pouco. Meus tímpanos estão reclamando até agora da maneira como ela falou deles. – Debochou .
- Eu prefiro acreditar nela. – Concluiu . – To precisando de uma mudança na minha vida. E dessa vez eu não to falando de cortar os cabelos.
- Eles agradecem. – Disse . – Não faz nem um mês que você mudou o corte.
- Ah, qual é. Eu sinto uma necessidade em mudar. Por quê? Fica feio? Meu cabelo ta feio? – Perguntou amedrontada.
- Lógico que não. Você é irritantemente linda. – Disse .
- Bem, vou considerar isso como um elogio. – Riu .
- Considere. elogiando é um milagre. – Disse fazendo todas caírem na gargalhada. – Chegamos.
Todas desceram do carro, e dessa vez abriu a porta, porque tinham pessoas andando aleatoriamente na rua. parou para olhar o Volvo estacionado na frente do casarão. Constatou que esse seria o carro dos novos vizinhos de . O som do carro estava ligado e tinha alguém sentado no banco do motorista, que estava inclinado. A pessoa parecia se sentir confortável naquela posição, e pensou por que ele estava sozinho naquele carro parado. O garoto se mexeu levemente no banco, mas nada mais que isso conseguiu ver. Desistindo de tentar ver o rosto do novo morador, foi em direção a porta da casa de , acompanhada das amigas que conversavam alguma coisa que para não fazia a menor coerência.

- Qual você escolhe ? – Perguntou .
- O quê? – Questionou que parecia ter acordado naquele exato momento.
- Qual a cor? – Foi a vez de perguntar.
- Cor de quê? – Disse que ainda parecia atordoada e sem entender o que as garotas diziam.
- Alô!! Tem alguém aí dentro? – Disse dando soquinhos de leve na cabeça de . – Qual a cor da camisa que vai estar? Eu e estamos apostando.
- Ah! – Disse que finalmente encontrava palavras com coesão. – Verde.
- Eu aposto que é branco. – Disse confiante.
- Pois eu tiro toda minha roupa no meio da rua se ela não tiver de rosa. – Disse .
- Sem ficar invisível? – Desafiou mesmo já sabendo a resposta.
- Bem, , cada um usa o poder que tem. – Riu fazendo revirar os olhos.
abriu a porta sorridente e se deparou com duas caras decepcionadas e uma sem expressão alguma.
- Nossa, o que foi que aconteceu? Quem morreu? – Perguntou .
- Você está de preto. – Disse desanimada. – Que sem graça. Não podia ta de rosa? – Perguntou por fim, mesmo que não prestando atenção na resposta de e adentrando a casa dela sendo seguida de . continuava do lado de fora da casa com uma expressão imparcial.
- Alguém me explica por que eu tinha que estar de rosa? – Perguntou .
- Nada demais. Elas estavam apostando a cor da sua blusa. disse rosa. – Disse ainda indiferente.
- Ah. – Disse entendendo tudo naquele momento. Quase tudo. – E que cara é essa?
- Cara nenhuma. – Respondeu .
- Me engana que eu gosto. – Retrucou .
- Queria saber quem são os novatos ali. – Disse por fim.
- Ah! A curiosidade bateu na porta foi? – Perguntou uma sarcástica.
se limitou a mostrar a língua para a amiga. Era incrível como uma nunca conseguia esconder um segredo da outra. Na verdade, entre as quatro garotas não havia segredos. Desde que foram todas escolhidas para ter esses estranhos poderes que nenhuma sabia ao certo se tinha algum propósito. Desde que foram seqüestradas por um grupo de pessoas como elas, quando só tinham 10 anos, para explicá-las as regras. Desde quando elas tinham que se juntar para ninguém além delas saberem dos seus poderes. Para protegerem umas as outras da Companhia que com certeza tinha poderes quase ilimitados. Muitas pessoas como elas estavam juntas. Mas elas queriam ter uma vida normal. Elas eram as mais jovens na época. Não poderiam ser interrompidas ou exploradas. Elas eram leais umas com as outras desde sempre. Amigas. Irmãs. Uma família.

Chegando à sala da sua casa, viu que as amigas já conversavam abertamente sobre algum filme que tinham assistido há algum tempo atrás. Sentaram-se ela e em duas poltronas de frente para as outras duas que ainda riam.
- Eu to com vontade de comer brigadeiro. – Disse olhando para o nada como se visse um prato cheio de brigadeiros a chamando.
- Tem leite condensado aqui, ? – Perguntou . apenas balançou a cabeça indicando que sim. – Vamos fazer.
Todas as garotas se levantaram e foram para a cozinha. prontamente pegou os ingredientes e se preparou para fazer o brigadeiro.
- Eu faço. O meu é melhor. – Gabou-se.
- Faça, minha escrava. – Respondeu .
fez cara feia, mas foi fazer o doce.
- E então , os garotos aí da frente são lindos mesmo? – Começou . suspirou antes de responder.
- , eles são perfeitos.
- Nossa, eu quero conhecer! – Disse entusiasmada.
- A gente pode fazer isso se quisermos. – Disse com o olhar que só podia indicar uma coisa: usar os seus poderes.
- Isso é arriscado demais. – Disse .
- Ai, não acredito . Quando a concorda em podermos usar os nossos poderes para algo de bom vem você com essa história de arriscado. – Irritou-se .
respirou fundo e se viu sem defesas. era a única que se opunha sempre às travessuras delas. Se ela parecia concordar, que mal haveria?
- O que vocês estão pensando em fazer, suas malucas? – Perguntou por fim. sorriu satisfeita.
- Eu poderia ir invisível até lá. – Disse .
- E como você supõe abrir a porta sem que eles percebam? – falou. – Eu posso aparecer no quarto de um deles.
- E todos eles iam achar que tinham enlouquecido. – Disse . – Ou você esqueceu que eles vão te ver?
- É exatamente para isso que a existe. – Respondeu , e continuou logo em seguida vendo o olhar nada feliz de . – Você poderia parar o tempo só um pouquinho, não é ? Todas nós poderíamos ver. – Concluiu.
- Ok, agora eu estou achando que isso é loucura. – Disse .
- Ah! Não vai dar para trás agora não né! – Irritou-se . – Você quem começou com isso. Não é justo cortar minha curiosidade assim.
- Concordo plenamente. - Disse que se lembrou da imensa curiosidade que despertou nela aquele garoto dentro do carro ouvindo música.
- Nós somos muito, muito loucas por pensar numa coisa dessas. – Disse parecendo atordoada. – Não poderíamos ser normais só um pouquinho? Uma pessoa normal esperaria até eles saírem amanhã para vê-los.
- Nós não somos normais. – Disse fazendo sentir um deja vu da ultima conversa que tiveram ao telefone.
- Tudo bem, vamos fazer isso. – Concordou .
Todas comemoraram por concordar e desligou o fogo.
- Está pronto. – Disse, se referindo ao brigadeiro.
- A panela é minha! – Gritou já indo pegar. fez cara de “nem pensar!” e também se levantou.
- Dessa vez eu não vou brigar. Eu sempre ganho mesmo. – Disse presunçosa.
- Calma! – Disse . E agora a panela já não estava mais em suas mãos, estava em cima de sua cabeça pairando levemente. – Eu vou colocar na mesa. Parem de brigar.
- Nós não vamos brigar por isso. – Disseram juntas e sem parecerem muito convincentes aos olhos de , que riu.
colocou a panela graciosamente encima da mesa. Visto isso pegou a panela muito rápido, sem tirar os olhos da expressão de . Os olhos de brilharam e teve certeza do que ia acontecer a seguir. Muito rápido parou o tempo na esperança de tomar a panela das mãos de sem nenhum esforço, mas se decepcionou ao ver que não tinha sido rápida o bastante e já tinha ficado invisível. Droga! Como eu vou saber onde ela está? Pensou ao mesmo tempo em que tateava a cozinha tentando encontrar . Decorridos alguns minutos incontáveis no mundo normal, desistiu se sentando novamente na cadeira e destravando o tempo com a cara emburrada. se encontrava imprensada entre a geladeira e o freezer com as mãos levantadas carregando a panela, e trazia consigo um sorriso enorme.
- Eu sou demais. – Disse ela. – Você tava realmente achando que era invencível, ?
- Não. – Respondeu a contragosto.
As outras garotas agora riam da caçada pela panela enquanto se deliciava no doce e parecia cada vez mais enfurecida. Foi então que a campainha tocou. Devagar e musical.

- Você está esperando alguém? – Perguntou a .
- Eu não. – Respondeu a menina secamente.

X.X.X

Edward estava no seu carro ouvindo suas músicas preferidas, estava muito relaxado. Seus irmãos e Carlisle estavam dentro da casa, ainda organizando-a. Ele conseguira um minuto sem Emmett e Jasper brigando em seus ouvidos. Foi quando ele ouviu.
“Por que ele está naquele carro sozinho?” Provavelmente aquele pensamento se referia a ele. Visto que era o único por perto que se encontrava exatamente igual à descrição do pensamento feminino. Ele se mexeu no banco querendo abrir os olhos, mas sem querer que a menina se assustasse com sua mudança de posição tão repentina em direção a ela, justamente quando ela estava pensando nele. Ele esperou um pouco mais até que os pensamentos da garota não estivessem mais nele e abriu os olhos para ver o que acontecia naquela rua. Viu três meninas paradas na frente de uma casa conversando sobre alguma coisa que ele julgou sem importância. Analisou uma garota morena com os cabelos longos e constatou que o pensamento deveria vir dela. Saiu do carro rápido e foi para dentro de casa.

- Você acertou Emmett. – Disse quando chegou à sala em que estavam Emmett, Carlisle e Jasper conversando.
- Sim, eu acertei. Eu sempre acerto. – Disse Emmett. – Mas você poderia dizer de qual acerto você está falando? – Perguntou o moreno que agora se ocupava em colocar velas em um candelabro.
- Bem, eu vou ignorar seu gênio. – Disse Edward. – A garota aí da frente tem amigas bonitas.
- Tem? Jura? – Perguntou Emmett muito animado.
- Por que a surpresa? Você não está sempre certo? – Disse Jasper.
- Ah, cala a boca Jazz. – Respondeu um Emmett irritado fazendo Jasper sorrir pelo nariz.
- Chegaram três garotas a casa dela agora mesmo, eu vi.
- Olha só, o nosso querido Edward prestando atenção na vida dos humanos. – Disse Jasper.
- Uma delas pensou sobre mim. Foi só por isso que eu as vi. – Disse Edward indiferente.
- Eu quero conhecer. – Disse Emmett quando Jasper já parecia querer responder a Edward.
- Não, você não quer. – Disse Carlisle que até o presente momento estava ali apenas de ouvinte.
- Ah, qual é Carlisle! Que mal há? – Perguntou Emmett agora parecendo indefeso.
- Ele tem razão, Emm. – Disse Edward. – Elas são apenas humanas. Não podemos interferir na vida delas.
- Eu não acredito no que eu estou ouvindo. – Disse Emmett que parecia ter encontrado um novo argumento. – Qual é a graça de sermos lindos, eu mais do que vocês, lógico. – Disse arrancando uma risada de Jasper. – Se não podemos nos relacionar com ninguém?
- Emm...- Tentou argumentar Carlisle, mas foi cortado por Jasper.
- O Emm tem razão, Carlisle. – Disse Jasper e depois se assustou em concordar com Emmett uma vez na vida. – A eternidade não tem graça se não nos relacionarmos com ninguém. E além do mais não creio que haja tantos problemas nisso.
Todos olhavam para a cara de Jasper incrédulos, menos Emmett que além de incredulidade aparentava compaixão e felicidade. Jasper imediatamente lembrou do rosto da garota que vira há pouco tempo atrás, e sentiu uma vontade indescritível de ao menos saber o nome dela. Tentou afastar o pensamento da cabeça visto que Edward não ia demorar muito para entendê-los. Edward soltou um sorriso breve para Jasper, que percebeu que ele já havia entendido o motivo de sua mudança de opinião repentina, mas não falou nada.
- O que você sugere? Que batamos na porta da casa dela e nos apresentemos? – Perguntou Carlisle sarcástico a Emmett que parecia se divertir em seus pensamentos.
- Bem, quanto a isso eu não sei. – Respondeu Emmett um pouco tristonho.
- Podemos fazer com que esse encontro seja casual. – Disse Jasper que parecia ter uma idéia.
Edward riu para o irmão e logo entendeu o que ele quis dizer. Pegou o telefone e discou rapidamente um número.
- Pizzaria Nosso Sabor, boa noite? – Todos ouviram uma voz masculina do outro lado da linha.


Capítulo três.

As garotas permaneceram em silêncio por alguns segundos. já não comia mais o doce no fundo da panela. Até que resolveu quebrar o desconfortável silêncio e interromper os pensamentos das outras garotas.

- Nós vamos atender a porta ou não? – Perguntou impaciente.
- Vamos abrir. – Disse . – Não deve ser ninguém importante.

Todas se levantaram de suas poltronas, menos que já se encontrava em pé, e foram juntas atender a porta. olhou através do olho mágico. As outras três meninas esperavam ansiosas pelo relatório de quem estava do outro lado da porta. se segurava para não enfiar a cabeça na parede a fim de matar sua curiosidade. finalmente desgrudou os olhos da porta e lançou as outras um olhar confuso, e logo em seguida girou a maçaneta.
- Eu só vim entregar a pizza. – Disse um garoto que com certeza era muito jovem, ao ver quatro pares de olhos confusos fixados nele. O garoto vestia uma roupa de chuva, embora ainda não estivesse chovendo, e estava sentado numa moto com a logomarca da pizzaria, com uma pizza grande nas mãos.
- Pizza? – Repetiu interrogativa. – Ninguém pediu pizza aqui, garoto.
- Uma pizza! Eu não acredito que eu quase tive um infarto de curiosidade por causa de uma pizza! – Reclamou baixinho, fazendo concordar e rir.
- Aqui não é a rua Bagwell? Número 47? – Perguntou o garoto lendo um papel que jazia amassado em sua mão direita. Vendo balançar a cabeça afirmativamente sem nenhuma palavra, o garoto prosseguiu. – Não há dúvidas. É aqui.
- Não pedimos nada. – Disse secamente, despertando um olhar enfurecido do garoto.
- Na nossa pizzaria não há erros. – Cuspiu o garoto com um tom displicentemente confiante olhando para . – Um homem pediu uma pizza e foi para essa casa aqui.
- Um homem? Você disse um homem? Quantos homens você consegue contar aqui, menino? – Perguntou com a voz um pouco elevada apontando para as três amigas e indignada.
percebeu a porta da casa da frente abrir e analisou um moreno alto e forte pôr os pés na calçada. Ao perceber o olhar dele sobre elas, cutucou para que ela também o visse.
- Uau! – Foi a única palavra que conseguiu dizer, enquanto e ainda discutiam sobre o erro do entregador.
Um ruivo muito risonho postou-se ao lado do moreno, também observando as garotas. analisou o moreno nos mínimos detalhes e se assustou quando ele fez menção de se aproximar delas. Ela não desviou os olhos do rosto cativante do garoto, que também parecia decidido a não desviar.

- Olá. Eu sou Emmett Cullen. – Cumprimentou Emmett apertando a mão de e lançando-lhe um sorriso caloroso.
sentiu sua pulsação acelerar e suas bochechas esquentarem. Sua respiração não mais poderia se chamar de estável. Isso é ridículo. Mas a não exagerou nem um pouquinho quando disse que eles eram lindos. Pensou enquanto Emmett ainda segurava sua mão.
- Falcão. – Conseguiu finalmente dizer, soltando sua mão da dele e tentando recobrar seus sentimentos habituais.
- Receio que você tenha errado a casa, meu caro. – Disse Emmett se dirigindo ao garoto da pizza. – Essa pizza provavelmente é para a nossa casa. – Continuou agora apontando para sua casa. – Deve ter havido um engano.
- Não houve nenhum engano. – Insistiu o garoto, franzindo a testa ameaçadoramente ressaltando uma cicatriz acima da sobrancelha esquerda. – Pediram uma pizza para essa casa.
- Você deve ter se confundido. – Disse o ruivo que já se encontrava ao lado de Emmett. – O número da casa na verdade é 48.
- Não. O número era... – Tentou dizer o garoto, mas foi interrompido.
- Com certeza era 48. – Repetiu o ruivo, e se voltou para as meninas. – Desculpem o mau entendido. Meu nome é Edward Cullen.
- Olá Edward. Eu sou e essas são , e , como você já sabe. – Disse apontando por último para e se surpreendendo por sua voz parecer tão firme.
Edward sorriu para que tinha absoluta certeza de que se alguma palavra saísse da sua boca depois daquilo não seriam tão firmes como antes.
- Oi . – Disse Edward ainda sorrindo para . A garota, por sua vez, respirou fundo e retribuiu-lhe o sorriso. Nunca na sua vida havia ouvido seu nome ser pronunciado de maneira tão perfeita e musical. – Aqueles ali são meu irmão Jasper, e meu pai, Carlisle. – Apresentou Edward apontando para o outro lado da rua e vendo Carlisle se aproximar e Jasper hesitar fingindo amarrar os cadarços.

- Pai? – Perguntou incrédula.
- Adotivo. – Respondeu Carlisle aproximando-se de a fim de esclarecer tudo. – Ou você acha que eu tenho idade de ser pai biológico desses garotos?
- Não! – Respondeu constrangida pelo mal entendido e sentiu seu corpo arder de vergonha. Vergonha e algo mais. Carlisle sorriu encantadoramente para .
- Você é a ? – Perguntou Carlisle oscilando do olho esquerdo de para o direito muito rápido.
- Só . – Respondeu prontamente. – Eu gosto do meu apelido.

Enquanto isso, observava o último garoto se aproximar devagar, como se esperasse por algum motivo repentino que não o obrigasse a se apresentar. franziu o cenho para Jasper, reconhecendo seu rosto de uma outra ocasião, a diferença era que da outra vez ele parecia mais corado. Outra vez? Nunca houve uma outra vez. Concluiu rápido .
Jasper se aproximou de Edward e murmurou algo parecido com ‘oi’ para as garotas, não se demorando muito em nenhum dos olhares femininos além do de que parecia lhe prender no contorno de suas sobrancelhas. Não acredito que essa idéia maluca foi minha. E também não acredito que eu estou assim. Edward concentre-se em outra coisa, por favor. Isso é desconfortável. Pensou Jasper a contragosto ao ver o sorriso no canto da boca do irmão. Desviou os olhos dos de assim que pôde.

- Com licença, mas se a pizza é dos senhores, vocês podem pegá-la, por favor? – Disse o garoto que parecia ter sido esquecido pelos demais. – Eu não tenho só essa pizza para entregar esta noite. – Continuou apontando para as costas e mostrando uma bolsa que provavelmente estava abarrotada de pizzas esperando para serem entregues. – E ainda assim alguém vai ter que pagar por ela.
Carlisle tirou do bolso traseiro da calça alguma quantia em dinheiro e entregou ao garoto.

- Cedemos a pizza às garotas. – Concluiu.
- Não podemos aceitar. – Respondeu .
- É apenas um pedido de desculpas pelo erro. – Continuou Emmett. – Aceitem, por favor.
Não haveria um erro melhor que vocês poderiam cometer. Pensou arrancando um sorriso involuntário de Edward.
- Não nos façam essa desfeita. – Argumentou Jasper roubando completamente a atenção de .
As meninas olharam umas as outras como que tomando uma decisão em conjunto. foi a primeira a falar.
- Tudo bem, nós aceitamos.
- Vocês poderiam comer com a gente. – Insinuou esperançosa.
- Não, obrigado. – Disse Carlisle. – Edward é um bom cozinheiro. Ele vai preparar alguma coisa para nós.
E antes que pudesse encontrar um novo argumento, Emmett continuou:
- Podemos nos ver amanhã. – Disse arrancando um sorriso sincero de .
- Encontraremos um jeito. – Afirmou Edward diretamente a . A garota se sentiu intrigada.
Com mais um momento de silêncio, ouviu-se um pigarro forçado.
- Você poderia pegar a pizza, moça? – Disse o entregador de pizzas a , e agora aparentava estar bem impaciente. – Talvez isso não passe pela cabeça de vocês, mas eu não tenho a noite toda.
Jasper pegou a pizza das mãos do garoto que parecia inexplicavelmente mais calmo, e entregou a , que lhe agradeceu com o olhar. sentiu-se nervosa e palpitante ao perceber Jasper tão próximo a ela e se dirigindo direta e inteiramente a ela. E pela primeira vez, Jasper sorriu.
- Vamos entrar. – Falou . – O brigadeiro já deve estar frio.
Todas as garotas pareciam se lembrar instantaneamente do que estavam fazendo antes do encontro inesperado.
- Boa noite, garotas. – Disse Carlisle. – Boa noite . Ops, . – Corrigiu-se automaticamente. sentiu os pêlos da sua nuca eriçarem.
- E desculpem mais uma vez o mal entendido. – Foi a vez de Emmett falar.
- Não há por que se desculparem, Emmett. – Disse . E Emmett sentiu uma satisfação enorme em ouvir seu nome sair daquela boca. – Ainda saímos ganhando. – não desviava seus olhos dos de Emmett. Edward riu de ambos.
- Com certeza saímos ganhando. – Disse apontando para a pizza nas mãos de , fazendo todos rirem.
- Boa noite, . – Disse Edward querendo que a garota mais uma vez fixasse seu par de olhos delineados para ele.
- Boa noite, Edward. – Respondeu confusa pela atenção repentina, mas ainda assim com um largo sorriso nos lábios.
Sem mais diálogos, as meninas entraram em casa e os garotos se dirigiram ao outro lado da rua para imitá-las. Ninguém podia dizer quem sorria mais.


Capítulo quatro.

- Foi melhor do que eu imaginava. – Comentou Carlisle quando todos os garotos já estavam acomodados em suas poltronas na sala de estar do mais novo lar dos Cullen. – Eu gostei daquela . Ela é espontânea.
- Foi estranho e assustador. Isso sim. – Exasperou Jasper quase que atropelando as palavras. – Eu nunca me senti tão desprotegido.
- Teve problema com o cheiro de alguma? – Perguntou Edward visivelmente preocupado. – Eu não consegui ler isso em você.
- Não. Não foi isso. – Apressou-se a dizer. – É claro que elas cheiram bem. Chega a ser tentador uma delas. Mas nada que eu não consiga controlar. Não foi isso.
- É claro que não foi isso! – Começou Emmett rindo antecipadamente. – Ele só tremeu na base. A falta de experiência desse garoto me envergonha!
As altas gargalhadas de Emmett foram cessadas quando Jasper atirou o jarro de flores da mesa decorativa da sala na direção do garoto, com um olhar assassino. Emmett levantou um dos braços à altura do rosto como instinto de defesa, e o jarro se espatifou nele sem causar nenhum dano a um músculo sequer do menino grandalhão.
- Parem de brigar, isso é ridículo. – Disse Carlisle com autoridade ao ver que Jasper ainda trazia consigo um olhar fulminante e furioso para Emmett, que agora se limitava a sorrir pelo nariz.
Visto que o silêncio se prolongava, Edward lembrou de uma coisa que o intrigara.
- Jazz, parece ter lhe visto em outro lugar. – Disse em tom sério, conseguindo que o irmão perdesse toda a sua postura de assassino e lhe desse total atenção. – Eu a ouvi pensar isso quando olhou para você.
- Ela não pode ter me visto. Pode? – Perguntou Jasper claramente em dúvida.
- Ah, ela pode ter te visto sim, Jasper. – Argumentou Carlisle. – Nós não somos invisíveis, não é?
- Ia ser divertido se pudéssemos ficar invisíveis. – Comentou Emmett com ar sonhador.
- Não. Ela não me viu. – Jasper parecia confiante. – Eu teria me lembrado dela.
Emmett sussurrou um ‘claro’ levantando a sobrancelha direita e parando de falar ao ver o olhar de censura de Carlisle. Limitou-se a pensar. Do jeito como ele olhou para ela.
- É. Talvez ela tenha se enganado. Humanos não têm uma memória digna de prêmio. – Concluiu Edward dando de ombros.
Edward se levantou e foi à cozinha, trazendo consigo uma vassoura e uma pá. Entregou ambas a Emmett que o olhou indignado, mas pegou provavelmente para evitar novas brigas com a família. Saberia que se fizesse alguma objeção iria ter três vampiros contra ele, e essa não era uma posição muito otimista.
- Eu realmente gostaria de usar os meus dotes culinários que eu aprendi há décadas atrás, Carlisle. – Disse Edward com um sorriso leve. – Não é muito útil saber tanto sobre temperos e não poder cozinhar em casa.
- Cozinhe para as humanas. – Disse Carlisle também sorrindo e se voltou para Emmett, que agora se ocupava em limpar os cacos de vidro do chão sob supervisão dos olhos divertidos de Jasper. – Emmett, o que vamos fazer amanhã? – Perguntou se referindo à promessa que ele fizera as garotas de revê-las no outro dia.
- Ora, Carlisle! Você eu não sei. Mas eu pretendo conhecer melhor. – Disse Emmett com um sorriso maroto.
Como ele consegue? Ele age como um humano às vezes. Pensou Jasper com um olhar intrigado.
- Ele só é seguro de si. – Respondeu Edward olhando para Jasper.
- O que? Quem é seguro? – Perguntou Emmett desnorteado. Edward apenas sorriu para o irmão.
- O que você quis dizer com ‘encontraremos um jeito’, Edward? – Quis saber Jasper.
- pensa que a chuva pode atrapalhar nosso encontro amanhã. – Respondeu Edward indiferente.
- A chuva é apenas um tempero. – Disse Carlisle sorrindo abertamente.

X.X.X

- Eles são lindos, . – Disse se servindo de mais um pedaço de pizza. – Não sei como eu ainda duvidei de você.
- Obrigada, obrigada. – Agradeceu como quem acaba de receber o troféu do Oscar de melhor filme do ano. As meninas riam descontraídas.
- Eles têm bom gosto para pizza também. – Disse .
- Claro, escolheram sua preferida. – levantou um pedaço da pizza nas mãos mostrando a quantidade de queijo. – Quatro queijos.
- Muito bom. – Disse ainda que de boca cheia.
- O que será que eles vão fazer amanhã? – Perguntou interessada.
- Ah, sei lá. Mas se o Emmett parar na minha frente e ficar me encarando pelo resto do dia já vai ter valido a pena. – Comentou fazendo todas gargalharem alto.
- Amanhã vai chover. – parecia séria. – E se eles desistirem?
- Vira essa boca para lá! – estava furiosa.
- Eles vão vir. Edward e Emmett pareciam confiantes. – tentou acalmar as garotas. – Já o Jasper parece que evita.
- Você já escolheu né, ? – Caçoou . – Ele é tão fofo.
ficou olhando para por alguns segundos, ela não tinha escolhido nada. Ou tinha? E ela também não gostou de chamá-lo de fofo. Ciúmes? Não. Definitivamente não. Atropelou os pensamentos.
- Mas eu prefiro a confiança que o Emmett me passa. – Continuou sonhadora.
- A força que ele passa não, ? – alfinetou rindo descontrolada.
- Eu acho que já vi o Jasper. O rosto dele não me é estranho. Sei lá. Aquela expressão. Mas era tão diferente. – Tentou explicar .
- Traidora! Já tinha os visto e não tinha dito nada! – Exclamou .
- Não! Não lembro de todos. Não lembro de quase nada. Ele só é familiar para mim. – Continuou olhando ao acaso.
- Ele deve ter um rosto comum, . – Argumentou . – Você deve ter visto alguém parecido.
- Talvez. – Concordou sem parecer muito convincente.
- O que são aqueles olhos cor de bronze? – Começou . – Completamente encantadores!
- Do Emmett não é? – Perguntou .
- Não. Do Carlisle.
- Todos têm olhos cor de bronze. – Esclareceu . – Eu vi.
- Parece que o Carlisle escolheu os filhos pela cor dos olhos, então. – Disse .
- E pela pele. Eles são extremamente brancos não é? – Comentou .
- Não tenho nada contra. – Suspirou . – Pelo contrário. Tudo absolutamente a favor.

As garotas ainda riam quando se levantaram e foram se preparar para dormir. Todas foram dormir no mesmo quarto apesar de haver outros quartos disponíveis na casa de . O quarto da garota era espaçoso o bastante para todas dormirem confortáveis. Antes de se deitarem, ainda faltava o ritual de higiene.
- Você demora demais com esses cremes, ! – Rugia na porta do banheiro reclamando da demora de . – Você não é velha para usar todos essas misturas que você põe na cara!
- Eu sou mais velha que vocês. – Disse simplesmente.
- Dois anos não fazem diferença. Você só tem vinte anos! – Gritou . – Vinte anos neuróticos. – Concluiu desistindo de esperar em pé e sentando no cesto de roupa suja.
- Vocês nunca vão ver uma ruga em mim! – Dizia enquanto só ouvia o barulho de potes e mais potes sendo abertos e fechados com cara de tédio.
Depois da última desavença de e da noite, todas deitaram e tentaram dormir. Tentaram. Mesmo com a temperatura do quarto muito agradável, o sono não parecia disposto a bater na porta.
- Definitivamente eu não consigo dormir. – Disse após uma hora de silêncio e muito se mexer na cama.
- Alguém falou! – Agradeceu .
- O que eu faço? Já tentei de tudo. – Explodiu .
- Todas tentamos. – Disse impaciente.
- , se você não dormir vai estar com olheiras profundas amanhã e o Carlisle não vai gostar do que vai ver. – Alfinetou .
- Ai meu Deus! Eu tenho que dormir. É uma questão de beleza agora. – Disse desesperada seguida de risinhos abafados das outras três.
- Eu vou fechar os olhos e pensar em alguma coisa muito boa. Vou esperar o sono chegar. – Disse . – Aconselho vocês a fazerem o mesmo.


Capitulo Cinco.

- Bom dia, Emmett. – Disse à porta de casa ao ver o garoto.
- Bom dia. Acordei vocês?
- Não, não. Nós estávamos indo tomar café da manhã. – Respondeu . – Quer se juntar a nós? faz um ovo mexido que é uma delícia. – Falou a garota levando a mão à orelha em sinal de aprovação.
- Não, obrigado. – Disse Emmett sorrindo. – Eu já comi.
As meninas tinham lutado contra a insônia no dia anterior, mas conseguiram vencer e dormiram razoavelmente bem. foi a primeira a acordar e fez questão de acordar as outras, porque não sabia o que o dia as aguardava. Vestiu uma roupa casual e foi organizar um belo café da manhã. Todas as amigas estavam sentadas à mesa comendo e conversando quando a campainha tocou e se prontificou a atender. Isso não impediu as outras de irem atrás dela e ficar espiando atrás das cortinas da sala.
- Você...Quer entrar? – Perguntou por fim, acanhada.
- Claro. – abriu espaço para os ombros largos de Emmett passarem pelo portão. – está?
A garota já sabia que Emmett se interessara mais por , mas ainda assim não conseguiu não se surpreender quando Emmett disse vir procurar por ela. Ela estava imaginando a cara das garotas olhando e cochichando na sala.
- Está sim. Vem comigo. Eu te levo até ela.
correu até o espelho mais próximo e ajeitou os cabelos sempre perfeitos, arregalou os olhos como se quisesse ver com mais clareza qualquer imperfeição. e se divertiram com aquilo, enquanto entrava na sala trazendo Emmett atrás dela. chamou a atenção de , para que ela parasse de se olhar no espelho e fosse atender o garoto ansioso.
- Oi Emmett. – lançou-lhe o melhor olhar sedutor que podia. – O que você veio fazer aqui?
- Bem...Eu pensei que tínhamos um encontro. – Emmett atrapalhou-se nas palavras.
- Encontro...Ah! Claro. – Disse com falsa surpresa. Não havia nada que ela esperasse mais. – Aonde você quer me levar?
- Humm, isso é segredo. – Comentou Emmett sorrindo malicioso. – Só posso dizer que vai ter um gramado.
fez uma careta, pois sabia que e grama não se misturavam. Nunca. Mas não parecia ter um olhar de repulsa. Ainda tinha um sorriso largo no rosto. Talvez e grama não se misturavam até agora. olhou para e lhe estendeu a mão. A amiga por sua vez, entendeu o que a outra queria fazer e lhe apertou a mão. Os olhos de brilharam e suas pupilas dilataram enquanto ela olhava para e pausava o tempo com um leve piscar de olhos. Nada podia se mexer na sala a não ser ela e .
- Olha a cara dela! – Comentou risonha.
- Eu vou guardar essa cara de boba da pro resto da minha vida! – gargalhou .
- Ela nem fez cara feia quando ele mencionou a palavra ‘grama’.
- Pois é. Mas também com um homem desses olhando para ela! Duvido muito que alguém conseguisse fazer alguma coisa a não ser sorrir.
- Aprovado. – Riu mostrando os braços de Emmett.
- Se ela ouvir você falar isso você é uma mulher morta! – Disse ainda que rindo. – Mas eu também aprovo. Bela escolha.
- Eu prefiro o Jasper. Apesar de ele não parecer sentir a mesma coisa. – diminuiu o sorriso.
- Ra ra. Se ele não sentir o mesmo eu não sou e não consigo mover os objetos com a mente! – lhe bateu de leve no braço. – Mas eu prefiro o Edward. Nunca achei um ruivo tão bonito. – Suspirou.
- Tudo bem, vamos ver o que ela vai dizer. Vamos voltar para os nossos lugares. – Disse para que, como ela, voltou para o lugar de onde tinha saído.
- Tudo bem, Emmett. Eu não preciso saber para onde eu vou. Desde que seja com você. – tinha um sorriso imerso em segundas intenções. – Vou confiar em você dessa vez.
Emmett triplicou a largura do sorriso, como se isso fosse possível. , e se entreolharam divertidas. Precisavam realmente se segurar para não rir.
- Você já está pronta, não é? – Perguntou Emmett.
- Sim, estou. Só falta pegar a minha bolsa. – Emmett concordou com um aceno. – , você pode vir comigo?
- Claro.

As duas garotas subiram as escadas a passos largos e logo entraram no quarto de , ao longe podiam ouvir Emmett, e conversarem. Quando fecharam a porta do quarto exaltou.
- Eu to bem? To bonita? Aonde você acha que ele vai me levar? Você não acha que eu vou dar mancada, acha? Minha roupa ta boa? Sim, porque ele disse que ia ter um gramado, talvez branco não combine com gramado! E... – Tentou dizer , mas foi rapidamente interrompida por , que parecia atordoada.
- Calma ! Deixa eu pensar. – respirou fundo e começou. – Você ta linda. Não, você É linda. E eu não sei aonde ele vai te levar, mas tenho certeza que você vai gostar. E não se preocupe com a roupa, não vai haver problemas com sua blusa branca, a menos que vocês rolem na grama. – Riu . – E quanto às mancadas, comporte-se.
- Obrigada. – Agradeceu parecendo muito mais aliviada. – Me empresta uma bolsa?
- Você disse que ia pegar uma bolsa sua!
- Ah, qual é! Você acha que eu moro aqui? Eu não sabia que ia ter um encontro vindo passar um fim de semana na sua casa. – Exclamou exaltando a palavra ‘encontro’.
- Não mora aqui, mas podia morar. Tem espaço o bastante para vocês três aqui. Já que eu moro praticamente sozinha. – Comentou olhando para o chão.
- Você não mora sozinha. O tio Ben mora aqui.
- Como se isso fizesse alguma diferença. – Respondeu em tom tristonho.
- Não fale assim. Seu pai é muito legal. – Argumentou .
- Faz uma semana que eu não o vejo.
- Ele ta viajando. Pára de reclamar! Ele é muito legal!
- Pode escolher a bolsa. – mudou de assunto.
respirou fundo e abriu o guarda-roupa de , repleto de bolsas. Escolheu uma bem básica e olhou para pedindo uma opinião. A garota que agora estava sentada na cama com um olhar indiferente fez que sim com a cabeça e resolveu por aquela bolsa mesmo. Ao descer as escadas sem muita pressa, se depararam com Emmett completamente entretido contando uma história para e .

-...E então eu caí! E o Jasper ri da minha cara sempre que tocamos no assunto! – Emmett ria junto com as outras duas que pareciam confortáveis.
- Eu to pronta agora, Emmett. Podemos ir? – Disse com um leve sorriso.
- Claro, meu bem. – sentiu novamente suas bochechas arderem.
- Hã...Emmett, onde estão os outros? – Arriscou-se a perguntar.
- Eles estão vindo. Já deviam estar aqui. – Emmett olhou o relógio no seu pulso. – Provavelmente estão me esperando sair. – Riu.
- Vamos andando? – Perguntou visivelmente sem disposição para caminhar.
- Não se preocupe. O Edward me emprestou o carro. – Respondeu ele carinhosamente.
- O carro é do Edward? Eu gostei dele. – Comentou .
- Eu sei. – Emmett sorria para . – Todo mundo gosta.
- Eu estava falando do carro. – Disse atropelando avidamente as palavras e corando levemente.
- Eu também. – Respondeu Emmett pegando a mão de e saindo do ambiente.

olhou para e gargalhou em silêncio ironicamente para a garota visivelmente envergonhada, que lhe lançou um olhar de morte.
- Ai , você muda de humor muito rápido. – Comentou sarcástica.
- Bipolarismo de humor. – Disse como quem explica um diagnóstico. – É assim que chamam.
arremessou todas as almofadas nas garotas sem ao menos tocar nelas. Todas gargalharam em alto e bom tom. Passado o momento travessura, as garotas sentaram-se e ouviram o ronco do belo Volvo dar partida e rapidamente sumir só num zunido. Estavam todas muito ansiosas, e nenhuma conseguia dizer nada a não ser monossílabos. tinha a mania incontestável de roer as unhas quando nervosa, e a repreendeu. A garota podia ter parado o tempo só pra poder roer as unhas sem que ninguém a impedisse, mas só de pensar que por isso a ansiedade dela ia ser maior e mais longa, não o fez. Não queria estender um segundo que fosse o tempo que se passava sem ver Jasper.
olhava incessantemente para o relógio de parede que doía aos seus ouvidos a cada segundo passado e pensou se não podia adiantá-lo, mas não queria demonstrar ansiedade, apesar de ser visível. A campainha tocou. Nada poderia alegrar mais as garotas do que o som daquela campainha. sorriu ao lembrar que normalmente as meninas odiavam aquele som e brigavam para decidir quem ia ter o desprazer de abrir a porta. No momento, a briga só podia se dar para ver quem ia pôr primeiro as mãos na maçaneta prateada e reluzente da porta de entrada.
Todas se levantaram juntas e riram umas para as outras pelo ridículo que isso parecia, mas não se preocuparam com isso. Não havia como definir qual dos seis sorrisos era o maior e mais convidativo.

- Bom dia, garotas. – Cumprimentou Carlisle segurando uma sacola. – Vocês dormiram bem? – Perguntou retoricamente. – Bem, viemos fazer companhia a vocês no café da manhã.
- E eu sou especialista em waffles. – Completou Edward sorrindo. – Vocês não podem me impedir de me divertir na cozinha de vocês. Não me desapontem.
- Não, claro que não! – Disse . – A cozinha é toda sua.
- Acho que vou precisar da sua ajuda. – Insinuou para que apenas sorriu e concordou.
- Podem entrar. – Falou para os três que ainda estavam do lado de fora da casa risonhos.
Carlisle, Jasper e Edward entraram na casa, e acompanhados das meninas foram para a cozinha. Visto que a mesa já estava posta, Carlisle exasperou.
- ah...Vocês já comeram?
- Não! Quer dizer, não terminamos. – Corrigiu ao sentir suas orelhas vermelhas e o sorriso de Carlisle em cima dela.
Jasper olhou para que ainda o fitava pelo canto do olho desde sua entrada silenciosa na casa dela.
- Oi. Tudo bom? – Arriscou-se. – Você parece preocupada. Alguma coisa errada?
sentiu o sangue fluir muito rápido, mas mesmo assim conseguiu responder.
- Não, não. Ta tudo bem, Jasper. – Atrapalhou-se.
- Você tem palitos de dentes aqui? – lançou-lhe um olhar confuso. – Edward gosta de caprichar nos waffles. – Riu dando de ombros.
- Ah, claro. Eu acho que tem aqui... - procurava em algum lugar no armário. - ...em algum lugar.
- Deixa eu te ajudar. – Prontificou-se. – Não deve ser muito difícil de achar.
já estava desorganizando e derrubando os frascos de outras coisas no armário e não conseguia encontrar o maldito palito de dentes. Droga. Você é incompetente , muito incompetente. Pensou com ferocidade se sentindo nervosa. Jasper sorriu calmamente e localizou o objeto tão procurado.
- Aqui está. – Disse ele levantando e chacoalhando a caixinha numa das mãos.
sorriu forçadamente, mas se sentiu realmente aliviada por não ter que ficar muito mais tempo agachada, nervosa e desajeitada na frente de Jasper, que, sem tirar os olhos de , entregou a caixa a Edward que também sorria bobamente.
- Acho que não preciso de tanta gente na cozinha. Eu já tenho minha ajudante. – Disse ele apontando para e sorrindo para os outros. – Vocês podem fazer outra coisa se quiserem. – Expulsou gentilmente os outros quatro do ambiente, mesmo sorrindo.
O que você acha que eu vou fazer, Edward? Você me paga! Pensou Jasper olhando para Edward.
- , a me disse que você tem uns lápis coloridos no seu quarto. Será que você podia pegá-los para mim, por favor? – olhou para ele confusa e também. , porque não sabia pra que ele queria lápis coloridos, e , porque não tinha a menor recordação de ter dito qualquer coisa sobre isso a Edward. Edward ainda esperava resposta, mas viu que era necessário continuar. – É só decorativo. Vou precisar para terminar o prato.
- Claro. – Disse ainda confusa e olhando de Edward para . – Eu vou pegar. – E olhou para Jasper.
- Eu vou com você. – Disse Jasper rapidamente ao interpretar o olhar de como um convite.
saiu da cozinha seguida de Jasper, que sorria. Ela não fazia a menor idéia de onde estavam os malditos lápis coloridos. Ia novamente precisar da ajuda de Jasper. Isso não a deixava desconfortável, mas também não a deixava calma. Em poucos minutos, ela e Jasper estariam sozinhos no seu quarto. Pensando nisso se sentiu completamente palpitante e desesperada, mas isso não era ruim.
olhou para Edward interrogativa, e mesmo que ela não soubesse o quanto ele podia entender lhe perguntou em pensamento e com o olhar: Como é que você sabe? Edward apenas sorriu e não podia e nem queria dizer como ele sabia de tal fato.

Eu preciso tirar ele daqui. O que eu faço? vai me matar depois se não conseguir ficar com o bonitão aí sozinha. Eu preciso de uma idéia. Venha criatividade. Venha. Você precisa falar com o Carlisle a sós. Isso vai ser bom. Riu sem que ninguém percebesse, a não ser Edward que se prendia para não acompanhá-la numa calorosa gargalhada.
- Carlisle, você pode vir comigo? – Perguntou esperançosa. – Eu quero te mostrar uma coisa.
- Claro . – Disse sorrindo.
se sentiu no direito de puxar Carlisle pela mão para lhe mostrar o caminho, e Carlisle não fez a menor objeção de tirar a mão quente da garota da sua. Saíram os dois da cozinha deixando para trás o silêncio que se seguiu. se afastou ligeiramente de Edward ao vê-lo absorto em pensamentos e mexendo na sacola que Carlisle trazia na mão quando entraram na casa. Edward parecia procurar alguma coisa lá dentro. Não encontrando, olhou para que o admirava as costas e se surpreendeu ao ver o par de olhos cor de bronze lhe pegar desprevenida.
- Aqui tem essência de baunilha? – Perguntou Edward. – Os waffles ficam mais gostosos assim.
- ah...Sim. A compra todo mês. Deve estar por aqui. – Respondeu procurando em uma prateleira um pouco alta demais para ela conseguir alcançar. – Eu já to vendo... E to quase conseguindo... – Disse diminuindo o volume das palavras à medida que se esticava para conseguir pegar o frasco.
Edward pegou o frasco antes que se esforçasse tanto que quebrasse um braço. Ela não estava acostumada com aquele tipo de dificuldade. Se estivesse na presença só das meninas pegaria sem o menor esforço. apenas sorriu desajeitada ao ver a facilidade de Edward em pegar o objeto.
- Peguei pra você. – Disse Edward em tom divertido.
- Impediu que eu me estatelasse no chão com um saco de batatas. – Riu mesmo se sentindo contrariada por não ter conseguido aquilo. – Meu herói. – Adicionou, e em seguida gargalhou junto com Edward.


Capítulo seis.

- Emmett, aonde você ta me levando? – Perguntou curiosa e impaciente por não ver nada na sua frente à não ser água e mato.
- ! Isso é surpresa. Eu já disse. – Respondeu Emmett sorrindo. – Agora feche os olhos, estamos chegando.
- Fechar os olhos? Pra quê? Eu não to vendo nada mesmo! – Exasperou . – E está chovendo desde que saímos de casa. Você tem certeza que essa chuva não vai atrapalhar?
- , calma. Não vai atrapalhar em nada. Eu já disse isso cinco vezes.
- Desculpa. – Disse baixinho e olhando para os pés. Não era nada fácil para ela pedir desculpas.
- Não precisa pedir desculpas, querida. – Emmett normalmente não era tão carinhoso assim. Nem ele sabia o que estava acontecendo. – Mas você não disse que ia confiar em mim?
- Sim, mas...
- Você não confia em mim, ? – Ele agora a olhava nos olhos.
- Completamente. Eu não sei por que, já que eu o conheci ontem, mas eu acredito em você Emmett. – Disse ela corando levemente. Como era difícil dizer aquilo olhando nos olhos dele. – Agora olhe para frente, por favor.
- Por que?
- Primeiro porque eu sou muito nova para morrer e não quero partir dessa pra melhor numa batida de carro e sem ter vivido essa tarde. – Falou fazendo Emmett sorrir levemente, mas ele ainda não havia desviado o olhar. – E segundo porque eu me sinto inexplicavelmente desconfortável quando você me olha desse jeito. – Concluiu sentindo agora suas bochechas arderem como nunca.
Emmett gargalhou e se rendeu olhando para frente.
- Pois você vai ter que se acostumar. Eu pretendo olhar você desse jeito – E apontou para o próprio rosto. – Muitas e muitas vezes.
O coração de falhou uma batida e ela resolveu fechar os olhos como Emmett recomendara. Emmett ainda sorria, mas não disse mais nada até chegarem ao local desejado. Desligando o motor o Volvo, ele olhou para , que ainda mantinha os olhos cerrados.
- Pode abrir os olhos agora, . – Disse olhando fixamente as bochechas rosadas da garota. – Chegamos.
abriu os olhos lentamente e franziu o cenho por causa da claridade. Chovia pouco, e não chovia mais no Volvo. Provavelmente estavam em uma cobertura. não conseguiu disfarçar sua surpresa.
- É lindo, Emmett! – Falou deslumbrada olhando para a paisagem.
Eles estavam num jardim enorme. Muitas flores davam um perfume especial ao ambiente. O verde da grama recém cortada iluminava e brilhava no belo jardim. Ao longe podiam ver o mar, pois estavam numa montanha extremamente alta. E visivelmente ali era um ponto em que as pessoas usavam para pular de asas-delta. sentiu um frio na barriga ao se imaginar pulando daquela altura. E agradeceu fortemente por estar chovendo e tal travessura ser impossível. Emmett pegou-a pela mão e a guiou por um caminho coberto, feito de pequenas pedras brilhantes e amareladas. Ao redor deles havia uma imensidão colorida de flores que dançavam quando as gotas suaves da chuva as tocavam. E naquele instante, aquela imagem remeteu a um filme que assistira quando criança: Alice no país das maravilhas. Sacudindo a cabeça e rindo, ela ainda conseguia pensar que Alice não poderia estar mais feliz que ela naquele momento. no país das maravilhas com Emmett Cullen. Não podia ser mais perfeito. Os dois passaram por um caminho descoberto, e a chuva lhes molhava incessantemente, mas isso não tinha a menor importância. Emmett sentou-se no gramado e puxou para sentar-se com ele, que não relutou. Daquele ângulo podiam ver um pequeno lago que tinha águas cristalinas e pedrinhas ao fundo. A chuva só conseguia deixar o laguinho mais bonito e convidativo.
- Você não podia ter escolhido um lugar melhor. – Comentou olhando a chuva bater na água do lago.
- Eu realmente esperava que você gostasse. – Disse Emmett. – Eu já vim aqui algumas vezes. – Olhou para a grama. – Sempre sozinho. – Acrescentou sorrindo para .
- Você e os outros não acabaram de se mudar? – Perguntou confusa.
- Sim. Mas aquela casa sempre foi nossa. – Disse indiferente. – Eu conhecia o lugar.
- Ah, claro.
Ouve uma breve pausa em que Emmett e apenas admiravam o lugar, e então Emmett falou:
- Você conhece as meninas há muito tempo? – Perguntou.
- Oh... Sim. Desde que me conheço por gente. Nossas famílias são amigas. – Respondeu nostálgica.
- Deve ser realmente legal o relacionamento de vocês.
- Com certeza! – Respondeu animada. – A gente briga muito, mas eu amo todas aquelas malucas.
Emmett e riram. Emmett fixou o olhar em forçando o sorriso a se perder. Fitaram-se por um momento imensurável e então desviou o olhar. Emmett pôs a mão no queixo de puxando levemente seu olhar para si e se aproximou.
- Você está com frio? – Perguntou Emmett olhando a boca de estremecer e seus braços terem os pêlos arrepiados.
- Eu acho que meus braços não estão arrepiados por causa do frio. – Respondeu olhando-o nos olhos num súbito lapso de coragem.
- Talvez você precise de um casaco. Não quero que você adoeça. – Disse Emmett preocupado.
- Eu não vou adoecer, Emm. – Retrucou diminuindo a distancia entre os dois ainda corajosa.
- Talvez você... – A distancia entre os dois estava insuportável.
não conseguiu manter seu corpo longe do de Emmett por tempo suficiente para ele terminar a frase. Colou seus lábios nos dele e o abraçou firmemente como se nunca mais fosse soltar. Emmett sentiu o calor dos lábios de com um leve estremecer de todo seu corpo, e a abraçou com igual entusiasmo. A ferocidade que os dois se tocaram era indescritível. O grande corpo de Emmett encaixava perfeitamente nas curvas definidas do belo corpo de . As mãos de tateavam lentamente as costas e os braços fortes de Emmett. Não havia pressa no beijo, mas havia velocidade. Emmett colocou gentilmente as mãos na nuca de fazendo o corpo da garota amolecer e aprofundar o beijo com um desejo ardente. Depois de estarem completamente satisfeitos um com o outro se soltaram. estava com o rosto muito vermelho e também ofegava. Emmett sorriu presunçoso e sentiu um animal feroz dentro dele rugir de felicidade.
- Calma...me...deixa...respirar. – Falou tomando fôlego a cada palavra pronunciada. – Se você quiser mais, vai ter que me pegar.
Dizendo isso, se levantou mais rápido do que podia imaginar e correu para a chuva. Emmett se surpreendeu com a atitude de e se levantou logo em seguida, indo atrás da garota. Os dois correram pelo gramado entre as árvores grandes do jardim. se escondeu atrás de uma árvore e Emmett podia jurar que já tinha procurado em todas as árvores quando surgiu atrás dele e lhe agarrou por trás. Estavam completamente molhados agora.
- Onde é que você estava? – Perguntou Emmett surpreso por não ter conseguido achar .
- Ali atrás. – Respondeu ela apontando para a árvore a menos de cinco metros deles e lhe dando um selinho rápido e molhado antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
correu mais um pouquinho, mas logo foi apanhada pela cintura por Emmett, que a virou de frente para si com uma força incrível. Os dois deram mais um beijo apaixonado que durou longos minutos. Longos minutos molhados.
Emmett e passaram uma longa parte do dia sentados na grama e conversando sobre acontecimentos corriqueiros. Riam num intervalo menor do que se estivessem em uma comédia de teatro. E se beijavam sempre que se olhavam fixamente. Emmett dera a o casaco que trouxera no carro depois de muito persistir, argumentando que ela pegaria um resfriado. O tempo parecia passar muito rápido quando eles estavam juntos, e logo a claridade do dia foi diminuindo e eles resolveram sem muito entusiasmo, que era hora de voltar para casa. tinha muita coisa para contar às amigas.


Capítulo sete.

- Desculpa, eu não sei exatamente onde estão os lápis. – Disse assim que ela e Jasper entraram no quarto.
- Não tem problema. Eu sou especialista em achar coisas. – Respondeu Jasper sorrindo.
não se sentia mais nervosa, se sentia bem estando perto de Jasper. Ele estava diferente do dia anterior. Sorria com bem mais freqüência. E também parecia mais confortável perto dela, não dava a impressão que se ela piscasse os olhos um pouco mais demoradamente ele ia sair correndo. Talvez o que deixava preocupada e desconfortável era isso: Fechar os olhos e toda aquela beleza desaparecer. Ela não gostava de pensar nisso. Não gostava de pensar que poderia perdê-lo e não gostava de pensar que se importava com isso.
- Tudo bem. Eu acredito. Você achou os palitos bem mais rápido do que eu. Eu demoraria séculos para achar. – Comentou ela também sorrindo.
- Desse jeito eu vou começar a achar que conheço mais sua casa do que você mesma.
- Não. Eu conheço a minha casa! – Falou ainda rindo. – Mas você ainda tem que me ajudar! – Falou alto ao ver que Jasper se retirava do quarto teatralmente.
- Ok. Vamos procurar.
- Pode ser que estejam numa dessas gavetas. – Disse procurando numas gavetas grandes de um móvel de cor marfim que decorava o seu quarto.
Jasper arregaçou as mangas sorrindo para e abriu uma gaveta para procurar. Eles estavam agachados lado a lado. Passaram alguns minutos examinando todas as gavetas. Nada de lápis. já estava começando a duvidar que realmente tinha aqueles lápis. Jasper estava de pé quando colocou a mão no puxador do guarda-roupa de e perguntou:
- Posso?
- Claro. Procure onde quiser. – Disse indiferente ainda mexendo nas gavetas.
Jasper abriu a porta do guarda-roupa e demorou um pouco escolhendo por onde começar. Foi então que resolveu pegar uma caixa verde toda decorada com brilho. Sentou-se na cama e abriu a caixa. Muitos papéis estavam dentro dela. o olhou.
- São minhas lembranças. – Disse se sentando na cama com Jasper.
- Se você quiser eu posso... – Tentou dizer Jasper.
- Não, pode ver.
Jasper mexeu nos papéis com cuidado e achou um álbum de fotografias. Abriu e mostrou um largo sorriso para . Na foto estavam , , e sorrindo forçadamente dizendo ‘xis’. se aproximou de Jasper para poder ver do que ele estava rindo e se sentiu inebriada com o perfume em seu pescoço. Abanou a cabeça antes que ele percebesse e sorriu ao ver a foto.
- Nós estávamos num parque de diversões e pedimos pra um menino, que a gente encontrou naquela hora, tirar a foto. – Explicou.
- Vocês estavam lindas. – Comentou Jasper.
- Obrigada.
- Vocês vivem juntas? – Perguntou virando a página para ver a outra foto.
- Não. Mas é por pouco tempo. Estamos nos organizando para todas morarmos aqui. – Jasper assentiu.
- Vocês parecem muito amigas.
- Somos como irmãs. Sempre estudamos juntas. Sempre passamos pelas dificuldades e alegria juntas.
Jasper analisou mais uma foto do álbum em que aparecia abraçada a um homem de meia idade com um sorriso enorme.
- Quem é ele? – Perguntou unindo as sobrancelhas.
- Meu pai. – Respondeu indiferente.
- Ele mora com você?
- Teoricamente. – Jasper olhou sem entender. – As coisas dele estão aqui. Mas quase nunca ele está. – Concluiu amarga.
- Ah...Entendo. Ele trabalha?
- Sempre. Desde que eu era pequena.
- E sua mãe? – Perguntou sério.
- Ela morreu quando eu nasci. Tem uma foto dela aí. Grávida de mim. – Disse passando as páginas do álbum nas mãos de Jasper. – Aí está.
Uma mulher sorridente aparentando uns vinte e cinco anos acenava para a câmera com a mão esquerda enquanto a direita acariciava a barriga enorme. Provavelmente era o pai de que estava tirando a foto. A mulher parecia muito feliz e vestia um vestido cor de creme muito angelical. Seus cabelos castanhos e longos moldavam perfeitamente sua face e ainda caiam pelos ombros.
- Ela era muito bonita. Parece com você. – Disse Jasper passando de leve o dedo indicador na foto.
- Obrigada. – Agradeceu . – Eu queria ter a conhecido. Meu pai uma vez me disse que ela costumava cantar para mim antes de dormir todas as noites, acariciando a barriga. – A voz de embargou. Jasper passou o braço em volta do ombro de dela a fim de confortá-la e sentiu o doce cheiro dos seus cabelos. não deixou nenhuma lágrima cair. Ela não gostava de chorar. Muito menos na frente de outras pessoas. Mas se sentiu mais calma em volta do corpo de Jasper. Instintivamente levantou o olhar e viu que Jasper a fitava, e sem conseguir desviar, o encarou. Alguns segundos se passaram até que aquela posição estava ficando desconfortável. A respiração de estava descompassada quando ela resolveu analisar a boca de Jasper. As mãos do garoto ficaram dormentes e ele começou a ouvir o coração de disparar. Antes que qualquer coisa acontecesse, desviou o olhar do rosto de Jasper, que se afastou dela. Seguiu-se um silêncio mórbido. se levantou junto com Jasper, que agora já havia deixado de lado a caixa com as fotografias.
- Nós temos que encontrar os lápis. – Disse nervosa para Jasper.
- Claro. Tem que estar por aqui. – Respondeu ele.
Eles procuraram mais alguns minutos os lápis até que Jasper resolveu olhar em cima da mesinha de cabeceira de . Lá estavam os lápis, dentro de um copo branco.
- . – Chamou Jasper. ainda procurava nervosa e calada dentro de uma gaveta que ela já havia visto antes.
- Sim? – Ela finalmente deu atenção a ele.
- Estão aqui. – Disse apontando para a mesa de cabeceira e sorrindo.
- Ah, que ótimo. Nós passamos todo esse tempo procurando e eles estavam logo aí. – Bufou .
Jasper pegou os lápis e sorriu para .
- Vamos. – Disse ele pegando na mão dela, que o repeliu gentilmente.
Ele não pareceu se incomodar e se satisfez em sair do quarto ao lado dela. Antes de saírem, ele observou um quadro pregado na parede.
- Hei! O que é isso? – Perguntou ele apontando para o quadro rabiscado na parede. analisou o quadro antes de responder.
- Bem, é uma brincadeirinha particular. Eu e as meninas fizemos esse quadro para dedicatórias e assinaturas de quem entra no meu quarto. Obviamente que não tem muitas assinaturas a não ser as delas mesmas. – Respondeu rindo.
Jasper observou algumas assinaturas. ‘! Eu te amo! By: .’. ‘Honey, passei por aqui! By: .’. ‘Amo você, coisa feia! By: , o amor da sua vida.’. ‘ Querida, quero ver você sempre feliz como agora. By: Luke.’. ‘Do papai para minha filhinha favorita.’ Jasper sorriu com algumas.
- Posso assinar? – Perguntou acanhado.
- Claro Jasper. Que cabeça a minha, eu devia ter oferecido. – Sorriu enquanto Jasper pegava um dos lápis e assinava no quadro.
Jasper e saíram do quarto lado a lado e sem nenhum clima pesado. Até que Jasper perguntou:
- ... – Começou.
- . – Corrigiu a menina. Jasper sorriu e continuou.
- , quem é Luke? – Perguntou devagar.
o fitou um momento antes de responder.
- É só um amigo. – Disse por fim mesmo que não respondendo exatamente o que Jasper queria saber.

X.X.X

ainda se decidia aonde levar Carlisle enquanto estavam subindo as escadas lentamente e se afastando gradativamente da cozinha. A menina teve uma idéia e agradeceu a sua criatividade por ter voltado. Subiu as escadas um pouco mais rápido, forçando Carlisle a acompanhar o seu ritmo. Chegando ao topo da escada ela conseguiu ver Jasper e procurando os lápis em umas gavetas. Sorriu e caminhou até uma porta fechada.
- Quero te mostrar uma coisa na casa da que eu gosto muito de fazer. – Disse olhando para Carlisle e abrindo a porta.
O ambiente tinha cheiro de livros, pois estava repleto deles. No meio da sala, tinha uma mesa redonda e encostado na parede tinham muitos móveis idênticos feitos de madeira. caminhou até um dos móveis e abriu uma gaveta. Carlisle observava toda a biblioteca com um olhar questionador, enquanto caminhava até , que agora segurava nas mãos uma caixinha preta. sorria gentilmente quando se postou ao lado da mesa e abriu a caixa. Um jogo de xadrez de madeira estava dentro.
- Sabe jogar? – Perguntou.
- Claro. Eu e o Emmett jogamos sempre que podemos. – Respondeu Carlisle rindo. E então acrescentou. – Eu sempre ganho.
- Ah, então aqui nesta sala se encontram os melhores jogadores de xadrez que eu conheço. – Disse sorrindo junto com Carlisle.
Os dois se sentaram um de frente para o outro e começou a organizar o tabuleiro. Peças brancas para , pretas para Carlisle.
- É uma bela biblioteca. – Elogiou Carlisle.
- Aham. Foi o pai da quem montou para ela. Ela gosta muito de ler. – Respondeu colocando as torres nos seus devidos lugares.
- Ele mora aqui?
- Mora.
- Ele está aqui? – Perguntou Carlisle olhando para .
- Não se preocupe. Ele quase nunca está. – Respondeu indiferente sem olhar para ele.
- Não estou preocupado.
levantou a sobrancelha direita ao olhar para Carlisle ironicamente, mesmo rindo. Carlisle se sentiu um adolescente por estar nervoso.
- Tudo bem, Carlisle. Vamos jogar.
- Vamos.
Não houve muitas palavras, porque ali se travara um batalha, ninguém queria se desconcentrar. Torres caíam e cavalos morriam, mas eles não amenizavam o olhar decidido a vencer. Mais alguns minutos se passaram até que Carlisle quebrou o silêncio.
- Cheque Mate. – Disse ele transbordando de alegria.
- Ai, que droga, eu não devia ter arriscado a minha rainha tanto assim. – Comentou amargurada.
- Não, , você é uma ótima jogadora! – Exasperou Carlisle. – Bem melhor que o Emmett. – Acrescentou sorrindo.
sorriu e o clima estava completamente descontraído. É muito fácil sorrir quando está com quem a gente gost.. . interrompeu o pensamento antes que concluísse algo precipitadamente. Carlisle é só alguém legal. Nada mais que isso. Apressou-se a injetar esses pensamentos em sua cabeça.
- Quero que você conheça o meu jogo de xadrez. – Disse Carlisle. – Percebi que você gosta mesmo de jogar. Eu tenho um que eu acho que você vai gostar.
- Você quer que eu vá com você até a sua casa? – Perguntou tentando esclarecer alguns pontos.
- Sim. Por quê? Há algum problema? – Perguntou Carlisle muito rápido. Quase mais rápido do que os ouvidos de podiam assimilar. – Se você não quiser ir não tem probl... – Tentou dizer.
- Não! Tudo bem. Eu vou com você. – apressou-se a dizer arrancando de Carlisle um suspiro de alívio.
- Só precisamos avisar para o Edward. – Disse Carlisle.
- E para . – Acrescentou .
Dessa vez foi Carlisle que se apressou em pegar a mão de para os dois saírem de mãos dadas. Os dois sorriam, mas não admitiriam para si mesmo o motivo.

X.X.X

- Onde você mora, ? Aqui? – Perguntou Edward enquanto sentia o perfume da comida que ele fizera.
- Não. Mas eu moro perto. – Respondeu mexendo devagar nos talheres que estavam na mesa. – A ta querendo que nós venhamos morar aqui com ela. Mas isso é meio...Complicado.
- Complicado? Por quê?
- Porque minha mãe não quer me deixar sair de casa. Ela não entende que eu já sou maior de idade. – Falou gesticulando com as mãos. – Ela diz que eu não tenho juízo. Já com o meu pai a barra ta limpa. Ele até já disse que vai procurar um estágio para mim e para a na empresa dele.
- Vocês estudam? – Perguntou Edward que agora pegara a caixinha de palitos de dentes.
- Sim. Fazemos faculdade. Eu e a fazemos cinema. A faz botânica e a administração.
- Você e a estudam juntas?
- No mesmo prédio, mas não juntas. Até temos algumas aulas juntas, mas não é tudo. – Respondeu , que agora alinhava os copos e os pratos na mesa.
- Vocês são mais ligadas que as outras, não é? – Perguntou Edward escondendo de o que estava fazendo no balcão.
- É. Eu acho que sim. Nós temos um tipo de ligação que as outras não tem. – Explicou a garota semicerrando os olhos como se fosse algo complicado.
- Como assim?
- Não sei explicar. Às vezes nos entendemos só com o olhar. – Quase que lemos os pensamentos. Seria algo a mais. Acrescentou em pensamento.
- Algo a mais? – Perguntou Edward que não olhava para .
- O quê?! – Perguntou completamente confusa. Eu falei isso?! – O que você disse?
- Eu? Nada. – Tentou corrigir o garoto que tinha respondido aos pensamentos de . – Está pronto. Venha ver. – Desconversou Edward.
, que ainda não tinha se dado por satisfeita com aquele mal entendido, se levantou da cadeira a qual sentara e foi para perto de Edward ver o que ele tinha aprontado.
- Que lindo. Onde você aprendeu a fazer isso, Edward? – Perguntou a garota admirando o prato que Edward decorara com muito cuidado. Os palitos sustentavam os warffles formando uma cascata tridimensional banhada em baunilha.
- Fiz um curso. Pela televisão. – Respondeu Edward rindo.
- Você aprende muito rápido! Nunca imaginei que alguém conseguisse aprender alguma coisa com esses cursos. – Riu girando o prato para poder ver por todos os ângulos.
- Obrigado. – Respondeu o garoto passando o dedo na baunilha e melando o rosto de .
A garota arregalou os olhos com a peripécia de Edward e limpou o rosto com o dedo indicador lambendo em seguida.
- Está muito bom. – Disse sorrindo.
- Eu melei seu cabelo, Desculpa. – Disse Edward limpando o cabelo de e a olhando nos olhos castanhos.
deixou suas mãos deslizarem pelo seu próprio corpo até que estivessem estendidos e sem nenhum movimento. Edward se aproximou dela e pôde sentir o seu hálito febril. Num movimento mais rápido, ele encurralou a menina no balcão e pôs as mãos no mesmo, limitando os movimentos dela. não conseguia mexer um só músculo e Edward não desviava o olhar penetrante do dela. Seguiu-se um momento sem nenhum movimento, só respirações enérgicas e o coração de pulsando nas suas têmporas. Edward procurou a aprovação nos olhos da garota e diminuiu a distância entre os dois. fechou os olhos, mas um surto de adrenalina passou pelo seu corpo, fazendo com que seus poderes agissem involuntariamente. Uma cesta de frutas que até então jazia calma em cima da geladeira, caiu no chão fazendo um estrondo que assustou os dois e os separou quase que instantaneamente. Edward olhou para as frutas espalhadas no chão e para que estava realmente com medo agora. Ela tinha medo de que ele desconfiasse dela. E ele não estava entendendo como aquela cesta foi parar no chão.
pensou coisas aleatórias e muito rapidamente, e Edward não conseguiu entender.
- Como foi que isso caiu no chão? – Perguntou Edward por fim.
- Eu não sei...Eu...- tentou falar alguma coisa com coerência. – Deve ter sido o Dean.
- Dean?!
- O gato da . Ele devia estar aí em cima. – Mentiu a garota ainda organizando os pensamentos.
- O gato. Ótimo. – Comentou Edward sem se deixar levar totalmente. Ele não conseguia mais ouvir os pensamentos de . Por quê?
- Edward! – Chamou Carlisle chegando à cozinha. – Eu vou levar a lá em casa.
- Mas o que foi que aconteceu aqui? – Perguntou que vinha atrás de Carlisle em tom de surpresa.
- O Dean derrubou. – Explicou tentando manter contato visual com que ainda olhava para as frutas imóveis no chão.
- O Dean? Mas o Dean está lá em... – Nesse momento olhou para , que estava suplicante. Foi você? Pensou. – Ah...Claro. O Dean adora fazer isso. Um gatinho travesso. – Falou olhando para a amiga e para o Edward.
- Bem, eu vou lá em casa pegar uma coisa para a e ela vai comigo. – Disse Carlisle.
- Já está quase tudo arrumado. Não deixe com fome. – Disse Edward olhando para Carlisle sem expressão.
- Nós não vamos demorar. – Disse Carlisle sorrindo e fazendo Edward rir também, provavelmente com seus pensamentos.
- , onde está a ? – Perguntou .
- Bem, foi no quarto com o Jasper buscar os lápis que o Edward pediu e ainda não voltou. – Falou devagar.
- Humm...Interessante. – Respondeu maliciosa. – Vamos, Carlisle.

X.X.X

e Carlisle estavam na sala de estar dos Cullen, e olhava atentamente todos os detalhes do ambiente. Há muito que ela queria ver aquela casa por dentro. Uma curiosidade a atiçava. Ela observou um quadro na parede cor de creme que chamava atenção na sala quase que completamente branca. O quadro ressaltava quatro homens em trajes antigos. Todos eles muito brancos. achou que um deles se assemelhava a Carlisle, mas não comentou nada. Carlisle pegou pelo braço e a puxou para a sua biblioteca. não conseguiu segurar a sua boca fechada e seu queixo caiu revelando uma surpresa incontestável. A biblioteca dos Cullen era três vezes maior do que a de e a fazia parecer um quartinho de empregados que gostavam de ler. Carlisle sorriu ao ver a expressão de .
- Das duas uma: Ou a vai se sentir super inferior ou ela vai se sentir completamente deslumbrada por esse mar de livros. – Falou arqueando as sobrancelhas.
- Eu espero que ela goste. – Disse Carlisle. – Ela pode vir aqui quando quiser.
- Se como eu imagino, ela esteja se dando bem com o Jasper com certeza ela vai vir aqui. – Riu .
- Com certeza. – Reafirmou Carlisle.
- Sabe, eu e as meninas sempre tivemos curiosidade em saber como essa casa era por dentro.
lembrou de como ela, e faziam planos para usarem os seus poderes e conhecer o espaço interno da casa. E lembrou de como todas às vezes, as convencia de que era uma atitude arriscada, infantil e desnecessária.
- Sério?
- É! A gente ficava imaginando quem seriam os donos dessa casa enorme. – Continuou. – E a gente costumava dizer que era uma casa mal assombrada. – Disse olhando para o chão.
- Assombrada? – Assustou-se Carlisle, mesmo rindo. – Quantos anos vocês tinham para acreditar em coisas como essa?
- Bem, a gente acredita em muitas coisas. Mas nós éramos bem pequenas sim. – Respondeu . – Ainda bem que vocês compraram essa casa agora, matou nossa curiosidade.
- Nós não compramos. – Respondeu Carlisle e continuou quando o olhava questionante. – Não compramos agora, eu quis dizer. Essa casa sempre foi nossa, mas só nos mudamos agora.
- Ah. Entendi. Mas por quê?
- Nós temos casas em outros lugares também. – Explicou Carlisle. – Compramos essa há algum tempo. E resolvemos nos mudar agora.
- Que bom. – Falou rápido demais para que pudesse filtrar as palavras. Sentiu-se vermelha por causa da vergonha que lhe abordara. – Maldita sinceridade. – Reclamou baixinho.
- Gosto de pessoas sinceras. – Argumentou Carlisle sorrindo levemente. – E você é muito espontânea.
- Às vezes essa espontaneidade me atrapalha. – Falou analisando os pés.
- Não atrapalhou ainda. – Consolou.
Carlisle desviou o olhar de , pois percebeu que a garota parecia incomodada. Ele se direcionou a uma mesa de metal que dava um toque de modernidade ao ambiente e chamou .
- Está aqui . Meu jogo de xadrez. – Disse Carlisle apontando um tabuleiro.
- Minha Nossa! É lindo, Carlisle! – Exclamou . – É cristal?
- Sim. Você gostou?
- Se eu gostei? É o jogo de xadrez mais bonito que eu já vi em toda minha vida! – Exasperou-se.
- Que bom. Já faz algum tempo que eu não jogo.
- Me mostre as peças e eu vou ter o prazer de jogar com você. – Insinuou risonha.
- Com todo prazer. – Respondeu Carlisle feliz.
puxou uma cadeira antes que Carlisle fosse cavalheiro e oferecesse a ela. Carlisle riu pela pressa de em sentar-se. Ele se postou atrás da garota, em pé. Os olhos de brilhavam mais do que nunca enquanto ela analisava as peças brilhantes do jogo de xadrez. resolveu pegar uma delas, transparente, e olhou cuidadosamente.
- É uma bela Rainha. – Disse Carlisle ao ver olhar a peça por todos os ângulos.
- Deixou a da sem majestade nenhuma. – Riu a garota pegando outra peça.
Carlisle se aproximou um pouco mais do rosto de , por trás, para poder ver a peça mais de perto. , ao sentir a respiração de Carlisle próximo de sua orelha, ficou completamente imóvel. A coluna de se eriçou e ficou completamente ereta e desconfortável quando Carlisle aspirou o perfume de seus cabelos. Os olhos de Carlisle se fecharam lentamente como que memorizando aquele cheiro adorável. Eles ficaram em silêncio por um bom tempo, sem saber o que fazer. ousou olhar de soslaio o rosto de Carlisle que estava imóvel e perigosamente perto do seu. Talvez, e só talvez, ela não devesse ter feito tal coisa, se quisesse manter seu coração batendo comportado dentro do seu peito já arfante. Não havia distância considerável entre seus rostos naquele momento. Em questão de segundos, os dois, juntos, se renderam de apenas fixar os olhos no rosto do outro e se entrelaçaram em um beijo apaixonado e sedento de calor. Carlisle pegou , que já se levantara da cadeira, pela cintura, apertando o corpo delicado da garota contra o seu. Sem muito sucesso, tentou sair da cadeira sem derrubá-la. O estrondo da cadeira caindo ao chão debilmente não os atrapalhou. As mãos de Carlisle dançavam nas costas de com uma vontade incontrolável de tê-la para sempre tão perto quanto agora. deslizava as mãos na nuca de Carlisle, puxando levemente seus cabelos enquanto o beijo se aprofundava.
Os dois faziam uma dança desgovernada pela biblioteca e Carlisle esbarrou em uma mesa e derrubou três livros fazendo um barulho em nada parecido com o da cadeira, e mesmo assim, nada parecia separar os dois. forçou Carlisle a andar para trás devagar e ele topou com um divã preto, onde provavelmente os Cullen passavam seu tempo lendo. Carlisle sentou-se no divã, puxando para ficar em cima dele enquanto ela largava seus lábios. Ele se deliciou no perfume dos cabelos da garota mais uma vez, ao mesmo tempo em que seus lábios passeavam pelo pescoço dela, a fazendo soltar suspiros descontrolados. As mãos de agora tateavam os braços de Carlisle e desciam, em busca do fim da blusa dele, afim de subi-la.
- Não. Nós não podemos. – Disse que tentava recuperar o fôlego. – É muito cedo. Não há pressa.
- Claro. Não devemos. – Disse ele ao perceber que tinha perdido todo o seu autocontrole. – Você está certa.
se sentou no divã saindo de cima de Carlisle que também procurava se sentar e organizar os cabelos.
- Eu não sei onde eu estava com a cabeça. – Disse olhando para os livros caídos no chão.
- Desculpa. Eu não devia. – Falou Carlisle sentindo-se culpado.
- Não foi culpa sua. Mas nós não fomos longe demais. Fomos? – Perguntou olhando para ele e esperando ansiosa a resposta.
- Não. Claro que não.
- Então significa que ainda temos juízo. Certo?
- Certo. – Carlisle agora ria.
- Tudo bem. Minha mãe não vai poder me matar. O juízo que ela criou ainda mora aqui dentro. – apontou para a própria cabeça sorrindo. – E nós não precisamos ir tão rápido não é?
- Não. Foi só perda de controle. Não vai mais acontecer. – Respondeu ele.
- Ok. Vamos voltar para casa da .
- Vamos, talvez ela esteja sentindo nossa falta.
- Não é muito provável, já que ela não está sozinha. – Riu . – Mas...Mesmo assim, precisamos voltar.
se levantou e Carlisle a seguiu até a porta de saída de sua casa. Os dois se encaminharam para a casa de e já havia se passado da hora do café da manhã. A comida que Edward fizera para elas provavelmente serviria de almoço a essa altura.


Capítulo oito.

- Pensei que vocês não iam voltar mais. – Exclamou ao ver e Carlisle entrando na sala em que ela conversava com Jasper.
- Edward me disse que você foi mostrar uma coisa a , Carlisle. O que você mostrou? – Perguntou Jasper demonstrando uma falsa inocência.
Carlisle soltou um pigarro alto antes de responder. o olhou sem saber o que ele ia falar.
- Meu jogo de xadrez. – Respondeu Carlisle finalmente.
- Ah. Um jogo. Vocês jogaram? – Insistiu Jasper olhando de Carlisle para que ficava cada vez mais vermelha.
- Teoricamente. – Respondeu fazendo abafar um sorriso.
- Onde estão os outros? – Carlisle mudou de assunto.
- Ainda na cozinha. E algo me diz que eu e a não somos bem-vindos lá. – Respondeu Jasper e continuou. – Suponho que vocês também não.
- O que eles estão fazendo? – Perguntou se sentando junto a e agarrando uma almofada branca.
- “Organizando a refeição das meninas”. Palavras de Edward. – Disse tentando imitar o tom de voz do ruivo.
- Ele só nos deixou lhe entregar os benditos lápis coloridos e em seguida insinuou que tínhamos alguma coisa para conversar em outro ambiente. – Disse Jasper.
- Em outras palavras: Nos expulsou de lá. – Continuou .
- E não nos deixou ver a comida. – Completou Jasper.
- Há quanto tempo vocês estão aqui? – Perguntou Carlisle que se sentara ao lado de .
- Meia hora no máximo. – Respondeu Jasper.
- Isso parece uma sala de espera. – Disse cruzando os braços.
- Por que vocês demoraram tanto para pegar uns lápis num quarto? – Alfinetou em tom de vingança.
- Bem, eu não fazia a menor idéia de onde eles estavam. – Respondeu .
- Tivemos que procurar. – Disse Jasper.
- Jasper é um bom ajudante. – Elogiou .
- Ajudante? Quem achou fui eu! – Exclamou Jasper fingindo estar ultrajado.
- Tudo bem, tudo bem. Ele é ótimo em achar coisas. – Rendeu-se . – Ta melhor para você assim?
- Talvez. – Respondeu com desdém.
Todos riram da encenação de Jasper ultrajado e elogiando. Os dois pareciam ignorar o acontecimento desconfortável e tentador que há pouco ocorrera no quarto da garota.
- O que vocês vão fazer esta tarde? – Perguntou Carlisle.
- Nós vamos ao centro da cidade. Vamos fazer compras. – Respondeu .
- É. Precisamos de umas roupas novas. Quando surge a oportunidade, vamos todas juntas. – Disse .
- Bem, dessa vez a não vai. – Corrigiu . – Pelo visto ela e o Emmett não vão voltar nem tão cedo.
- Deve estar sendo bom lá. – Riu . – Mas não tem problema. Ela só vai perder nossas ótimas sugestões. – Disse gesticulando rápido.
- E nossa ida à boate. – lembrou.
- Boate? – Perguntou Jasper unindo as sobrancelhas e olhando para .
- É. Nós vamos saber se ela vai estar aberta no dia do meu aniversário e do da . Vamos todas para lá. – Explicou para Jasper.
- Vocês fazem aniversário perto uma da outra? – Perguntou Carlisle.
- Perto não. No mesmo dia. – Respondeu a garota.
- Vocês nasceram no mesmo dia? – Perguntou Jasper abrindo um pouco mais os olhos.
- Sim. Uma agradável coincidência. – Respondeu sorridente.
- Que interessante. – Comentou Carlisle.
- Então, vamos comprar ingressos para irmos todas para lá. – Disse .
- Quando é o aniversário de vocês? – Perguntou Jasper interessado.
- Faltam quinze dias. – Respondeu prontamente.
- Vocês querem ir? – Perguntou devagar. – Eu acho que não tem problema não é? – Perguntou olhando para .
- Bem, eu me lembro da reivindicar que não levássemos nenhum amigo homem. – Recordou. – Contudo, eu acho que não vai haver problemas se os amigos forem vocês. – Completou sem olhar para Jasper.
- Podemos ir, não é Jazz? – Perguntou Carlisle olhando para Jasper que sorria levemente.
- Claro Carlisle. Eu adoraria ir. – Respondeu ainda olhando para que parecia achar super interessante uma formiga andando no chão.
- Vai ser divertido. – Comentou olhando fixamente para Carlisle.
- Podem vir! – Gritou da cozinha para os outros.
- Até que enfim. – Resmungou baixinho.
Os quatro se levantaram juntos e foram para a cozinha ver finalmente o que Edward e aprontaram juntos. admitiu mentalmente que o cheiro do waffles estava divino. Àquela hora da manhã, ela podia comer bolachas sem manteiga e beber água que provavelmente acharia tudo uma delícia e se sentiria satisfeita. Disfarçadamente soltou a mão de Carlisle quando eles estavam chegando na cozinha. Por enquanto, queria evitar comentários desnecessários. Carlisle entendeu completamente e não se opôs a reação dela. Todos eles não podiam negar que acharam a mesa realmente atrativa. A cascata de waffles estava ao centro e eles também podiam ver os lápis coloridos ao redor dos waffles dando um ar infantil e encantador. O cheiro do café incensara a cozinha deliciosamente e apressou-se a se sentar.
O café da manhã-almoço das meninas correu maravilhosamente bem. Elas conversaram sobre assuntos diversos com os garotos que sempre mantinham um belo sorriso no rosto pálido. Sorriram muito ao imaginar o que e Emmett estavam fazendo de tão bom para demorar tanto. As meninas apenas estranharam quando os outros não quiseram comer, alegando já terem comido e estarem sem fome. Edward e fizeram além dos waffles, um belo almoço repleto de vegetais. fez cara feia, mas comeu enquanto Jasper explicava para que serviam todas aquelas verduras coloridas. e Carlisle trocavam olhares desconfiados e vergonhosos durante a refeição, mas discretos.
Depois da agradável conversa a seis que tiveram, as garotas foram se arrumar para irem ao centro da cidade fazer compras, e os garotos disseram não poder ir porque tinham outras coisas para fazerem, mas que em outra ocasião iriam comprar os ingressos da boate. dirigiu calmamente com ao seu lado no banco do carona e tagarelando no banco traseiro.
-...Então a gente se beijou. – Disse se recordando do acontecimento na biblioteca.
- Vocês o quê?! – Perguntou espantada.
- Não um beijo qualquer, a gente acabou deitados no divã. – Disse sorrindo.
- Meu Deus! O que vocês fizeram? – Perguntou que agora parecia mais assustada que .
- Nada, nada. Foi só um beijo.
- Vocês são loucos. E não beijei ninguém. – Ressaltou .
- Não? – Perguntou .
- Não. Por quê? Você e o Jasper...
- Não! Ele é só um amigo! – Exasperou .
- Amigo, sei. – Ironizou .
- Eu pensei que você e o Edward tivessem se beijado. Teve uma hora que eu senti, lá no quarto, bem....sua adrenalina...sua respiração...sei lá. – Tentou explicar .
- Talvez não tenha sido a adrenalina dela que tenha subido, não é ? O seu amigo Jasper parece ser capaz de fazer isso com você. – Disse em tom de deboche.
- Não fui eu, retardada! – Vociferou . – Não naquela hora. – Concluiu abaixando o tom.
- Fui eu mesmo. – Disse baixinho olhando para frente. – O Edward quase me beijou, mas eu não consegui deixar.
- Você não deixou?! Como é?! Deixou aquele deus grego na mão?! Que vergonha, França! – Exclamou apoiando os braços nos bancos da frente.
- O que aconteceu? – Perguntou calma.
- Descarga de adrenalina. Senti-me uma idiota. Meus poderes foram além da minha vontade. As frutas que estavam em cima da geladeira caíram. – Respondeu ainda em tom baixo.
- Agora eu entendi o Dean. – Falou .
- Ele não desconfiou de nada não é? – Perguntou preocupada.
- Acho que não. Mas...eu tive a impressão...pode ser loucura...mas eu acho que ele ouviu o que eu estava pensando. – Disse franzindo o cenho. – Como o Kirk.
estava lembrando do momento em que ela tivera a impressão de que Edward estava nitidamente respondendo a um pensamento seu.
- É claro que não. – Disse rápido. – É muito difícil duas pessoas terem o mesmo poder, e mesmo assim a Companhia não colocaria mais algum Escolhido perto de nós sem nos avisar.
- É , a tem razão. Isso é impossível. – Concordou .
- Pode ser. Mas em todo caso, por precaução eu bloqueei minha mente. Se ele podia ouvir meus pensamentos, não pode mais. – Disse por fim.
As três garotas se divertiram muito escolhendo as roupas novas que iam usar no dia do aniversário de e . pagou os acessórios das outras duas e disse que era um presente antecipado. Chegaram em casa quando o sol já se punha no fim das suas vistas do céu. Quando entraram em casa viram que não havia chegado ainda. reclamou da demora da menina e disse estar preocupada, mas se prontificou a acalmá-la. A casa dos Cullen permanecia em total silêncio e escuridão. Eles também não tinham voltado ainda dos seus compromissos. e estavam guardando as compras no guarda-roupa de e conversando bobagens quando ouviram o ronco já conhecido do Volvo parar na frente da casa. Desceram todas correndo as escadas para atender a porta antes que pensasse em tocar a campainha. Abriram a porta a tempo de ver Emmett dar um beijo de despedida nos lábios de . abriu um sorriso de orelha a orelha e olhava para com os olhos arregalados. Emmett parecia divertir-se quando acenou para as meninas e entrou com o Volvo na garagem silenciosa dos Cullen. apressou-se a puxar pelo braço assim que pôde fechando a porta atrás delas.
- O que foi que aconteceu? – Perguntou curiosa.
- Isso que você acabou de ver só que mais longo, melhor e mais vezes. – Respondeu sorrindo.
- Conta tudo! – Exigiu .
- Deixa eu entrar em casa e tomar um banho, por que eu to horrível. – Respondeu olhando para a própria roupa. – Você não devia ter deixado eu ir de branco, . Olha só o estado da minha blusa!
- Eu disse que estava tudo ótimo desde que você não rolasse na grama! – Lembrou .
- Pelo menos eu não rolei sozinha. – deu de ombros sorrindo.
- Tem grama até no seu cabelo! Eca! – Disse pegando um tufo de cabelo de repleto de grama. – E areia! Vai tomar banho, .
- Solta meu cabelo que eu vou.
- Você vai ter que contar detalhes depois. – Disse .
- Mínimos detalhes. – Enfatizou .
tomou um banho demorado e as meninas fizeram pipocas para comer enquanto iam assistir a um filme de comédia romântica. e ainda criaram uma briga sobre se a pipoca ia ser doce ou salgada. já tinha se preparado para fazer uma calda de chocolate quando fez um escândalo dizendo que ela ia estragar a pipoca. deu a o resto do brigadeiro que elas tinham comido na noite anterior para evitar qualquer desentendimento maior. surgiu na sala já de pijamas e com os cabelos molhados e devidamente lavados. Não houve muito tempo para ela respirar após ter se sentado na poltrona da sala quando as outras três se viraram para ela esperando o relatório. nem se dera ao trabalho de reclamar por ter usado o seu poder sem necessidade alguma.
- Desembucha. – Disse .
- Ai, que antipática. – Debochou . – Bem, o Emm me levou num jardim, onde as pessoas pulam de asa-delta.
- Emm...Olha a intimidade da garota. – Riu .
- Vocês não pularam não né? Devia estar chovendo. – Disse .
- Não, não. Nós ficamos sentados numa parte coberta ao redor do jardim e perto de um laguinho.
- Ai que lindo! – Disse sonhadora.
- Pois é. Não demorou muito para eu não mais resistir àquele par de olhos. – Lembrou .
- Humm...Entendo completamente. – Disse sorrindo.
- Aí nós nos beijamos. Mas não foi um beijo comum. Eu não conseguia responder por mim. Meu corpo simplesmente não queria desgrudar do dele! – Exclamou . – Ele é tão diferente de todos os outros. Tão...Envolvente.
- Wow! Para você dizer isso, . Você realmente gostou. – Falou .
- Foi fantástico. – fechou os olhos.
- Ai, ta apaixonada! – Riu . – Que bonitinho.
- Vocês já estão namorando? – Perguntou , e parecia acordar naquele exato momento.
- Não sei. – Respondeu triste.
- Não sabe? Como assim? – Perguntou .
- Não sei se ele quer. Talvez tenha sido normal para ele. Ele não tem cara de quem namora, sabe. – parecia sofrer mais a cada palavra pronunciada.
- Talvez ele só precise de tempo para assimilar. – Disse depois de um breve silêncio de todas.
- Eu não quero ficar mantendo esperanças, mas eu não consigo! – Disse . – Ele é tão perfeito.
- Ele gosta de você. Dá para ver nos olhos dele. – acalmou .
- Eu sinceramente espero que sim. Porque se ele não quiser vai ser tudo culpa minha. E eu vou sofrer por causa da minha imaginação fértil idiota. – Reclamou .
- Esquece isso, . Espera ele vir falar com você de novo e vocês conversam sobre isso. – Disse .
- Tudo bem, eu vou me acalmar. Foi tudo muito bom e é isso que importa. – parecia realmente mais feliz. – O que aconteceu por aqui que eu perdi?
- beijou o Carlisle. – Revelou .
- Sério? Como foi? Conta! – Quis saber .
- Foi quente. – Disse maliciosa mesmo ficando vermelha.
- Nossa! Aonde foi?
- Na biblioteca dele.
- Biblioteca é sugestivo. – Gargalhou .
- Eu sei exatamente como os olhos desses garotos Cullen podem ser I-R-R-E-S-I-S-T-Í-V-E-I-S! – Disse se jogando de costas no sofá.
- Só foi ela ou teve mais? – Perguntou olhando de para .
- quase beijou o Edward. – Disse quando viu que nem nem pareciam à vontade para falar sobre o assunto.
- Quase? – Perguntou .
- É. A toupeira aí conseguiu atrapalhar tudo. – Disse revirando os olhos.
- Como?! – Perguntou a erguendo as sobrancelhas.
- Descarga de adrenalina. – Repetiu o que já havia explicado no carro.
- Que chato. Mas e e Jasper? Nada?
- Nada. – Disse olhando para que permanecia imóvel.
- Ele é só um amigo. – Disse imitando a voz de e fazendo uma careta.
- Vamos assistir ao filme, por favor. – Pediu .
- Covarde. - Xingou se virando para a tela da televisão.
As meninas fizeram silêncio e assistiram ao filme que nem era tão engraçado assim. Ficaram reclamando mais de meia hora depois dizendo que o mocinho tinha que ser bonito. Mocinho de filme água-com-açúcar tinha que ter bonito. Todas riram ao imaginar que podiam ver Tom Cruise ou Brad Pitt fazendo o papel principal e ainda assim não os achariam lindos. Os homens mais bonitos que elas podiam achar moravam na casa da frente.
O domingo na casa de foi monótono e calmo. Os Cullen não estavam em casa. Edward, Jasper e Carlisle não tinham voltado da noite anterior e Emmett saíra sem dizer nada a , o que a deixou preocupada.
- Mas a gente não tem nada. Ele pode fazer o que quiser. – Repetia às meninas sempre que tocavam no assunto.
passou o dia fazendo as unhas das outras três, uma por uma, porque queria realmente demorar. Poderia simplesmente fazer todas as unhas de uma vez sem precisar tocar em nenhuma das mãos. Ela se divertia enquanto as amigas reclamavam por ela não pintar direito usando as mãos.
- Você realmente perdeu a prática, . – Reclamou . – Você não acha melhor...
- Não. Eu gosto de me sentir uma pessoa normal às vezes sabia? – Retrucou sorrindo.
se ocupava cuidando dos cabelos das meninas e do próprio, pois teriam uma semana cheia na faculdade e queriam se preocupar cada vez menos com as madeixas. tinha um trabalho para apresentar para uma professora muito rígida na segunda-feira e queria estar com os cabelos perfeitos. Sim, a maldita professora se preocupava até com isso.
- Quando vocês voltam? – Perguntou repartindo o cabelo de em mechas.
- Bem, eu achei que a próxima festa do pijama era na minha casa. – Disse .
Todas as meninas encaravam com as sobrancelhas erguidas e os olhares cheios de intenções.
- Tudo bem, pode ser aqui de novo. – Rendeu-se. – Eu nem queria que fosse lá em casa mesmo. Gosto tanto da sua casa . Tenho que me acostumar com ela não é?
- Exatamente. Um dia vocês vêm morar aqui. Vai ser tão mais fácil. – Disse .
- Isso se a minha mãe deixar. – Retrucou . – Vou pedir para o meu pai falar com ela.
- Todas nós já podemos vir. Eu até falei com a minha mãe ontem no telefone e ela já perguntou quando eu ia me mudar. – Disse . – Às vezes eu acho até que ela quer se livrar de mim: A filha única que atrapalha a relação dos dois lá. – Falou sorrindo alto.
- Que nada. Ela só consegue entender que você tem juízo suficiente para morar fora de casa. Apesar de nem ser tão longe de lá assim. A minha mãe faz um escândalo quando eu toco no assunto. – Reclamou .
- Ela vai te deixar vir um dia, . Relaxa. Até meu pai deixou! Fiquei tão feliz! – Os olhos de brilharam. – Pensei que ele fosse a barreira que eu ia ter que enfrentar. Mas não, ele reclamou um pouquinho, mas disse que se era isso que eu queria ele ia deixar.
- Sua mãe não vai te impedir por muito tempo, . – Acalmou .
- É o que eu espero. – Respondeu ela olhando para o chão.
- Como vai ser a semana de vocês? – Perguntou .
- Eu acho que eu só vou ficar na faculdade pela manhã. As tardes todas em casa. – Respondeu primeiro.
- Sorte a sua. Eu tenho trabalho para apresentar amanhã de tarde para aquela monstra da professora Gibbs. – Reclamou mexendo a cabeça.
- Não mexe a cabeça! – Advertiu . – Mas ela é um monstro mesmo! Ela me deu nota baixa no período passado por um trabalho que eu passei séculos fazendo!
- Obrigada pela injeção de auto-estima, . – Disse irônica.
- Desculpa. Mas você vai se dar bem. Sempre foi melhor que eu nos estudos. – Relatou . – Mas e você, ? Como vai ser sua semana?
- Ah, nada de mais. Vou para a faculdade todas as manhãs. Almoço com o papai na terça e aproveito para mostrar para ele meus dotes administrativos. Ele precisa me dar um estágio. – implorava com o olhar, como se o pai dela estivesse na sua frente. – Mas ele só dá estágio para ‘pessoas esforçadas e competentes’. Eu tenho que pelo menos parecer uma.
- Você é uma, minha querida! Aonde foi parar sua autoconfiança? – Perguntou .
- Ela se esconde quando vê os olhos duros do Senhor Falcão. – Disse gargalhando. – Você vai fazer o que de bom nessa semana, ?
- Tenho uma entrevista de emprego na quarta-feira. – Disse calma.
- Tem o quê? – Perguntou . – Você escondeu isso da gente?
- Eu não escondi, só não tive oportunidade de contar. – Explicou.
- Aposto que para o Carlisle ela contou. – Alfinetou .
- Não, não contei.
- E ela teve tempo de falar? Eles se a-g-a-r-r-a-r-a-m! – Disse fazendo todas sorrirem descontraídas.
- Bem, eu vou trabalhar naquela floricultura enorme do centro que a gente passou ontem. – Explicou depois que todas tinham se recomposto da crise de riso. – Tem um jardim atrás, e eu vou cuidar dele.
- Legal! A primeira de nós a encontrar um emprego! – Disse animada. – Já dá para pagar a feira do mês!
- Pagar sozinha é uma ova! – Reclamou . – O primeiro salário é só lazer. A gente já tinha combinado isso.
- Tudo bem, . só tava brincando. – Apaziguou .
- Isso é tão injusto. – Disse de repente.
- Injusto o quê, criatura? – Perguntou sem entender nada.
- A vai poder ver os Cullen todo santo dia. E nós? Nada.
- Em quinze dias estaremos todas juntas. – Explicou . – Meu aniversário, Lembram?
- Nosso. – Corrigiu .
- Tudo bem. Eu agüento. – Disse .
- Já ta com saudades do Emm, ? – Disse sorrindo marotamente.
- Ah, cala essa boca, ! – Rugiu .
- Opa! Tudo bem. Parei. – levantou as mãos e abanou um guardanapo que estava no seu colo em sinal de rendição. já tinha ficado vermelha.
Quando , e foram para a casa, no carro de , os Cullen ainda não tinham voltado. Já anoitecera e começava a se perguntar se eles voltariam para casa algum dia. Antes do se distanciar da vista de , ela conseguiu ver puxar o cabelo de que estava no banco da frente indignada e ali provavelmente começaria uma briga comum àquelas duas. entrou em casa para tomar banho e organizar as coisas que usaria para ir para a faculdade no outro dia e pensava se ligaria para o pai ou não. Decidiu não ligar, porque provavelmente ele não atenderia. Ela não sabia nem se ele estava no mesmo Estado que ela. Tomou um banho demorado e vestiu uma roupa confortável para assistir televisão até o sono chegar. Programação televisiva de domingo é uma porcaria. Pensou mudando de um canal para o outro sem nem entender nem ao menos o que estava passando na tela. Parou em uma emissora que parecia ter bom senso e estava passando um filme clássico que ela resolveu assistir. Ela já estava completamente entretida nas cenas do filme quando o bipe do seu celular alarmou. Mensagem essa hora? Acho que as meninas chegaram em casa. pegou o celular da mesinha e leu a mensagem: Filha, eu vou chegar em casa amanhã de manhã. Portanto, mocinha, acorde bem cedo. Chego antes de você sair. leu e releu a mensagem inúmeras vezes até conseguir acreditar no que estava escrito. Seu pai realmente voltaria para casa. Um sorriso brotou em seu rosto involuntariamente e ela se sentiu bem mais leve depois daquilo.
já tinha decidido ir dormir antes de terminar o filme, que antes ela parecia empolgada em assistir, só para acordar cedo e descansada no outro dia, quando sua campainha tocou.
- Talvez seja um pouco tarde para eu aparecer por aqui. Mas é que só conseguimos chegar agora. Eu trouxe um filme que acho que vocês vão gostar. – Disse Jasper sorrindo amarelo para .
- Oi Jasper! – abriu um sorriso enorme ao rever o garoto. – Ah...As meninas já foram para casa.
- Poxa, que chato. Se você quiser eu posso voltar amanhã. Você parece com sono. – Retrucou.
- Não! – Disse um pouco alto demais, fazendo Jasper sorrir. – Você pode assistir comigo, quero dizer, se você quiser, não precisa se não quiser. – Se enrolou nas palavras.
- Eu quero. – Disse Jasper simplesmente. – Posso entrar?
abriu um pouco mais a porta e levou Jasper até a sala em que antes assistia seu filme clássico. Pegou o filme da mão de Jasper evitando tocá-la, ela não gostara da reação que tivera quando tocou na mão dele antes. Sentaram-se juntos no sofá e não se passou muito tempo para que eles começassem a tagarelar e não prestar mais tanta atenção ao filme. contou a Jasper sobre a mensagem do pai há pouco recebida e Jasper parecia compartilhar de sua alegria. Jasper disse à menina que tinha passado um tempo na casa de um antigo amigo de seu pai, e ele os convenceu de dormir por lá. Jasper comentou sobre uma garota chamada Tônia, que era filha do amigo de Carlisle e imediatamente não simpatizou muito com a garota, mas não deixou transparecer para Jasper, pelo menos não por palavras. Mas não podia esconder a repulsa que sentia, não para ele.
insistiu que Jasper comesse alguma coisa durante o filme, mas ele recusou veementemente até que ela desistisse. O filme acabou mais rápido do que eles podiam imaginar e Jasper se levantou para ir embora. Eles não tinham prestado atenção a uma vírgula sequer do filme e sorriram ao perceber isso.
- A melhor parte desse filme foi... – Começou .
- Os créditos. – Completou Jasper. – Pelo menos foi a única parte que você me deixou prestar atenção.
- Ah! Agora a culpa é minha por você não ter prestado atenção ao filme?! – Perguntou colocando as mãos na cintura.
- Bem... – Começou. – Sim. Completamente.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. As mãos de não conseguiram se segurar por mais muito tempo firmes na cintura curvilínea e penderam levemente. Jasper estava decidido a prender o olhar de no seu. Como ele consegue fazer isso? Pensava na mesma velocidade de seus batimentos cardíacos. Um nó se formou na garganta de Jasper enquanto ele tentava engolir uma quantidade maior de saliva em sua boca. Ele deu um passo quase que imperceptível na direção da garota que não conseguiu fazer nada além de piscar os olhos e deixar uma grande baforada de seu hálito doce escapar de seus pulmões sem que ela autorizasse.
- Acho que já está muito tarde. – Disse quando a distância do seu rosto para o de Jasper era incrivelmente pequena.
- Claro. Você precisa acordar cedo amanhã. Faculdade. – Disse ele mesmo diminuindo a distância dos lábios trêmulos da garota.
- Você também. Faculdade de Psicologia exige calma e controle. – Disse ela sem se dar conta de que não conseguia dar um passo para longe dele.
- Tudo bem. Eu vou embora. – Disse ele tão perto dela que seus lábios chegaram a roçar os dela nas últimas palavras. E antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, se afastar dele ou enroscar as mãos em sua nuca, ele se afastou. Permitiu que ela respirasse.
acompanhou Jasper até a porta e se despediu dele com um breve sorriso, sem contatos físicos. Jasper se direcionou a casa dos Cullen, que agora estava completamente iluminada, sorrindo abertamente. fechou a porta atrás de si e se permitiu refletir sobre o acontecido e sorrir descontrolada. Deitou-se na cama, e o sono a atacou depois de alguns minutos.
teve um sono movimentado e sonhou com coisas que não faziam sentido algum. Sonhou que estava em uma viela à noite, e não haviam pessoas a vista. Dobrando uma esquina ela conseguiu ver um garoto cavalgando sozinho de encontro com o nada. Ela sentiu necessidade de seguí-lo e se esgueirou pelas paredes imundas daquela rua mal iluminada. Mais uma esquina dobrada e ela reparou que o garoto conversava com três lindas mulheres com vestidos brancos. Não conseguiu ouvir uma palavra do que eles diziam, porque estava muito longe, e reparou que alguma coisa vinha em direção a eles muito rápido. Um rio de sangue invadiu a rua inundando todos que nela estavam. gritou para que o garoto corresse, mas ele já havia sido consumido pelo sangue que não conseguiu chegar em antes que ela acordasse com o rosto quente pelas lágrimas que nele desciam incontroladas.
A menina secou as lágrimas e olhou a hora em seu celular. Já era hora de levantar. Depois de lavar o rosto, desceu e foi tomar seu café da manhã e se assustou quando viu que a mesa já estava posta. Sentiu o cheiro de café invadir suas narinas. Apressou o passo até chegar à cozinha.
- Bom dia. – Um sorriso brotou em seu rosto.


Capítulo nove.

correu e arremessou os braços em torno do pescoço do homem que segurava um prato com ovos mexidos na mão direita.
- Pai! Você chegou há muito tempo?
- Não muito. Só deu tempo de preparar o seu café da manhã. Nem troquei de roupa ainda. – Disse mostrando um avental em cima da sua camisa azul engravatada.
sorriu ao ver que o pai estava realmente preparando alguma coisa para ela comer. Ela se sentou na cadeira abraçando os joelhos e pegando uma torrada da mesa começou:
- Então, onde o senhor estava? – Perguntou tomando um pouco do suco de laranja que tinha posto em seu copo.
- Tóquio. – Respondeu Ben como se fosse uma coisa normal.
- Onde?! – Exclamou parando imediatamente de comer.
- Tóquio. Capital do Japão. Não conhece? – Perguntou olhando sorridente para .
- Eu sei onde fica Tóquio, pai. Mas o que diabos o senhor estava fazendo lá?
- Trabalhando. Ora essa! Acha que eu estava de turista num país com pessoas iguais?! – Perguntou indignado.
- Eu não estou dizendo isso. – Apaziguou a garota ao ver o olhar severo do pai. – É só que... É tão longe.
- Eu sei.
- Mas o que importa é que você está de volta.
- Não por muito tempo. – Disse Ben voltando-se para o balcão.
- Como é? Você vai viajar de novo? – Perguntou encarando a nuca do pai.
- Vão ser só dezessete dias. E é no Canadá. É bem perto. – Tentou explicar ainda olhando para o balcão.
- Quando você vai? – Perguntou sabendo que não fazia sentido algum brigar com seu pai.
- Hoje. – Disse rápido.
- Você não vai estar aqui no dia do meu aniversário? – Perguntou a garota visivelmente triste.
- Eu vou fazer de tudo para voltar. Eu prometo, querida. – Ben se posicionou ao lado da filha que estava preste a chorar. – Você sabe que eu preciso fazer isso. O idiota do Burnes não me promove se eu não fizer todas as viagens que ele me enfia goela abaixo. Tente entender, meu amor. Eu não gosto de ficar longe de você, mas eu não posso parar de trabalhar.
- Você sempre diz isso, pai. Estou farta. – Uma lágrima solitária rolou na bochecha de .
- Não gosto de ver você chorar. Você é muito forte, eu sei disso. Você agüenta. Eu prometo que vou fazer de tudo para voltar a tempo do seu aniversário. – Disse ele enxugando mais uma lágrima desobediente no rosto da filha.
- Tudo bem. Está tudo bem. Eu preciso ir. Vou me atrasar para a faculdade. – Disse se levantando da cadeira.
- Você não vai comer? – Perguntou ainda esperançoso.
- Perdi a fome. – Disse a garota já aos pés da escada. – Não posso me atrasar.
subiu correndo as escadas e pegou sua bolsa e seus cadernos o mais rápido que pôde. Escovou os dentes e se olhou no espelho. Vendo seus olhos vermelhos e o nariz também, resolveu perder mais alguns minutos se maquiando. Uma maquiagem bem leve, para que não houvesse comentários, ela não gostava de se maquiar. Saiu do banheiro e, ao topo da escada, respirou fundo e desceu. Olhou para a cozinha e viu que seu pai não estava mais lá. Não era normal ela sair sem se despedir dele, mas ela estava magoada demais para procurá-lo. Foi em direção a porta empunhando as chaves quando viu um carro estacionado na sua garagem. Observou o belo carro preto e viu seu pai se aproximar dela.
- De onde saiu esse carro, pai? – Perguntou a garota analisando a traseira do carro. – É um Mercedes?!
- Não é muito novo. Mas você gostou?
- Ele é lindo! Mas, Por quê? – Perguntou desconfiada.
- É seu. – Disse Ben revelando as chaves para a garota que o olhava com a boca aberta de surpresa. – Presente de aniversário antecipado.
- Caracas! – Disse pegando do pai as chaves. – Onde o senhor conseguiu dinheiro para comprar esse carro, pai? Que eu saiba, a ordem era economizar. Você não me disse nada.
- Se eu dissesse que não precisávamos necessariamente economizar, você daria um jeito de me deixar pobre. – Explicou o pai muito risonho.
- Minha Nossa! É fantástico! Brilhante! Obrigada, pai! – Agradeceu esfuziantemente pulando no pescoço do pai. Toda sua mágoa parecia ter sido varrida para debaixo do tapete. – Eu preciso contar para o Jasper.
- Contar pra quem? – Perguntou o pai sem entender.
- O Jasper. Ele se mudou agora com a família para o casarão aí da frente.
- Ah, claro. Os donos do Volvo e do Porshe parados na garagem nada discreta deles. – Falou erguendo uma sobrancelha. – Humilharam seu simpático Mercedes.
- Tem um Porshe lá? – Perguntou incrédula.
- Vermelho. Parece que eles gostam de carros.
- Fantástico. – Comentou deslumbrada.
- Já não precisa mais reclamar que tem que ir todo dia de ônibus para a faculdade. – Animou-se o pai. – Agora acho que você tem que ir, mesmo. Não se atrase.
- Eu ainda vou te ver hoje?
- Receio que não. Eu já vou arrumar as malas quando subir. O vôo sai as 10:45. – Explicou. Teve que continuar ao ver o sorriso da filha se desfazer. – Prometo ligar para você assim que puder, minha princesa.
sorriu para ele como se dissesse você nunca pode e lhe deu um beijo na bochecha. Entrou no carro e saiu de casa pela porta que seu pai tinha aberto. Já estava feliz apesar de saber que não teria um dia muito empolgante.
A segunda, terça e quarta de se passaram sem nenhum acontecimento majestoso ou relevante. Jasper, Emmett e Edward passavam boa parte da tarde com ela, conversando e assistindo diversos filmes. descobriu que todos os Cullen faziam psicologia, e que Carlisle era médico. Ele arrumara um emprego no centro da cidade e ficava todo o dia lá. Na quinta-feira à noite, recebeu uma mensagem de que dizia: Estou sozinha em casa, Senhorita Tempo. Sorrindo e aproveitando que nenhum dos Cullen tinha ido a sua casa até o presente momento, ela se teletransportou rápido para o quarto de . A garota estava sentada na cama com uma cara de tédio.
- Você demorou. – Disse secamente para .
- Eu ainda tenho direito de tomar banho.
- Podia fazer isso sem demorar nadinha para mim. – Desafiou .
- Não sem necessidade. – Disse , e revirou os olhos.
- Muitas novidades. – Começou .
- Eu sou toda ouvidos. Conte tudo. – se sentou na cama com .
- conseguiu o emprego na floricultura.
- Que ótimo! Quando ela começa a trabalhar? – Perguntou.
- Começou hoje. E você não vai acreditar.
- O quê? Que ninguém me conta mais nada? Não, isso eu já acredito. – Irritou-se .
- Deixa de frescura. Eu não to contando? – ignorou a cara amarrada de e continuou. – O Carlisle é médico.
- Eu sei.
- Como você sabe? – quis saber.
- Jasper me disse. – deu de ombros.
- Vocês se falaram? – arregalou os olhos.
- Claro! Ele vai lá em casa todo dia. – Explicou a como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Alô! Ele mora na frente da minha casa, é normal que amigos se vejam, não é?
- Ah, esqueci. Ele é seu amigo. – Ironizou .
- Não vou discutir. – Disse . – Mas o que tem de mais em o Carlisle ser médico?
- Ah! Sim, ele trabalha no hospital na frente da floricultura em que trabalha. – Esclareceu.
- Nossa! Isso que é coincidência!
- Coincidências não existem. Isso é destino. – falou com voz de sábia. – Mas o fato é que ela ta super feliz.
- Eles vão namorar ou coisa parecida?
- Sei lá. Mas não rolou nada hoje não. – Disse . – Falando em namorar e coisa parecida, tava super angustiada porque o querido Emmett não tinha nem ligado para ela.
- Mas ele foi buscar ela na faculdade ontem, não foi? – Perguntou .
- Sei lá. Foi? – não parecia entender por que perguntava aquilo.
- Eu acho que sim. Ele simplesmente não pára de falar nela. Parece um disco arranhado. Quando chega lá em casa, a primeira coisa que pergunta é: Você teve notícias da ? sorriu ao lembrar do olhar de angústia de Emmett sempre que ela balançava a cabeça negativamente. – Jasper me disse que ele pretendia buscar ela na faculdade ontem.
- Minha Nossa! Você está realmente por dentro dos assuntos. Os Cullen agora moram com você é?
- Não, mas eles passam toda tarde lá. Só não foram hoje.
- Todos eles? – perguntou devagar.
- Sim, o Edward também. – respondeu à pergunta implícita. – Mas o Carlisle trabalha, nós não nos vemos muito.
- Mas que droga! Eu concordo com a . Isso é injusto! Você vê o...quer dizer...todos eles, todos os dias! – explodiu. – Mas não por muito tempo. – parecia lembrar de alguma coisa.
- O quê? Você ta me escondendo alguma coisa. – se adiantou a dizer.
- Minha mãe me deixou morar com você e as meninas!
- Wow! Nem acredito! Sério?! – Perguntou ao ver o largo sorriso de .
- É sério! Ela disse que é presente de aniversário. Que depois dos dezenove eu posso ir. – ainda sorria se lembrando da mãe lhe dizendo isso.
“Por favor, filha. Tome cuidado. Eu vou deixar você ir, mas um pedaço de mim vai com você. Tenha cuidado. O seu pai acha que você já é madura o suficiente para viver com as amigas, mas para mim você vai ser sempre minha criancinha. – E beijou a testa de antes de lhe puxar para um abraço caloroso. – Você vai passar por uma fase de teste, se quiser voltar as portas da casa da mamãe vão estar sempre abertas para você, querida.”
- Perfeito. Vai ser uma nova fase da nossa vida. – Disse . – Ah, claro, como eu ia me esquecer. Falando em presentes de aniversário, eu ganhei um Mercedes.
- Ganhou o quê?! – Perguntou incrédula.
- O meu pai apareceu lá em casa na segunda-feira – não por muito tempo, lógico -, e me deu um Mercedes de presente de aniversário!
- Não acredito! Agora você tem um carro! Isso é maravilhoso! – Disse sonhadora.
- Você não imagina minha cara de boba quando ele me entregou as chaves. – Lembrou .
- Imagino sim. Seria a mesma que eu faria. – Riu .
- E o Jasper comprou um Porshe.
- Aqueles garotos gostam mesmo de carro viu!
- Com certeza. Aquele Porshe é simplesmente perfeito. – Disse .
- Prefiro o Volvo do ruivo. – sorriu.
- Isso porque você não viu o Jasper dentro do carro. Ele parece que nasceu para viver ali dentro. – lembrou do olhar de Jasper dentro do carro direcionando a ela. Um olhar incrivelmente convidativo, e abanou a cabeça afastando o pensamento.
- Eu queria mesmo ir nesse final de semana para sua casa. Mas só vai dar para ir no próximo. Mas também eu vou de mala e cuia! – Disse comicamente fazendo cair na gargalhada.
- Não vejo a hora. Nosso aniversário ta chegando, . Vamos ficar mais velhas, e vão nascer rugas na gente. – Aterrorizou .
- De jeito nenhum! – fez sinal de cruz com os dedos. – A velhice ta longe, criatura!
As meninas sorriram juntas e disse que precisava voltar para casa. Não sabia se os Cullen iam passar na casa dela à noite. Não queria perder a oportunidade de conversar com todos eles. Sempre era muito agradável. E Emmett sempre encontrava algum jeito de fazer Jasper ficar com raiva e de todos sorrirem da situação. Já era tarde, e ela precisava dormir para acordar bem, porque ainda tinha faculdade no outro dia. Seria o dia em que ela e teriam aulas juntas. não sabia o que faria do seu final de semana. Mas provavelmente estaria muito ocupada estudando para as provas e finalizando trabalhos. Ela apresentaria alguns seminários importantes para professores muito críticos.
Chegando em casa, correu para a varanda para ver se os Cullen estavam em casa. A iluminação nada discreta dizia que sim. analisou com minúcia os dois carros parados na garagem ampla. Imaginou como tinha sido a tarde de na quarta-feira com Emmett. Qual seria sua surpresa ao ver o moreno plantado na frente da entrada da sua faculdade com um sorriso lindo nos lábios. Ela ficou pensando em que carro Emmett foi, porque agora havia dois carros deslumbrantes a disposição. Algo a dizia que ele tinha ido no Volvo, porque Jasper não tinha cara de que emprestaria seu carro, não para Emmett.
Esperou ainda algumas horas até que perdeu as esperanças de encontrar os Cullen e foi dormir.

X.X.X

- Jura que eu posso? – Perguntou pela milésima vez.
- Pode, querida. Mas não vá comprar o mais caro. Não exagere pelo menos uma vez. – Disse Ben pacientemente.
- Pai, eu te amo. – Agradeceu risonha ao telefone.
- Não exagere no preço, por favor. – Recomendou mais uma vez o pai ao perceber a total felicidade da filha.
- Tudo bem, pai. Eu não sou exagerada. Qual foi a última vez que eu comprei alguma coisa sem pesquisar? Tudo bem, não responda. – Riu a menina. – Ta nevando aí?
- Não. Mas está muito frio. Esse quarto tem uma bela vista. Queria que você visse. – Revelou o pai.
- Você tem que fazer mais viagens me levando junto pai, sério. – Comentou a garota e logo ouviu a campainha tocar. – Pai, vou ter que desligar. Tem alguém na porta. – Disse já sabendo quem era.
- Tudo bem. Não vai demorar muito para o imbecil do Burnes ligar para encher minha paciência. – Disse o pai. – Não durma tarde.
- Tudo bem. Beijo, pai. Te amo.
- Beijo. Boa noite. – Disse o pai, e já sabia da dificuldade dele em dizer ‘eu te amo’.
desligou o celular e o jogou na cama, correndo para atender a campainha. Puxou um pouco o short para baixo, ele parecia muito curto. Jogou os cabelos para trás e de novo para frente, a fim de alinhá-los. Abriu a porta.
- Cheguei cedo? – Perguntou Jasper.
- Não. Chegou na hora. – Riu a garota. – Entre.
Jasper acompanhou a garota saltitante até a sala de vídeo onde eles tinham assistido o primeiro filme juntos. correu até o quarto e voltou trazendo um note book branco embaixo do braço. Ela sentou ao lado de Jasper no sofá e abriu o note book.
- Eu nem acreditava que meu pai ia mesmo deixar. – Comentou ela sorridente olhando para a tela.
- Eu sabia que ele ia deixar. Ele te deu um Mercedes afinal não é? – Jasper olhou diretamente para , mas não encontrou seu olhar. Ela continuava vidrada na tela do computador movendo freneticamente o dedo indicador no sensor. – O que seria um novo sistema de som para essa sala comparado ao Mercedes?
- Sei lá. Eu fiquei na dúvida. – Respondeu ela sincera. – Achei!
- Não exagera no preço. – Recomendou o garoto ao ver os diversos preços grudados na tela.
- Ai Jazz, ta parecendo meu pai. Ele disse a mesma coisa. Eu não vou deixar ele pobre. – Reclamou a garota analisando a qualidade dos produtos.
- Seus olhos estão brilhando. Você tem cara de que vai exagerar sim, mocinha. – Disse olhando para ela.
desviou os olhos da tela do note book e fixou seu olhar mais repreendedor para ele. Sentiu-se estremecer ao ver de novo a força que os olhos do garoto tinha sobre ela, mas manteve-se firme.
- Eu não vou exagerar. – Disse pausadamente forçando-se a não piscar os olhos.
Jasper olhou por mais alguns centésimos de segundos e depois abriu um largo sorriso, deixando-a surpresa.
- O quê? Do que você está rindo? – Perguntou ela.
- De você. – Respondeu o garoto ainda sorrindo. – Esse seu olhar é mesmo ameaçador sabia?
- Então por que você riu? Se é tão ameaçador você devia estar com medo, não? – ergueu uma sobrancelha.
- Eu sei. Mas é que eu não tenho medo de você. Você parece indefesa perto de mim. Só isso. – Disse ele parando de rir, mas ainda divertido.
- Indefesa?! Eu nunca fui indefesa, Jazz. – Revelou a garota realmente sendo verdadeira.
- Não é tão ameaçadora perto de mim. – Disse Jasper simplesmente.
- Por quê?
- Ah, vamos deixar isso para lá. – Quis mudar de assunto sabendo no seu âmago que não podia revelar o verdadeiro motivo para parecer tão indefesa. Mas ele realmente queria poder contar. – Continue a pesquisar.
voltou a atenção para os preços ainda não convencida de, pela primeira vez na vida, parecer indefesa. Ele realmente não sabia do que ela era capaz. Ele é só um humano, e eu sou uma aberração. Uma aberração nada indefesa. Se ele soubesse...Pensou a garota clicando em um dos produtos.
- Você não acha que esse é muito caro? – Perguntou ele cauteloso.
- Meu pai pode pagar. – Respondeu simplesmente.
- Ele disse... – Começou Jasper.
- Você realmente veio aqui para me ajudar ou para me encher o saco? – Perguntou a garota indignada.
- Ora essa! Eu estou tentando ajudar, mas se você não quiser eu vou embora. – Disse ele um pouco alto.
- Não se atreva! Eu te aluguei e quero você aqui. – Disse com autoridade.
- Me alugou? Como assim? Pagou a quem? – Perguntou rápido.
- Ao Emmett. – Riu .
- Eu vou matar o Emmett! Quem aquele imbecil ta pensando que é? – Vociferou Jasper se levantando.
- Calma, Jazz. Eu to brincando. Sabia que você ia acreditar se eu disse que tinha sido o Emmett. – Riu a garota olhando o olhar furioso de Jasper. – É tão ruim assim ficar na minha companhia e me ajudar? – Suplicou.
- Claro que não! – Disse instantaneamente. – É só que eu pretendo estar sempre por vontade própria. Ninguém precisa me obrigar a ficar com você.
olhou para Jasper brevemente e viu seus olhos amaciarem lentamente. A garota sentiu o conhecido formigamento nos pés quando estava ao lado de Jasper sem falar nada e o olhando fixamente. Olhou rapidamente para a tela do computador.
- Acho que esse ta bom. Você não acha? – Perguntou clicando em um produto.
- Acho. – Disse rápido. – Pelo menos não é tão caro. – Riu. – E tem dois Sub woofer.
- Então eu vou comprar. – Concluiu preenchendo os dados na página. – Droga! – Exclamou de repente.
- O que foi?
- Eles vão entregar na terça-feira à tarde. – Revelou desgostosa.
- E o que tem isso? – Perguntou Jasper sem entender.
- Eu vou estar apresentando um trabalho. Não vai ter ninguém em casa.
- Eu também vou estar na faculdade. – Lamentou o garoto. – Você podia pedir para o Edward ficar plantado aqui esperando. – Sugeriu.
- Não. Não posso fazer isso. Não com ele.
- O quê que tem? Quer que eu peça?
- Não, Jazz. Ele até pode vir. Mas eu já sei a quem eu vou pedir. – Disse .

X.X.X

- Você pode vir? – Perguntou suplicante. – Por favor. Eles não entregam em outro dia.
- Eu vou ficar na sua casa sozinha a tarde toda? – Perguntou .
- Pode chamar o Edward para te fazer companhia. Mas você tem que vir. Por favor.
- O que eu não faço por você não é? – Rendeu-se sorrindo.
- Que bom! Você pode assistir a uns filmes aqui. E quando chegar o novo sistema de som, você pode se aventurar e tentar instalar para o filme ficar mais real. – Animou-se .
- Tudo bem . Quando você me dá as chaves?
- Hoje é domingo. Você não está sozinha? Eu podia passar aí depois de fazer as cópias.
- Ótimo. Acho que depois das nove ninguém vai estar em casa. Vou dormir sozinha hoje. Segundo a minha mãe, por causa da minha cabeça dura. – Riu e continuou. – Toda minha família vai para um jantar na casa da minha tia Nina, mas eu me recusei a ir. Esse negócio de família toda junta não é para mim. E mais que a minha tia ia lembrar de novo que eu não pareço nem com a minha mãe e nem com meu pai. E minha mãe ia ficar com aquela cara de paisagem que ela faz quando minha tia começa com esse assunto.
- Você é a ovelha negra, . Entenda. – Alfinetou .
- Nem vem! Você faria a mesma coisa!
- Só que a gente é muito igual, então não conta. – Explicou . – E eu não tenho uma família tão grande assim.
- Sorte a sua. – Reclamou .
- Não diga isso. Sua família é muito legal.
- Vamos trocar de lugar então. – Sugeriu risonha.
- Boba. – Disse mesmo sorrindo. – Então me liga quando eu puder ir.
- Ok.


Capítulo dez.

Ótimo. Terça-feira, meio-dia. Eu tenho que voltar sozinha e de ônibus para casa. Perfeito. E ainda vou ter que ficar montando guarda na casa da por causa daquele maldito sistema de som. Melhor não podia estar. Reclamava a cada ônibus que passava e não era o dela. Ela estava sozinha no ponto de ônibus na frente da faculdade de cinema e equilibrava nas mãos os seus livros e um guarda-chuva, sempre estava chovendo naquele lugar. Tinha que ir correndo para casa e logo em seguida ir para a casa de . Retirou da bolsa as cópias das chaves da sua futura casa, que lhe dera no domingo. Muitos chaveiros, isso é bem a cara dela. Ficou realmente feliz ao avistar o ônibus que a levaria embora daquele lugar. Ao menos ela ia poder sentar. Não, como eu poderia ter essa pretensão? É lógico que eu tinha que ir em pé. O mau humor de estava claramente aumentando, todos os assentos estavam ocupados.
Chegou em casa cansada, extremamente cansada. Permitiu-se atirar de costas no sofá da sala. Tirou os sapatos. Se eu não tivesse prometido a , juro que ia dormir a tarde toda. Banho, eu preciso de um banho. comeu pouco, não estava realmente com fome. Não podia ficar muito mais tempo em casa. Precisava ir logo. O ônibus para a casa de demorou tempo suficiente para bufar milhões de vezes e quase desistir, mas pelo menos ela pôde ir sentada.
A casa de estava realmente silenciosa. carregou uma bolsa que trouxera para o quarto da garota. Passou um tempo lendo o quadro rabiscado na parede da garota. Percebeu a nova assinatura com uma caligrafia fina e elegante. “Bem, primeira vez que eu entro aqui, e demorei realmente muito tempo! Ao menos encontramos o que procurávamos. O que vamos procurar agora? Beijos, Jasper Cullen”. Ele é meu amigo, sei. O que vocês vão procurar, Jasper, eu não faço a mínima idéia, mas não vai ser lápis coloridos. Pensou rindo ao ler o recado. A garota saiu do quarto da amiga ainda com um sorriso na face e se direcionou ao que futuramente seria seu ateliê. Mandara guardar todas as suas telas num cômodo que mais parecia um depósito. Havia poucas telas e poucas tintas, mas daria para passar o tempo. Pegou uns pincéis e misturou algumas tintas para usar. Colocou seu avental surrado e prendeu os cabelos no topo da cabeça.
Alguns minutos ou talvez horas se passaram, não percebia o tempo se passar quando estava praticando seu hobby preferido. Já estava muito suja de tinta quando um som conhecido invadiu seus tímpanos. A campainha, deve ser o som. Nossa, será que eu to muito suja? Quem se importa? É só um entregador. correu para a porta sem se dar ao trabalho de tirar o avental melado de tinta. Abriu a porta num ímpeto e se deparou com um garoto.
- Oi. O Jasper me disse que você ia estar sozinha aqui esperando o tal sistema de som da . Eu resolvi te fazer companhia. Fiz mal? – Perguntou Edward inseguro ao ver a surpresa na face ruborizada da garota.
- Edward. Não, você não fez mal algum. Estar sozinha não é muito legal mesmo. – Riu a garota deixando Edward entrar.
- Você estava pintando? – Perguntou o garoto ao ver o estado de e apontando para o avental.
- Ah, droga. – Disse tirando rápido o avental. – Eu estava. Só para passar o tempo.
- Não precisa tirar. Gosto de pintura. Você pode me mostrar suas obras? Ou é segredo? – Perguntou cauteloso.
- Obras? Não, não. São só telas, é só um hobby. Fiz a guardar algumas telas para eu poder pintar aqui também. É um lugar inspirador, o cheiro de terra molhada e grama recém cortada me dá vontade de pintar sabe. – Disse aspirando o perfume natural do ambiente e vendo Edward sorrir e concordar. – Venha, eu vou lhe mostrar minhas humildes telas. Não vá esperando grande coisa.
Edward acompanhou até o ateliê e se surpreendeu com as telas multicoloridas que a garota costumava pintar. Observou um quadro encostado na parede que mostrava um velhote sentado numa cadeira de madeira rústica na frente de uma casinha simples com portas e janelas azuis. Tudo ao redor da casa era relva com flores silvestres. O velho cochilava de cabeça baixa e um jornal pendia de sua mão que quase tocava o chão.
- Ele devia estar muito confortável. O perfume do lugar parece perfeito. E ele dorme tão tranqüilo. – Comentou Edward.
- Foi exatamente o que eu pensei quando o pintei. Imagina a vida maravilhosa que ele teve vivendo nesse lugar. – Respondeu a garota sonhadora.
- É um lugar fantástico. Existe? – Perguntou olhando da tela para a garota.
- Acho que não. Surgiu em minha mente. – Explicou.
- Entendo. Você tem uma mente fascinante, então. Mas me mostre o que você estava pintando até que eu te atrapalhei. – Disse com um sorriso leve nos lábios gélidos.
- Está aqui. Não está terminado, mas é um lugar especial para mim.
- Então esse existe? – Perguntou Edward olhando para a tela inacabada.
- Sim. E não fica muito longe daqui. – Esclareceu enquanto Edward analisava os traços.
- Acho que nunca vi esse lugar. É uma cachoeira, certo?
- Sim. Uma cachoeira adorável. Eu ia muito quando criança. Minha mãe me levava junto com as meninas. Boas lembranças. – Disse nostálgica.
O esboço mostrava claramente uma cachoeira com uma queda não muito alta. Perto dela jazia uma macieira volumosa e pomposa. O verde da grama se misturava com a terra molhada. Muitas pegadas pequenas foram traçadas nas margens da cachoeira.
- Essas pegadas são... – Começou Edward.
- Meus pés e os das garotas. Eu pretendo pendurar esse quadro quando eu terminar na parede da sala. O que você acha? – Perguntou insegura.
- Fantástico. Você devia mostrar mais os seus quadros. Eles são incríveis. – Disse entusiasmado. – É sério! – Completou ao ver o olhar incrédulo da menina. – Eu gostei muito desses.
- Sério? Eu realmente acho que eu poderia melhorar. – Falou a garota com ar de crítico. – Sabe, eu não tenho todas as cores do mundo, então... Fica difícil de atingir o tom certo das imagens. A variedade de cores é realmente muito importante. Eu preciso aprender a misturar as cores nas medidas certas, para obter as cores perfeitas. Eu não sei fazer isso. Eu acho que eu tenho que melhorar muito ainda.
- Se você melhorar ficaria além da perfeição. – Disse olhando os olhos críticos de que ainda observavam a tela procurando imperfeições. – Perfeito já está. Não seria mais uma humana normal pintando. – Riu. Ao ouvir aquilo arregalou os olhos. Humana? Normal? Edward não sabia do que estava falando.
- Eu sou normal, Edward! – Apressou-se a dizer.
- Eu sei que sim. Apesar de ser tão imprevisível. – Comentou ao notar que não mais ouvia os pensamentos de . Absolutamente nada.
- Imprevisível? – Questionou.
- É. Bem...Você tem se tornado completamente impossível de entender para mim de uns tempos para cá. – Tentou explicar.
- Difícil de entender...Edward, você que está sendo imprevisível aqui. O que tem de implícito em mim? Em que exatamente eu mudei desde que te conheci? – Perguntou a garota semicerrando os olhos interrogativa.
- Não sei. Sua mente...Ah! Não sei. Deixa para lá. – Abandonou o assunto desviando do olhar persuasivo de que permanecia desconfiada.
O telefone de tocou fazendo ela lembrar de que precisava respirar de vez em quando. Ela levou a mão à mesa em que estava o celular vibrando e tocando uma musica conhecida aos seus ouvidos. Pegou o aparelho e encostou em sua orelha sem tirar os olhos de Edward que olhava mais algumas telas.
- Algum problema? – Perguntou .
- Não. Quer dizer, talvez. , você pode vir me buscar aqui na faculdade dentro de uma hora? – Pediu do outro lado da linha.
- O que aconteceu com o seu carro? – Perguntou .
- Bem, seqüestrou. Ela vai me pagar. Só deixou uma mensagem no meu celular dizendo que precisava dele e que devolveria inteiro. Eu to com vontade de matar aquela aprendiz de jardineira fajuta! – Rugiu tão alto que teve que afastar o telefone do ouvido.
- Calma, . Eu vou dar um jeito. Porque eu também não to com o carro do meu pai. Ele não tava em casa quando eu saí. – Explicou .
- Ai que droga. Não precisa fazer muito esforço, . Se você não puder vir eu encontro uma maneira de ir de ônibus. Eu acho que tem algum dinheiro na minha bolsa.
- Eu já disse que dou um jeito. Não vou deixar você arruinar seu humor nesses ônibus lotados como eu fiz hoje. De jeito nenhum. Relaxa. Eu vou te buscar. – Acalmou a garota.
- Obrigada, . Sério. Muito obrigada. – já estava mais aliviada. – A propósito, o meu sistema de som já chegou?
- Não, mas deve chegar em pouco tempo. Não se preocupe, eu vou esperar ele chegar e vou te buscar, de algum jeito. – Esclareceu.
- Tudo bem. Obrigada de novo. – Riu pelo nariz. – Tenho que desligar. Estou perdendo uma empolgante apresentação de trabalho do outro grupo. – Completou sarcástica.
- Claro. Entendo completamente. – Gargalhou . – Volte para sala. Vou esperar mais um pouco aqui. Beijos.
Desligado o telefone, olhou para Edward que fitava sua nuca durante toda a ligação. O garoto sorriu ao ver o olhar pedinte da garota persuadir o seu.
- Eu tenho a solução perfeita. – Começou Edward. – Eu levo você para buscar na faculdade. Não se preocupe.
- Você ouviu? – Perguntou arregalando os olhos mais uma vez.
- Claro. Não foi muito difícil de saber que a aprendiz de jardineira fajuta pegou o Mercedes da . – Disse sorrindo e fazendo o acompanhar.
- é muito escandalosa. só pegou o carro emprestado. – defendeu a amiga.
- Pegou emprestado sem pedir, eu presumo.
- Bem, provavelmente não entregaria seu carro a . Nem a , nem a ninguém. – Disse com todo o seu conhecimento sobre . – Ela tem um ciúme doentio daquele carro. Mais do que com qualquer coisa.
- O Jasper também morre de ciúmes com aquele Porshe dele. Um dia desses quase teve briga dele com o Emmett porque ele queria o carro emprestado. Eu tive que emprestar o meu.
- Isso não é novidade. O Emmett e o Jasper brigam por qualquer coisa, pelo que me disse. – Riu .
- Pois é. Mas se tratando do carro, Jasper seria capaz de pular no pescoço do Emmett. Acredite, não ia ser bonito de se ver. Eu tive que acabar com a briga. Meu Volvo emprestado, não gosto muito da idéia, mas se é para o Jazz não ficar muito mal e o pescoço do Emmett ficar intacto, eu empresto. – Comentou rindo alto. – Mas isso não é por muito tempo. O carro do Emmett e o de Carlisle vão chegar amanhã.
- Eles também têm carro? – Perguntou .
- Claro. É por isso que o ciúme é tão permitido. Aposto que o Emmett está morrendo de saudades do Jipe dele. Ele diz que meu Volvo é muito sofisticado para ele. – Riu.
- Entendo. Emmett com todo aquele...Tamanho...não ia combinar muito com seu Volvo, que a propósito, é fantástico.
- Obrigado. Vai andar nele em breve.
- Isso é muito bom. – Falou em tom baixo. – Quer dizer...É o que vai salvar do ônibus lotado, não é? – Tentou corrigir muito rápido, mas suas bochechas já haviam a traído e insistiam em denunciá-la ficando vermelhas.
- Claro. Em breve vamos salvar . – Disse Edward sorrindo pelo canto da boca.
pintou mais alguns minutos o quadro da cachoeira, e Edward se limitava a sorrir e admirar o olhar vidrado da garota. Quando já estava pintando as folhas delicadas da macieira, o som da campainha anunciou que o sistema de som de havia finalmente chegado. Um homem gordo e com um chapéu de cowboy entregou uma caixa pesada nas mãos de Edward, que não parecia chiar com o peso. assinou os papéis de entrega e olhou repugnante para o homem com aparência corpulenta e desleixada.
- Aposto que não toma banho há séculos. E deve estar gripado há milênios! Não agüentava mais vê-lo fungando aquele nariz gigante. – Reclamou quando fechou a porta. Edward sorriu. – Vamos tentar instalar?
- Quanto tempo falta para buscar ? – Perguntou Edward atravessando o hall da casa de .
- Vinte minutos. Talvez seja rápido. Eu realmente estou curiosa, sabe. – Confessou sorrindo.
- Tudo bem. Vamos tentar. Mas se for muito complicado nós deixamos para instalar depois.
- Ok. Vamos tentar. – Disse agradecida pela boa vontade do ruivo.
Sem muita demora, Edward instalou todos os caixas de som nas paredes da sala de vídeo aconchegante da casa de . Deixou cuidar dos cabos, mas a garota parecia cada vez mais confusa com a quantidade e diversidade de cores. Ela tentava achar um cabo com a ponta violeta enquanto segurava outros de várias outras cores. Edward sorriu abertamente ao ver a dúvida plantada na testa forçadamente enrugada de . Em bem menos tempo do que podia se esperar, Edward encontrou o cabo violeta e encaixou todos os outros nos aparelhos eletrônicos da sala. fez cara de grata a contragosto, não gostava de parecer inútil perto de Edward e não estava acostumada a procurar coisas apenas com as mãos.
- Nossa! Isso é realmente muito bom! – Exclamou a garota ao ouvir o novo som na sala. – Parece que a gente está vivendo o filme. Fantástico. A gente tem que inaugurar rápido. Você e os outros estão convidados. – Sorriu.
- A casa é sua? não vai reclamar com você por estar convidando pessoas para a casa dela, não? – Perguntou Edward.
- Primeiro: Ela não ia ficar com raiva de eu ter chamado quem quer que fosse. Ela gosta muito de vocês. Ainda mais do Jasper. – Disse erguendo as sobrancelhas. – Droga! Eu não devia ter dito isso, ela vai me matar!
- Não tem problema. Eu não vou dizer nada ao Jazz, e nem vou te dizer que ele também gosta muito dela. Ops! Não devia ter dito isso. – Disse Edward fingindo ter dito sem querer e fazendo sorrir.
- Bem...Voltando. Segundo: A casa é inteiramente dela só até sábado.
- Como assim?
- Eu e as meninas vamos vir para cá no sábado. Morar. – Explicou.
- Sério? Sua mãe deixou? – Perguntou Edward surpreso.
- Ela resolveu acreditar no meu juízo perfeito. – Disse sorrindo.
- Que bom – Falou Edward. – que ela confia em você mesmo. – Completou rápido.
Seguiu-se um silêncio profundo em que Edward tentava recuperar sua expressão imparcial ao mesmo tempo em frustrava-se tentando arrancar alguma coisa do que a mente silenciosa de guardava. piscou os olhos lentamente ao ver Edward se aproximar demais dela. Maldito coração. Não posso fazer nada enquanto ele não me conhece. Pensou rápido e se afastou de Edward e falou:
- Acho que já está na hora de buscar a . Vamos? – Perguntou com a voz fraca.
- Vamos. – Respondeu Edward divertindo-se com a respiração descompassada da garota.
e Edward desceram as escadas e rapidamente estavam na enorme garagem dos Cullen. entrou no carro e sentou no banco do carona enquanto Edward caminhava para o volante.
- Aonde vocês vão? – Perguntou Jasper na porta da sala olhando para Edward.
- Buscar na faculdade. – respondeu Edward calmamente.
- Por quê? Ela saiu de carro hoje. Eu vi. – Perguntou novamente Jasper.
- A pegou o carro dela emprestado. – Respondeu . – Ela está nos esperando.
- Ela emprestou o carro?! – Foi a vez de Emmett perguntar se juntando a Jasper.
- Ela não emprestou realmente. meio que pegou sem pedir. – Explicou sorrindo.
- A deve estar uma fera. – Comentou Jasper.
- Ai, qual é! É só um carro. Você e ela têm esse ciúme exagerado dos seus carros. Eu quero ver se você nunca vai me deixar tocar no Porshe. – Reclamou Emmett.
- Não. Você nunca vai tocá-lo. Mantenha distância do meu carro, Emmett. – Recomendou Jasper ao moreno.
- Isso é ridículo. – Bufou Emmett.
- Você vai me deixar dirigir aquele seu Jipe monstruoso? – Insinuou Jasper.
- Lógico que não. A vingança é um prato que se come frio! Você não vai nem sentir o cheiro do estofamento do meu carro, Jasper Cullen. Você nem combina com ele. Você parece uma criança dentro dele! – Riu Emmett.
- Criança! – Desdenhou Jasper. – Eu vou te mostrar a criança! Só porque eu não sou um monstro cheio de músculos feito você.
- Isso para mim é inveja da oposição. – Comentou Emmett arrebitando o nariz comicamente.
- Emmett, você é um imbecil. – Disse Jasper completamente irritado. estava entendendo agora por que falava que as brigas entre Jasper e Emmett eram divertidas.
Edward pigarreou ao ver que Emmett já tinha encontrado um novo argumento para continuar a briga com Jasper, e falou:
- Continuem brigando. Isso é muito habitual, mas eu vou embora. Vou buscar ou ela vai ficar esperando. – Disse impaciente.
- Eu posso buscá-la se você quiser, Edward. – Sugeriu Jasper.
- Não. Eu vou. pediu para ir buscá-la. Eu vou levar . – Explicou.
- Eu posso ir com você? – Pediu o garoto olhando para Edward que arqueou a sobrancelha esquerda ao ouvir.
- Jasper pára de ser tão retardado! – Gritou Emmett. – Vê se não atrapalha nada uma vez na vida.
Jasper olhou para Emmett quase o assassinando e sabia que ele estava se segurando para não fazer nada na frente dela. Ela percebeu que ele tinha no mínimo vontade de espancar o irmão.
- Tudo bem, Edward. Eu estou ocupado fazendo um projeto da faculdade. Mas me ligue quando pegarem ela. Para dizer se ela está bem. – Disse Jasper voltando-se para Edward.
Emmett por pouco não gargalhou alto ao ver a visível preocupação de Jasper com . Ainda deixou escapar um riso baixo e logo parou ao ver que Jasper o fitava ameaçadoramente. Levou a mão à boca e virou-se de costas para entrar em casa novamente. Edward e se despediram de Jasper e abandonaram a garagem rumo a faculdade de .
Estavam numa estrada asfaltada e deserta que parecia não ter mais fim e conversavam sobre as músicas que tocavam na rádio local. Chovia pouco, era apenas uma garoa quando eles conversavam sobre a modernização das óperas. sorriu ao lembrar que forçara a ir com ela uma vez a uma ópera. praticamente roncou na ocasião.
- Ela chegou a deixar a cabeça pender para frente. Coitada! Devia estar morrendo de tédio. – Riu .
- Eu entendo. Música clássica é muito bom, mas se a gente ouve demais vira um tédio. – Confessou Edward.
- Eu gosto de música clássica, eu e gostamos muito, mas ela tava ocupada no dia da ópera e eu tive que arrastar para ir comigo. – Explicou.
- E ela teve que dormir. Perfeito! – Gargalhou Edward.
- Se fosse música clássica estilizada ela não teria dormido. Todo mundo acha interessante.
- É realmente muito interessante. Os seres humanos são fantásticos em inovar. – Admitiu Edward.
Quando ia falar alguma coisa, um barulho ensurdecedor invadiu os seus ouvidos e ela automaticamente levou as mãos as orelhas para protegê-las, enquanto o carro chacoalhava e Edward pisava no freio com força.
- O que foi isso? – Perguntou quando o carro não se movia mais.
- Acho que tinha alguma coisa na estrada. O pneu estourou. Ótimo. Vou ter que trocar. – Disse Edward. – Vamos descer.
obedeceu a Edward e saiu do carro junto com ele. Edward chutou de leve o pneu traseiro direito do carro e constatou que teria que trocá-lo. encostou-se na porta fechada do Volvo e resolveu esperar que Edward fizesse o trabalho, admirando os músculos de seus braços enrijecerem a cada movimento brusco que ele fazia para retirar o pneu do aro metálico do carro. correu a vista pelo lugar, que ainda estava deserto, e ouviu um barulho de água correndo. Deu dois passos para longe do carro, saindo da estrada e falou:
- Edward. É aqui.
- É aqui o quê? – Perguntou olhando para a garota.
- O quadro que eu te mostrei. Vem comigo. – Disse já correndo para fora da estrada e adentrando a mata que os rodeava.
Edward, sem outra opção, correu atrás da garota até que ela parasse. O barulho da água ficava cada vez mais alto e Edward tentava acompanhar em passos humanos. Viu a garota parada na beira de uma bela cachoeira e se admirou com a incrível semelhança com o quadro da garota. Encontrava-se exatamente no ângulo em que o quadro estava sendo pintado e conseguia ver a macieira apinhada de maçãs no canto esquerdo de sua vista. acabara de se agachar perto da água e molhar levemente a mão direita, que parecia brincar com as gotas que a molhavam. Edward percebeu que tinha tirado as sandálias. Seus pés amaciavam a terra molhada. O garoto se aproximou da menina e a ouviu falar:
- Tire também os sapatos, Edward. Fica melhor descalço.
Edward obedeceu fielmente à recomendação da garota e se aproximou já descalço, sentiu a areia dançar debaixo de seus pés.
- Se quer saber, você pinta realmente muito bem. – Elogiou agachando-se perto da garota. – Parece que eu entrei no seu quadro.
- Obrigada. Não é lindo? – Perguntou mostrando a queda d’água.
- Não consigo me lembrar de ter estado em um lugar tão bonito. – Falou e sorriu levemente.
- Com certeza é um dos meus lugares favoritos. – Revelou. – Tem tantas cores.
- Seus olhos ficam mais bonitos aqui, sabia?
- Ai Edward. – desviou seus olhos do garoto que parecia divertir-se com seu embaraço diante de elogios.
- É sério! – Disse ele pousando a mão no queixo de e trazendo o olhar dela para si. – De longe é a parte mais bonita do seu rosto. Gosto do contorno que suas sobrancelhas fazem. – Disse isso se aproximando devagar da garota e oscilando rápido de um olho da garota para o outro. – Mas não é a parte mais chamativa.
- E qual é a parte mais chamativa? – Perguntou a garota com a voz baixa e não conseguindo manter seu coração batendo compassado.
- Essa aqui. – Disse transformando a distância entre os dois lábios inexistente.
A surpresa de fez ela enrijecer os músculos, mas logo que percebeu que os lábios frios de Edward acariciavam os seus, ela se deixou amolecer. Edward, com movimento lentos, forçou a boca de a se abrir um pouco mais para tornar o beijo mais intenso e apaixonado. As mãos de inconscientemente procuraram o pescoço de Edward e ela o puxou para mais perto de si. As gotas de água da mão molhada de passearam pelo maxilar perfeito de Edward. O garoto soltou um suspiro de prazer ao sentir a língua morna de tocar a sua e convidá-la a fazer parte de uma dança. Edward pôs as mãos na cintura da garota e puxou-a para muito perto de si, e sentiu o peito arfante de comprimir o seu. Ele sentiu os dedos de perpassarem sua cabeça tocando-lhe o cabelo úmido. partiu o beijo e Edward desenhou os lábios dela com a língua, fazendo-a estremecer completamente. A respiração quente da menina contrastava com o ar frio que saía da boca de Edward.
se levantou e Edward a imitou sem soltar a mão da sua. tentava respirar. Recuperar todo o fôlego que havia perdido. Ela fechou os olhos e respirou fundo.
- O que foi? Alguma coisa errada? – Perguntou Edward preocupado.
abriu os olhos muito rápido e não conseguiu desviá-los de um galho fino da macieira. Não conseguiu evitar que seus poderes aflorassem sem a sua permissão. O galho frágil partiu-se e caiu no chão com um estrondo e buscou os olhos de Edward. O garoto parecia confuso. Pela segunda vez acontecera de algo cair e ele não conseguir entender por que. Olhou para que parecia desarmada e não titubeou em perguntar:
- Foi você? Foi você que fez isso?
- Eu?! Claro que não! – Disse atrapalhada. – Como poderia? Não é possível, Edward. O galho caiu porque era frágil. Foi só uma coincidência.
- Você estava olhando para ele, . Eu vi. – Insistiu Edward. – Você não está me escondendo nada, não é?
- Escondendo? Eu não. Não há nada para esconder. Eu não consigo mentir para você. Esse beijo não devia ter acontecido. – Exasperou. – Olha, vamos buscar a . Ela já deve estar esperando.
Edward parecia realmente confuso e com certeza muito intrigado. Ele não entendia por que preferia ignorar o beijo. Ou por que ela parecia tão nervosa. Mas quando ele tinha decidido insistir no assunto já tinha lhe dado às costas e murmurado um “eu não posso, Edward. Não assim. Não insista”. E se direcionava para o carro. Edward a seguiu e entrou no carro sem dizer uma palavra, depois de ter devidamente trocado o pneu furado. Seguiu todo o caminho até a faculdade em silêncio e olhava para fora da janela. Chegaram ao ponto de ônibus e estava com uma cara imparcial sentada num banco e segurando seus livros.
- Você demorou. Mas mesmo assim obrigada. – Agradeceu a menina em voz baixa. – Oi Edward.
- Oi . – Cumprimentou o garoto em um tom monótono e sem desviar os olhos da pista.
- Nossa, o que foi que aconteceu aqui? – Perguntou olhando para .
- Nada. – Respondeu rápido. – A gente atrasou porque o pneu estourou. Tinha alguma coisa na estrada.
- Eu tive que trocar. – Continuou Edward. – , tome. Ligue para o Jazz. Ele exigiu que eu avisasse quando você entrasse no carro. – E entregou o seu celular à . – Ele parecia preocupado.
- Preocupado comigo? – Edward balançou a cabeça afirmativamente. – Tudo bem. Eu ligo. – Disse discando um número decorado no teclado. – Não, Jazz, sou eu...Sim...Eu estou bem, acabei de entrar no carro...Eu sei, eles demoraram um pouco...O que é isso?... Nossa, peça para o Emmett parar, eu estou ouvindo daqui...Não, tudo bem...Vou chegar em pouco tempo...Ok...Tchau. – Desligou o telefone.
- O que foi que o Emmett tava fazendo? – Perguntou Edward.
- Ele chamou o Jazz de... – apaixonado sem jeito. -...Retardado. – Editou a palavra. Mal sabia ela que não se edita nada perto de Edward.
- Ai ai...O Emm não tem jeito mesmo. – Edward riu pelo canto da boca por saber o que tentou esconder dele.


Capítulo onze.

- Em que quarto eu vou ficar? – Perguntou segurando uma grande mala que trouxera.
- Você pode ficar com aquele perto da lareira. – Sugeriu .
- Ah não! Eu quero aquele quarto! – Reclamou .
- Não enche, ! me ofereceu ele. Logo, ele é meu! – Adverteu .
- Droga! Por que ela sempre ganha? Isso é ridículo! Em que quarto eu vou ficar, ? – Perguntou desistindo do quarto próximo a lareira.
- Pode ficar com aquele perto da biblioteca. O que você acha?
- Tudo bem. Eu gosto da vista daquele quarto. – Respondeu a .
- Eu vou ficar com o do lado do meu ateliê. Ninguém nem precisa oferecer. Aquele quarto foi feito para mim. – Disse .
- Muito bem. Quartos decididos, agora vão levar as coisas para lá. Não gosto de ver a minha sala tão bagunçada assim por tanto tempo. Hoje é sábado, ou seja, meu aniversário. Então eu estou de folga. – Reivindicou .
- É meu aniversario também, mocinha! Por que eu não tenho folga? – Perguntou .
- Porque você está se mudando hoje. – Respondeu calmamente.
- Mas tem muita coisa para arrumar. Será que você não poderia me ajudar? – Pediu com carinho.
- Você não tem mais coisas do que a , . Então deixa de frescura. – Disse apontando para as dezenas de malas e bolsas ao redor de .
fez um gesto obsceno e deixou duas bolsas caírem, fazendo rir cada vez mais. Todas as garotas subiram as escadas e foram organizar os mais novos quartos. , apesar de ter dito que não ajudaria, acabou dando apoio a todas as outras três. adorava o quarto que tinha escolhido. O tom lilás das paredes fazia o quarto parecer mais alegre. E a proximidade do seu ateliê a fazia se sentir super bem. disse que o quarto dela era muito sem graça e que pintaria as paredes assim que pudesse. passou grande parte do tempo entrando e saindo da biblioteca e analisando o jogo de xadrez e as outras garotas não podiam dizer por que ela tinha fissura por aquilo.
Terminado a sessão organização dos quartos, o que levou a manhã inteira, as meninas foram almoçar. Estavam todas sentadas a mesa quando lembrou de uma coisa que a fez ficar curiosa uns dias atrás.
- , o Emmett foi te buscar na quarta-feira passada, não foi? – Perguntou à garota que bebia o suco de laranja.
deixou um sorriso tomar conta de seu rosto e balançou a cabeça afirmativamente.
- O que foi que aconteceu? – Perguntou parando o garfo repleto de folha na metade do caminho.
- Acho que não foi nada de ruim, não é senhorita Falcão? – Insinuou .
- Calma. Eu vou contar. – respirou fundo e começou.

“Eu tava assistindo uma aula super chata, e o tempo parecia que não ia passar. E ainda por cima eu não conseguia parar de pensar nele. Estava completamente dispersa e triste. Apesar de um dia antes meu pai ter me dado esperanças sobre um estágio na empresa, eu ainda tava triste. Aí o sinal tocou e eu tinha perdido praticamente a aula toda. Ainda bem que eu tinha resolvido sentar bem atrás nessa aula, caso contrário o professor ia perceber.”
“Eu saí do prédio de cabeça baixa e acabei me molhando toda, porque eu não tinha me dado o trabalho de pegar o guarda-chuva da bolsa. A Kátia me chamou para almoçar com ela, mas eu disse que tava com dor de cabeça. A desculpa mais comum de todas, afinal. Eu tava descendo a escadaria quando o vi. Ele estava lindo, vestido com uma camisa branca, e sorrindo para mim. Eu quase tive uma síncope! Mas era ele de verdade. Ele abriu os braços me convidando para um abraço, e não há como negar eu abraço a Emmett Cullen, não é? Eu fiquei o maior tempo que pude abraçada àqueles ombros largos. Ele também não poupou a minha cintura, cheguei a ficar sem ar. Então ele me disse que tinha ido me buscar para me levar para almoçar, e que queria conversar comigo. Ele disse que era importante, e eu até estremeci, mas acabei indo.”
“A gente foi num restaurante que eu nunca na vida tinha ido, tem cara de ser muito caro. Sentamos em uma mesa reservada e eu cada vez estava ficando mais nervosa, mas ele tava muito sorridente. Ai, Deus, como eu amo aquele sorriso! Bem, então a gente sentou e ele começou:”
- , eu preciso esclarecer uns pontos. – E eu ficando mais nervosa. Com vontade de sair correndo.
- Pode falar. – Eu disse bem devagar.
- O que aconteceu entre a gente...Sabe...Eu realmente gostei muito. E é difícil de dizer, mas...
- Tudo bem se você não quiser mais nada Emmett. Eu entendo. – Eu arrisquei ao vê-lo tão embaraçado, mas doía muito dizer aquilo.
- Não! Não é isso que eu quero dizer ! Bem, você não quer mais nada? – Ele perguntou inseguro.
- Eu? Ai Emmett. A verdade é que... – Comecei, mas aí ele me interrompeu.
- Eu não consigo parar de pensar em você!
“Eu acho que depois disso eu fiquei mais do que o necessário olhando para ele sem conseguir falar nada. Como eu sou uma idiota! Mas ele disse tão rápido”.
- Desculpa se eu te assustei. – Redimiu-se. – Eu não estou pedindo para você sentir o mesmo, é só que eu precisava falar a verdade.
- Verdade. Tudo bem, eu vou lhe dizer a verdade. – Eu respirei fundo e comecei. – Emmett, depois que você me deixou em casa no sábado, como era de se esperar, eu contei tudo às meninas. Elas vibraram muito e veio a seguinte pergunta: Vocês estão namorando? Então eu não sabia responder. Eu fiquei realmente confusa, porque eu realmente tinha gostado muito de você, o que normalmente não acontece. Eu não costumo namorar, homens para mim são na realidade difíceis demais para conviver. As meninas sempre dizem que eu sou um poço de experiência, mas na verdade a experiência me abandonou completamente quando eu fiquei com você. Senti-me uma pré-adolescente insegura e imatura. Não conseguia parar de pensar em você. E todas as minhas colegas da faculdade estão notando que eu estou meio que no mundo da lua. E desculpa dizer, mas é tudo culpa sua. Você me faz sentir completamente diferente. Quando eu estou ao seu lado eu me sinto completa, mas se você se distancia um pouco...Eu volto a ser criança, indefesa e infantil. Emmett, talvez isso seja estranho, afinal eu nunca senti isso, mas... É como se...Você morasse dentro de mim. – Eu joguei aquilo com a maior sinceridade que tenho dentro de mim. E agora me sentia mais leve. – Emm, eu também não paro de pensar em você.
- Oh meu Deus! Você é perfeita, . – Ele disse encostando a mão no meu rosto que estava completamente quente. – Eu nunca pensei poder sentir isso, ser capaz de sentir isso. Mas...Eu estou completamente apaixonado por você. – Ele respirou fundo e disse. – , você quer namorar comigo?
“Eu não sabia o que eu tava sentindo naquele momento. Queria sair gritando que Emmett Cullen queria namorar comigo. Queria pular e me jogar do alto de um penhasco só para sentir o vento correndo no meu rosto. Algo dentro de mim implorava para sair. Eu não me segurei e uma lágrima solitária vagou pelo meu rosto. Então eu respondi:”
- Emmett Cullen, você vai me fazer a mulher mais feliz do mundo se namorar comigo.
“Ele se levantou rápido da cadeira dele, que estava posicionada na frente da minha e me pegou pela cintura. Eu me levantei e não tive tempo nem de piscar os olhos antes que ele me beijasse. Eu simplesmente não me lembrava de que estava num lugar público e que provavelmente todo mundo do restaurante estava olhando. Eu só conseguia sentir os braços do Emm perpassando minhas costas e desorganizando meus cabelos. Foi perfeito. Quando ele me soltou eu ousei olhar para os lados e vi alguns empresários repugnando nossa atitude e umas garotas com farda de colegial abafando risadinhas. Um casal segurava as mãos um do outro na mesa ao lado, e nos olhavam amigavelmente. A mulher acariciava a mão do homem com o polegar enquanto me lançava um sorriso muito leve.”
“Emmett pegou algum dinheiro na carteira e deixou em cima da mesa, fazendo um sinal para o garçom. Ele me pegou pela mão e apontou para a porta. E eu ainda estava sorrindo. Não tinha como não sorrir! Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida. Os músculos se moviam sem a minha autorização. Eu devia estar parecendo uma boba. Bem, o Emm e eu passamos a tarde juntos, e foi fantástico. O Emm é muito carinhoso e divertido. Ele é tão perfeito!”

- Minha nossa! está realmente namorando um Cullen! – Exasperou . – É oficial!
- Que lindo! – Suspirou .
estava vermelha, mas sorria muito. As três garotas acompanhavam-na em suspiros e sorrisos.
- Ele já sabe que você ta morando aqui agora? – Perguntou .
- Sabe. Eu disse quando ele foi me buscar na faculdade no outro dia. – Anunciou .
- Ele vai te buscar todo dia? – Perguntou .
- Quase todo dia. De vez em quando ele fica mais tempo no prédio de psicologia. Então não dá para me buscar.
- O Emmett não tem cara de psicólogo. Sério mesmo! – Revelou .
- Bem, ele me entende. – Protestou .
- Não vale! Vocês estão apaixonados. – Disse .
- Mas é sério. Ele não tem mesmo cara de psicólogo. – Começou . – Mas eles devem gostar muito de psicologia. Todos eles. Afinal de contas o Jazz também faz. E o Edward também.
- Eles gostam de estudar juntos. – Disse .
- Se inspiraram no Carlisle. – Falou .
- Falando em Carlisle... – Iniciou . – Como anda o relacionamento de vocês, ?
- Não há relacionamento. – Disse a garota sem estímulo. – Sabe, é estranho. A gente foi rápido demais e agora...A gente meio que...Que se evita.
- Evita?! – ergueu as sobrancelhas de surpresa.
- É. Sei lá. A gente têm almoçado juntos todos os dias. Mas a gente quase não conversa. Ele parece que tem medo de ir longe demais comigo.
- Wow! Então a coisa entre vocês é quente! – Riu .
- Isso parece ser perigoso. Eu não sei explicar. É como se houvesse uma corrente elétrica no meu corpo, e é ativada pelo toque do Carlisle. Não é uma coisa fácil de segurar. E a gente não conversa sobre isso. Afinal, quando ele me beijou na biblioteca, eu me lembro muito bem que ele disse que não ia acontecer mais. – mexia com o garfo os últimos grãos de arroz do prato, sem intenção de comê-los.
- Nossa. Se é tão forte assim, eu acho que você tem que falar com ele. Não dá para ficar se evitando tocar. – Disse e depois se deu conta de que era exatamente o que ela fazia com Jasper.
- Eu sei. Mas eu não tenho coragem. – Lamentou .
- Talvez hoje à noite. – Sugeriu . – Vamos estar todos juntos.
Ao lembrar disso sentiu-se gelar. Ia, mais uma vez, estar perto demais de Edward e não conseguia resistir. Mas ela não conseguia mentir para ele. Ela não conseguia se imaginar enganando Edward. Ele pensaria que estava beijando uma simples humana. Tudo o que ela queria era poder contar a verdade. Mas, com certeza, não iria aceitar. Nem ela e nem as outras aceitariam tanta exposição. Não havia permissão alguma sobre contar seus maiores segredos para outras pessoas. Mas ela pensava em por quanto tempo conseguiria estar ao lado de Emmett sem lhe contar a verdade. E se fosse algo além de um simples namoro? E se fosse amor? Não há como mentir ou enganar aquele que se ama.

X.X.X

- Estão falando sobre você. – Anunciou Edward a Emmett.
- O que estão falando? Sobre o quê? – Perguntou Emmett.
- Sobre o início do seu namoro, meu caro. – Riu Edward. – Nossa, Emm, eu nunca imaginei que você pudesse ser tão romântico. – Caçoou.
- Vai se ferrar, Edward! Você não entende o que eu sinto pela . – Vociferou o moreno irritado.
- Calma, Emm! Eu entendo. Chega de estresse. – Rendeu-se. – Agora o assunto do momento é o Carlisle.
- Eu?! O que elas estão falando sobre mim? – Interessou-se Carlisle que antes parecia completamente absorto em um livro.
- Lamento. Isso é particular. – Esclareceu Edward.
- Se fosse particular você não estaria ouvindo! Diga logo!
- Isso não é uma escolha. Mas é sério. É conversa de garotas. Não acho que você tenha o direito de saber. – Esclareceu Edward.
- Posso saber pelo menos quem está pensando em mim? – Pediu Carlisle.
- Tecnicamente, todas. – Disse Edward, notando que agora também ouvia os pensamentos de . Por que eu posso ouvir agora? Ele pensou e voltou a falar. - Ora essa! É uma conversa! Todas pensam sobre a mesma pessoa! – Explicou Edward como se fosse muito óbvio.
- Ele quer saber quem começou a pensar nele, Edward. – Disse Emmett revirando os olhos.
- Isso é muito óbvio. – Disse Jasper que estava deitado no sofá, muito confortável. – Foi a .
- Não, Jazz. Foi a . – Disse Edward.
- Quem?! – Jasper se levantou muito rápido do sofá, direcionando um olhar desesperado ao irmão.
- Calma, Jasper! Nossa, vocês todos estão muito nervosos hoje hein! – Edward mostrou uma falsa irritação. – Ela pensou em como perguntar o que a sente em relação ao Carlisle.
- Eu não estou nervoso. – Resmungou Jasper.
- Claro que não. Talvez se Edward continuasse com a insinuação de que a sua estava pensando no seu pai você pulasse na garganta dele, não? – Insinuou Emmett.
- Se você continuar com esse risinho idiota nesse rosto grande e nojento, é o seu pescoço que não vai estar inteiro esta noite, Emmett! – Rugiu Jasper.
Emmett sorriu e fez cara de “estou morrendo de medo” e tremeu a mão forçadamente. Jasper provavelmente se atiraria nas costas dele se Edward não tivesse continuado a dizer o que as meninas estavam pensando.
- Na biblioteca, Carlisle?! – Perguntou ao pai. – Que feio. – Continuou sorrindo. – Agora eu sei porque tinha alguns livros no chão. – Gargalhou.
- Meus livros! – Disse Jasper. – Eu não acredito, Carlisle! – Reclamou mesmo rindo.
- Mas que droga, Edward! Pare de ler a mente das meninas! – Carlisle abriu mais uma vez o livro.
- Eu já disse que não tenho escolha. – Disse secamente.
- Quem diria, o Carlisle! Na nossa biblioteca! Ta melhor do que eu! – Riu Emmett.
- É que um mar de romantismo te atacou, Emmett. – Disse Jasper.
- Cala a boca. – Mandou Emmett.
- Agora quem ta com medo sou eu. – Sorriu Jasper irritando o irmão.
- Acabou a conversa. Não pensaram sobre você, Jazz. – Revelou Edward. – Nem sobre mim. – Falou como se estivesse pedindo desculpas. – Bem, como vai ser hoje a noite?
- Como assim? – Perguntou Jasper.
- Ué, caso você não tenha notado, só tem um carro na casa das meninas. E eu acho que elas não vão querer ir sozinhas. Talvez...nós podemos...nos misturar. – Sugeriu Edward.
- vai comigo. – Noticiou Emmett.
- O que você está sugerindo Edward? – Perguntou Carlisle. – , e podem ir de carro. Juntas.
- Carlisle, quer um conselho? – Ofereceu Edward.
- Conselho? Sobre...? – Interrogou.
- Convide . Parece que vocês precisam conversar. – Edward balançou a cabeça indicando que sim, quando Carlisle pensou: Ela quer conversar comigo?
- Está bem, Edward. Eu sei onde você quer chegar. – Começou Jasper. – Pode convidar para ir no Volvo com você. Eu posso levar a .
- Como se isso fosse um sacrifício, não é, Jasper? – Alfinetou Emmett. – Não assuste a garota. Ela é muito legal, sabe. – Sorriu.
- Emmett, eu estou realmente me segurando para não quebrar o seu braço com minhas próprias mãos, então, se não for pedir muito, feche essa boca. – Jasper falou as últimas palavras cerrando os dentes e saindo do ambiente logo em seguida.


Capítulo doze.

estava ajeitando os últimos detalhes de seu vestido preto enquanto passava maquiagem nos olhos no espelho do seu quarto. borrifava seu habitual perfume floral e ia a direção de quando chamou.
- Socorro! – Gritou do quarto.
- O que foi?! – Perguntou preocupada na porta do quarto da amiga.
- O zíper não quer subir. Eu acho que eu engordei. – Reclamou.
- É lógico que ele não vai subir. Você está pegando ele torto. Deixa eu te ajudar. – Disse rindo da garota e devidamente fechando o vestido. – Você está linda. Esse decote fica bem em você.
- Obrigada, . – respirou fundo. – Tem certeza que eu não engordei? Sei lá. To insegura.
- Não, você não engordou. – Afirmou . – O vestido está perfeito. Não é sobre isso que você está insegura.
esboçou um sorriso fraco e agradeceu mais uma vez a amiga.
- Onde está ? – Perguntou .
- No quarto dela. Relaxa, ela sempre é a última mesmo. Eu, por exemplo, já estou pronta. – Disse sorrindo e apontando para o modelito nada básico.
- Você está linda. – Elogiou . – Essa é mesmo aquela calça que a gente comprou juntas?
- É sim. Por quê?
- Ta mais bonita agora.
- Estou pronta. – disse parando na porta do quarto de . – Nossa! Você está linda, ! Espera, tenho um sapato que vai ficar perfeito com o seu vestido. – E correu de volta ao quarto.
- Eu não sei por que, mas eu estou nervosa. – Revelou .
- Não tem com o que se preocupar, . Vai dar tudo certo. E eu posso lhe garantir que não tem nenhuma ruga nesse seu rostinho. – Riu e quase a acompanhou.
- Não tem motivo para eu estar nervosa. – Uniu as sobrancelhas. – Só se...! Talvez ela esteja. – Disse se virando para a porta. – Eu vou falar com ela.
saiu do quarto rápido e ainda esbarrou com que lhe trazia os sapatos. Bateu na porta do quarto de e entrou.
- ? Pode me responder uma coisa? – Pediu.
- Claro, . O que foi? – Perguntou com a voz imparcial.
- Por que você está nervosa?
- Nervosa? Eu? Eu não estou nervosa.
- Eu sei que sim. Não há por que eu estar nervosa. Então você é que está. Me diga por que, por favor.
- , naquele dia em que eu e o Edward fomos buscar você na faculdade... – Começou devagar. – Nós nos beijamos.
- Nossa! Isso é fantástico ! O que deu errado?
- Bem, é que... Eu não consigo deixar. Não consigo ficar muito tempo perto dele sem beijá-lo, mas... Eu não posso enganá-lo.
- Enganar? – não estava realmente entendendo.
- Sim! Ele é só um humano! E o que eu sinto por ele é forte demais. Eu não vou suportar ficar com ele sem que ele saiba quem eu sou!
ficou em silêncio por alguns instantes, ela sabia exatamente o que estava sentindo. Mas elas não podiam dizer nada.
- Não é permitido. – Disse depois de uns instantes.
- Eu sei que não é. Por isso que não quero ficar tão perto dele. E isso dói. – A voz de falhou na última frase.
- É difícil, eu sei. Eu não vou negar que tive vontade de contar ao Jasper, mas não podemos.
- Não vamos falar sobre isso agora. Hoje é um dia especial. Vamos apenas comemorar. – fingiu animação e as duas largaram um sorriso forçado.
A campainha tocou calma e sonora, e depois de alguns instantes chamou:
- Meninas! É o Emmett. Eu vou com ele, ok?
- Diga a elas que os outros vão vir pegá-las. – Sussurrou Emmett no ouvido de .
- Eles vão vir?! – pareceu realmente surpresa.
- Claro! Carlisle disse que quer conversar com . Sobre, o que aconteceu entre eles. – Explicou o garoto.
- precisa saber disso. – Disse já querendo gritar para a amiga.
- Não, ! Deixe que ele conte. Apenas diga que o carro de não vai ser necessário.
concordou com o que Emmett queria fazer e se posicionou aos pés da escada para dizer:
- Garotas, o Emm disse que o carro da não vai ser útil. – Disse com uma voz doce.
- Como assim? – Perguntou no topo da escada.
- Acho que vocês vão nos carros deles. – Esclareceu. – Agora eu vou indo. Beijos, encontro vocês lá. – E saiu de casa acompanhada de Emmett que sorria.
olhou para e agora ela compartilhava do seu nervosismo. As duas se encararam por um tempo até que apareceu e revelou:
- A gente vai em carros separados? – Arregalou os olhos. – Eu estou realmente nervosa agora.
- Mantenha a calma. – Disse as outras duas.
- Manter a calma?! Eu estou uma pilha! Não estou preparada para falar com o Carlisle.
- Você ia ter que falar um dia. E agora vocês são vizinhos! O que você pretendia? Se esconder embaixo da cama para não ter que encarar ele novamente? – Perguntou .
- Isso não é uma má idéia. – Alegou e riu.
- Ânimo, garotas! Hoje é dia de festa e algo me diz que muita coisa vai acontecer. – Alegrou-se .
- Você tentou ver o futuro? – Perguntou curiosa.
- É claro que não. É só intuição. – Revelou a garota.
- Você devia tentar. Quem sabe você consegue? – Sugeriu .
- Eu gosto de surpresas. – Disse sorrindo pelo canto da boca.
O som da campainha alertou novamente e elas sabiam quem provavelmente estaria do outro lado da porta. Se entreolharam por alguns segundos e desceram as escadas. abriu a porta porque as outras duas pareciam ter medo de talvez levar um choque se tocassem a maçaneta prateada. Encontrou rapidamente o olhar dos três Cullen esperançosos e abriu um sorriso, abandonando o nervosismo.
- Viemos buscar vocês. – Anunciou Edward.
- nos disse que vocês viriam. – Disse .
- Eu pedi ao Emmett que avisasse. – Explicou Jasper.
- Eu quero que você vá comigo . Tem algum problema? – Perguntou Carlisle ao ver obviamente nervosa.
- Não. Não tem problema. – Tentou sorrir.
- Vamos então. – Disse Jasper por fim.
Os seis se direcionaram a garagem para entrar nos seus respectivos carros. Carlisle e saíram primeiro, e continuava muda enquanto Edward abriu a porta do carro para que ela entrasse e comentou:
- Parabéns. Você está linda. – Mostrou seu melhor sorriso e amoleceu.
- Obrigada Edward. – Disse sentando no banco do carona.
Jasper conversava alguma coisa com que não conseguiu ouvir. Apenas conseguiu ver um resquício de um sorriso no rosto da garota quando ela repetia o seu último gesto e entrava no carro. viu Jasper entrar no carro e ouviu o belo ronco do motor do Porsche invadir seus tímpanos. Viu que o carro já tinha ido embora e Edward se preparava para ligar o Volvo. Não fazia a menor idéia do que iam conversar durante o caminho. Ela procurava evitar olhar demais os olhos dele. Eram completamente irresistíveis. E também respirava bem menos, para não se sentir atordoada com o perfume dele.
Estavam numa estrada que os levaria ao centro da cidade e se sentia desconfortável, mas Edward sempre esboçava um sorriso cativador. Olhando pela janela e vendo que não chovia, ela percebeu quando Edward ligou o som do carro e chamou sua atenção. Edward esperou até que ela identificasse a música.
- Beethoven. – Ela sorriu.
- É fantástico, não acha? – Perguntou ele olhando diretamente para ela.
- Sem sombra de dúvidas. Beethoven me acalma. É perfeito. – Ela suspirou.
- Você está nervosa? – Perguntou calmo.
- Não! – Disse rápido, o que a denunciou.
- Não se preocupe. – Edward falou voltando sua atenção para a pista.
- O que é aquilo? – Perguntou tentando mudar de assunto, sabendo que se ficasse calada só ia se atrapalhar. – Aquilo no banco de trás.
- Uma surpresa. – Disse sem desviar o olhar da estrada. – Não estrague, por favor.
- Para quem é?
- Eu disse para não estragar. – Ele riu olhando para ela.
- Desculpe. – Disse ela sem realmente entender o motivo.
- Não precisa se desculpar. – Disse tocando-lhe a mão, ela o repeliu e ofegou. – Está tudo bem? – Perguntou.
- Eu estou ótima. Falta muito para chegar? – Perguntou analisando a noite do lado de fora do vidro.
- Acho que chegamos. – Anunciou estacionando o carro e desligando o motor.
não esperou para que Edward abrisse a porta para ela e se levantou do banco sentindo uma brisa macia acariciar-lhe os cabelos. Edward caminhou até ela e entraram na boate. A iluminação fez piscar os olhos com força até se acostumar. Não demorou muito para ela poder ver Emmett e dançando e Carlisle e procurando uma mesa para se sentar. Edward entendeu que queria se juntar as amigas e a acompanhou até a mesa de e Carlisle. não parecia mais tão nervosa. Ela bebia algo que identificou como um coquetel de frutas.
- Onde estão e Jasper? – Perguntou um pouco alto a .
apontou para o bar reluzente da boate e viu e Jasper mantendo uma conversa amigável muito próximos um do outro, provavelmente por causa do som extremamente alto. Ela sorriu ao ver que Jasper tentava chegar perto demais e a garota hesitava, sem querer que ele encostasse os lábios em sua orelha. encarou por alguns instantes e sabiam exatamente o que iriam dizer em seguida:
- Eles são só amigos! – Disseram em uníssono e caíram na gargalhada. Edward e Carlisle as acompanharam.
se sentou ao lado de , e Edward não demorou em sentar ao lado dela. Um garçom, muito jovem, se aproximou dela e lhe perguntou se queria alguma coisa para beber, ela negou calmamente e Edward fez sinal para que o garoto sorridente se afastasse.
- Ela não quer. – A voz de Edward soou crespa e enciumada. e Carlisle sorriram discretamente.
estava muito mais confortável depois de alguns minutos e não hesitou em chamar Carlisle para dançar, ele fez cara de “normalmente eu não danço” e logo depois disse:
- Com você eu vou. – Fazendo alargar o sorriso.
se perguntava para onde foi todo aquele nervosismo que predominava em na casa de . Depois de refletir sobre isso percebeu que o nervosismo também parecia abandoná-la. Ela finalmente conseguiu manter um diálogo com Edward.
Emmett segurava pela cintura, que sorria maliciosa. Ela segurava a barra da saia enquanto dançava no ritmo frenético da música. Emmett, atrás de , laçou a mão direita em seu cabelo loiro, levantando-os, e deixando a nuca visível, para que pudesse distribuir selinhos demorados no pescoço desnudo da garota. Ela não se demorou muito suspirando, virou-se bruscamente de frente para o moreno grandalhão e cascou-lhe um beijo incendiante. conseguiu ouvir um breve gemido de Emmett pela surpresa do beijo roubado, antes que ele pudesse retribuí-lo.
Jasper aproximou sua boca da orelha de , que estremeceu completamente e fechou os olhos. A garota tentava se controlar enquanto seu coração a traía, acelerando rapidamente. Estava completamente mergulhada em seus devaneios quando Jasper lhe falou:
- É a hora de lhe entregar seu presente.
- Você comprou um presente para mim? – Perguntou surpresa enquanto Jasper retirava do bolso da calça uma caixa retangular preta.
- Eu não poderia me esquecer. – Disse entregando a caixa. – Abra. Veja se gosta.
obedeceu a Jasper abrindo o presente que pegou devagar das mãos frias do garoto. Abriu lentamente e não conseguiu esconder a surpresa e admiração ao ver o belo colar.
- Oh meu Deus! Jasper, é lindo! – Disse sorridente retirando o colar de seu repouso para analisá-lo.
Em uma corrente delicada e prateada pendia uma esfera de mesma cor, e nela estavam gravadas duas asas belíssimas. Da esfera, uma pequena placa retangular registrava, na vertical, o seguinte nome: Fênix.
- Procurei algo que representasse nossa amizade. – Jasper começou a explicar. – Sabe, a gente briga muito, por qualquer coisa, na verdade. – Riu. – Mas a gente sempre faz as pazes. É como essa fênix: Renasce das cinzas. – Concluiu esperando a reação da menina.
- Obrigada, Jazz. É o meu melhor presente. – Sem pensar, ela abraçou Jasper, que se surpreendeu com sua atitude, mas também a abraçou.
Ela ficou alguns segundos sem se mexer ao perceber a atitude impensada que tinha feito. Não tinha forças para se desgrudar dele, e ela finalmente percebeu que tinha abandonado toda a repulsa que sentia em tocá-lo. Jasper abaixou um pouco a cabeça e encostou os lábios no pescoço da garota, que estava imóvel. Ela parou imediatamente de comprimir o corpo dele ao seu e largou-lhe.
- Coloque em mim. – Disse ela entregando a ele o seu mais novo colar.
Ele, sorrindo, pegou o objeto e pediu que ela virasse de costas para ele poder prendê-lo em volta do pescoço dela. tentava recuperar sua respiração ritmada e calma, enquanto Jasper se demorava mais do que o necessário para encaixar o colar na nuca da garota.
- Feliz aniversário. – Disse Jasper sorrindo levemente para .
- Obrigada. – Ela agradeceu. – Mais uma vez. – Riu.

X.X.X

dançava insinuante na frente de Carlisle que a olhava admirado. Ela estava surpresa com a descontração que percorria o corpo dela. Tinha finalmente entendido e aceitado que precisava conversar com Carlisle sobre o assunto, mas o lugar não era próprio para conversas. Limitava-se a dançar e fazer Carlisle sorrir. Ele tentava imitar os passos dela, sem muito sucesso, e cada vez sorria mais. estava se lembrando de como tudo aconteceu tão rápido naquela biblioteca, e de como eles tinham se mantido por tanto tempo em silêncio sobre o acontecido. Ela respirou fundo, parando de dançar, e tomou uma decisão. Não se importava mais se Carlisle não a quisesse mais. O pior de todos os males era com certeza a dúvida. Se aproximou dele bem devagar. Ele ofegou enquanto ela olhou nos olhos dele e disse:
- Carlisle, sabe o juízo que minha mãe comprou? – E apontou para a cabeça. Carlisle sorriu e meneou a cabeça afirmativamente. – Ele está de folga hoje.
Carlisle entendeu o que a garota queria dizer e, sem titubear, apoiou uma mão na base das costas dela, puxando-a contra si. soltou um breve sorriso ao perceber que ele ainda a queria como antes, e o beijou. As línguas se tocaram com uma visível saudade de tal contato. tateou as costas de Carlisle e pousou as mãos em sua nuca. Enquanto ela movimentava os lábios freneticamente nos dele, ele permitiu que suas mãos vagassem por debaixo da blusa da menina. Acariciou a pele macia das costas da garota e da barriga. reduziu o beijo a selinhos estalados e Carlisle mordeu a parte inferior dos lábios da garota. sorriu com a sensação e Carlisle percebeu que havia a deixado arfante. Satisfeito, sentiu o coração da garota bater comprimido ao seu peito e, com um gesto cauteloso, pousou a mão esquerda entre os seios da garota.
- Meu coração normalmente não dispara. – Disse esboçando um sorriso. – A menos que você faça isso. – Concluiu.
- Precisamos de um lugar mais silencioso. Eu preciso te dizer uma coisa. – Começou ele. – Alguma sugestão?
- Bem, talvez não seja um lugar romântico, mas...não tem barulho. – Ela sorriu e o pegou pela mão.
Carlisle seguiu sem saber para onde ela ia, mas sem realmente se importar com o destino. Ele ouviu o som da música que tocava acelerada, diminuir aos seus ouvidos, até se tornar apenas uma música de fundo. Carlisle ainda sorria quando percebeu que não havia mais muitas pessoas ao redor dos dois e acabara de abrir uma porta com a seguinte inscrição gravada em letras cursivas: Apenas funcionários. fechou a porta atrás dos dois e Carlisle analisava o pequeno cômodo em que eles se encontravam. Algumas vassouras jaziam encostadas na parede junto com três baldes coloridos. O cheiro de desinfetante invadiu as narinas de Carlisle e ele não se segurou em dizer:
- Quando você disse que não era romântico eu não achei que fosse tão anti-romântico. – Disse sorrindo.
- Quem faz o romantismo é a gente, querido. – Disse marota.
- Bem, se só tem esse lugar. Com você já está de bom tamanho. – Disse Carlisle pousando os lábios entreabertos na boca de . – Você não sabe como eu tive saudades de ter você tão perto assim.
- Se teve tanta saudade então por que não me disse antes? – Questionou. – Eu quase tive um ataque esses dias, sabia?
- Eu não achei que você sentia a minha falta. – Revelou.
- Bem, não literalmente, afinal nós nos víamos todos os dias – o que era uma tortura, para falar a verdade – mas eu sentia saudade de estar bem perto de você. Mas você disse, da última vez, lá na biblioteca....Que não ia acontecer mais. – disse devagar.
- Você entendeu desse jeito? Eu não quis dizer desse jeito. Eu quis dizer que...Bem...Eu não ia mais perder o controle com você. – Ele explicou.
parou um momento e ficou apenas olhando para o belo homem na sua frente enquanto pensava em quanta besteira tinha passado pela sua cabeça naqueles dias. Abriu um largo sorriso ao entender tudo, o porque Carlisle não tentava mais falar com ela: Ele pensava que ela não queria. Quanta bobagem! Pensou ela sorrindo.
- Quer dizer que você não pretende perder o controle comigo? – Perguntou espalmando as mãos no peito rígido de Carlisle. – Nem se eu pedir?
- Quem é você e o que fez com minha ? – Perguntou ele sorrindo. estremeceu ao ouvir ele se referir a ela daquela maneira: Minha .
- Conheça a sua agora. – Sussurrou bem perto da orelha de Carlisle, dando leves mordidinhas no lóbulo.
Carlisle fechou os olhos, tentado se controlar ao mesmo tempo em que espalhava beijos calorosos em seu pescoço. A menina passou a mão em volta da cintura de Carlisle e levantou-lhe a camisa. Carlisle sentiu seu corpo tremer ao toque suave da mão de em sua pele fria. Desistindo de resistir, ele se deixou levar pelos sentimentos e comprimiu o corpo de ao seu, procurando seus lábios de uma forma sedenta. encostou seus lábios aos de Carlisle de uma forma brusca e ainda assim adocicada. Num ímpeto, Carlisle sentiu a necessidade de se mover, sem se lembrar de que estava num ambiente tão pequeno. Traçou as curvas de enquanto a fazia andar para trás, encostando-a na parede. mexeu os braços e acabou por derrubar meia dúzia de vassouras. O estrépito fez os dois lábios se afastarem.
- Acho que a gente faz um estrago muito grande quando estamos tão juntos assim. – Disse Carlisle retirando uma mecha do cabelo de que esta caindo nos olhos.
- E eu acho que eu não me importo. – Disse ela voltando a encontrar os lábios dele e o empurrando para a outra parede que ficava a menos de dois metros dali.
Carlisle bateu as costas num armário pequeno e ouviu algumas coisas caírem dentro dele. O armário balançou em suas costas e estalou os lábios nos de Carlisle no instante em que se desgrudavam.
- Nós estamos destruindo esse lugar. – Adverteu ele.
- Se fosse tão fácil parar, eu juro que eu tentava. – Explicou ela apertando as mãos nos bíceps musculosos de Carlisle e tentando prosseguir o beijo, mas Carlisle a segurou.
- Tem alguém vindo. – Olhou assustado para .
- E agora? – Perguntou ela com medo.
- Minha nossa! O quê que eu to fazendo? – Exasperou Carlisle.
- Você está trancado num depósito de produtos de limpeza comigo. – Riu a garota.
- O armário! – Disse ele tendo uma idéia.
Carlisle abriu a porta do minúsculo armário atrás de si e empurrou para dentro, entrando logo depois e fechando a porta. segurou o riso quando viu a maçaneta girar e um garoto fardado de garçom entrar e pegar uma vassoura e um balde. O garoto olhou para as vassouras caídas no chão e xingou baixinho: Aquele idiota do Tom não consegue deixar nem um cubículo como esse organizado. levou as mãos à boca para abafar um sorriso involuntário e o garoto saiu bufando pela porta depois de trancá-la. suspirou aliviada e já ia empurrar a porta do pequeno armário quando Carlisle a puxou pelo braço.
- Fica comigo. – Ele pediu com a voz rouca.
- Sempre que você quiser, querido. – Respondeu ela consternada.
- Eu não estou falando sobre isso. – Disse simplesmente.
- Então sobre o quê? – Perguntou ela.
- Eu quero que você...Namore comigo. – Disse Carlisle inseguro. – Você quer?
- Oh meu Deus! É claro que eu quero. – Disse se jogando nos braços do garoto e lhe beijando intensamente.
Alguns produtos perfumados caíram em cima dos dois enquanto o armário chacoalhava. se afastou de Carlisle sorrindo e concordou: Eles realmente faziam muito estrago quando juntos.
- Vamos sair daqui antes que alguém nos pegue. – Ao dizer isso ele abriu a porta do armário e puxou pela mão, a guiando para fora do minúsculo ambiente.

X.X.X

Edward e observavam o beijo apaixonado de Carlisle e . deixou um sorriso lhe escapar ao ver a felicidade aparente da amiga. Ela apoiou a cabeça nas mãos enquanto olhava o casal na pista de dança e logo depois se afastando. Aqueles dois são malucos. Aonde será que eles vão? pensou rápido ainda sorrindo levemente.
- Eles parecem felizes. – Comentou Edward.
- É. Isso é o que importa, sabe? – Retrucou a garota sorridente.
Edward compartilhou do sorriso descontraído de e logo depois imaginou que aquela seria a melhor hora para falar-lhe.
- Eu quero te dar o meu presente. – o olhou admirada e apenas consentiu com a cabeça. – Mas não pode ser aqui dentro. Não tem graça se for aqui.
- Por quê? O que é, Eddie? – Ela mostrou sua curiosidade.
- Vem comigo e eu te mostro. – Ele ofereceu a mão à menina, que não se demorou em pegá-la, para que ele a guiasse.
Edward direcionou até a porta de saída da boate e logo eles não mais ouviam o barulho eletrizante do ambiente. percebeu que Edward se aproximava do carro. Logo ele abriu a porta do sinuoso Volvo e inclinou-se para dentro. Saiu segundos depois, trazendo consigo uma caixinha prateada e pequena. Entregou a logo depois de ouvi-la dizer:
- Bem, acho que agora eu sei para quem era a sua surpresa. – Sorrindo, pegou a delicada caixa.
A garota deslizou os dedos pela fita de cetim vermelha que jazia amarrada em volta da caixa e desfez o belo embrulho. No instante em que abriu o presente, entregando a parte de cima nas mãos de Edward, ela não entendeu completamente o que estava dentro. Afundou a mão na caixa e retirou dela um globo transparente do tamanho de uma bola de golfe. Analisou o objeto enquanto Edward lhe explicava:
- Eu a chamo de esfera das cores. – Disse apoiando a mão logo abaixo da de , em que estava o belo objeto. – Veja. – Disse levantando a mão de e direcionando a lua.
- É perfeito. – Admirou-se ela.
- Todas as cores do mundo estão aí dentro. – Disse Edward. – Basta mostrar-lhe a luz.
- Eu adorei, Edward. – sorriu ainda sentindo a mão de Edward segurar a sua no alto, girando devagar a esfera entre os dedos.
- Eu sei o quanto você gosta das cores, então... – Ele começou. – Achei que você iria gostar.
- Você é fantástico. Percebeu todo meu embaraço com os tons e cores no meu ateliê. Obrigada, Edward.
- Eu costumo prestar atenção em tudo o que você faz, . – Ele disse abaixando devagar a mão de , ficando de frente para ela. – Você não deve entender o que eu sinto por você, mas eu quero que ao menos você saiba que eu não costumo desistir do que eu quero. – Ele se aproximou dela.
- Edward, eu não... – Ela começou, mas percebendo ser impossível de continuar, desistiu e calou-se.
- A menos que você me dê um motivo plausível para me ignorar, eu não vou desistir. Eu quero você. – E disse unindo sua testa a de .
- Acho que eu não consigo mais ignorar você. – Disse ela depois de respirar fundo, cedendo a vontade de selar seus lábios aos de Edward.
Edward beijou completamente cauteloso e vagaroso, ao mesmo tempo em que ela ainda tentava resistir, sem sucesso. Edward pôs uma mão na nuca de , e forçou-a a se entregar completamente ao beijo. Ele segurou a mão dela no meio do caminho, que se direcionava ao seu peito a fim de terminar o beijo em um último sinal de reluta. Edward comprimiu entre seu corpo e a lateral do Volvo, ainda segurando a mão dela, que bambeava, quase soltando o globo das cores no chão. Ele deixou sua mão vagar pelo corpo curvilíneo da garota, descendo da nuca dela e pousando no quadril, e ela apertou a mão livre nos cabelos sedosos dele. Completamente satisfeito pela não relutância de , ele se deixou empurrar pelos braços da garota, que o fazia inverter as posições. Agora ele sentia suas costas baterem de leve no vidro cerrado do seu carro, enquanto largava seus lábios e mordiscava seu pescoço. Ele sorria entre suspiros quando deslizou a mão por debaixo de sua camisa. E de repente, sem nenhum aviso prévio, ela parou.
- Não. Eu não posso fazer isso. – Disse dando dois passos para trás e deixando Edward atordoado.
- Por quê? Explique-me o porquê. – Pediu ele visivelmente magoado.
- É exatamente isso que eu não posso. – Ele continuava sem entender nada. – Olhe, vamos voltar para a festa. Eu prometo depois tentar explicar tudo a você. – Prometeu o que provavelmente não poderia cumprir, e se sentiu mal por isso.
Edward balançou a cabeça tentando assimilar o que acabara de ouvir. Ele sabia que havia alguma coisa errada, mas não fazia a mínima idéia do que era. Não havia outra opção a não ser concordar com a garota que parecia nervosa. Ele praticamente correu para acompanhá-la, porque ela havia saído sem ele. Entraram na boate mais uma vez e rapidamente correu os olhos pelo ambiente a procura das amigas. Viu que Carlisle, , e Emmett estavam sentados em uma mesa, tentando conversar e bebericando o que parecia ser champanhe. Alcançou-os em menos de um minuto, com Edward em seu encalço.
- Onde vocês estavam? – Perguntou sorridente.
- Edward quis me dar um presente. – Explicou rápido.
- O que você deu a ela, meu caro irmão? – Perguntou Emmett com um sorriso maroto.
- Onde está ? – Questionou aos outros antes que eles entrassem num assunto incômodo.
- Ela estava dançando com o Jasper, mas agora eu não os vejo mais. – Disse olhando para a pista de dança. – Olha eles ali! – Apontou para o bar. – Aquele é o...
- Luke? – Completou ao ver mais um garoto ao lado de , e ao ver a amiga constrangida e Jasper emburrado.
- Coitado do Jasper. Deve estar sendo um tédio ter aquele chato do Luke atrapalhando. – Comentou .
- Ainda mais se ele inventar de dar encima dela. – Completou . – insiste em dizer que o Luke não quer nada com ela. Bem, eu sei que ela não quer nada com ele, mas eu acho que ela fica se iludindo que ele quer ser só amigo dela. – Continuou, explicando a Emmett.

X.X.X

- Você quer alguma coisa, meu caro? – Perguntou Jasper enroscando a mão na cintura de .
- Ele é meu amigo, Jazz. – Ela explicou a Jasper em voz baixa.
- É lógico que eu quero alguma coisa. Eu quero falar com a . A sós. E Quem é você? – Perguntou Luke analisando Jasper de cima a baixo.
- Jasper Cullen. – Respondeu Jasper secamente. – E você é...?
- Luke Smith. E o prazer é todo seu. – Inflamou o garoto visivelmente embriagado.
- Luke! – Reclamou , e Jasper inflou as narinas. – O que você veio fazer aqui? Você está bêbado!
- Eu não estou bêbado. – Afirmou Luke ao mesmo tempo em que quase caía tentando apoiar o cotovelo no balcão.
- Luke, é melhor você ir para casa. Você não está bem. – Pediu .
- Eu estou ótimo. Eu vim para lhe dar os parabéns. Querida, eu vim lhe entregar o meu presente. Está no meu carro. – Ele tentou ser o mais carinhoso possível, irritando Jasper.
- Tudo bem, Jasper. – Disse quando Jasper apertou um pouco a mão em sua cintura, evitando que ela saísse de perto dele.
- Qual é, Joseph! Ela quer ir comigo! Ela me conhece. Há mais tempo que você, eu presumo. Então vê se larga ela! – Disse Luke tentando manter a mão firme enquanto balançava o dedo indicador perto do rosto de Jasper.
- É Jasper. – Corrigiu o menino, levantando o braço para empurrar a mão trêmula de Luke, mas o interrompeu. Ele a olhou furioso.
- Que seja. – Reclamou Luke abaixando a mão. – , vamos comigo.
- Não vá. – Jasper disse no ouvido da garota. – Eu não confio nele.
- Eu confio nele, Jasper. – Ela disse se desvencilhando das mãos protetoras de Jasper. – Eu vou até seu carro pegar o presente e depois você vai embora, Luke. Ok?
- Por que você não quer que eu fique? O seu amiguinho aí não ia gostar? – Perguntou Luke debochado.
- Não tem nada a ver com ele, Luke. Tem a ver com você. Você não está bem.
- Mas que droga! Eu não estou Bêbado! – Disse ele alto derrubando uma taça de Martini que estava no balcão. – Desculpa, cara. Eu pago outra se quiser. – Redimiu-se ao homem de aparência corpulenta ao seu lado, e tirou uma nota da carteira oferecendo ao homem.
- Eu não preciso do seu dinheiro. – Retrucou o homem saindo de perto de Luke.
- Não tem lógica alguma você sair daqui com esse menino, que por sinal não agüenta dar dois passou sem menear a cabeça. Ele está bêbado, . Fique comigo. – Pediu Jasper numa altura que só podia ouvir.
- Jasper, eu conheço o Luke. Não vai acontecer nada. Eu vou e volto. – Respondeu ela no mesmo tom.
- Será que dá para você largar de ser teimosa e me ouvir uma vez na vida? – Reclamou ele.
- Não tente mandar em mim. Qual o problema? Eu vou com ele e está decidido. – Ela empinou o nariz.
- Você é muito cabeça dura! – Jasper falou um pouco alto demais e visivelmente irritado.
- Qual é o problema, Joseph?
- É Jasper!
- Eu já disse que tanto faz. Mas, por que não quer deixar ela ir? Está com ciúmes? – Ameaçou Luke.
- Isso não vem ao caso. – Retrucou Jasper.
- Luke, vá na frente. Eu encontro você em pouco tempo. – Disse e Luke lançou um sorriso de vitória para Jasper, que semicerrou os olhos. – Olhe, eu vou com ele. Não deve ser nada importante. Ele é meu amigo e não vai fazer nenhuma loucura. – disse olhando para Jasper depois que Luke saíra. – Eu sei que ele está bêbado. Mas eu o conheço.
- Se você quiser ir, vá. – Disse Jasper calmo e direto.
- Jasper...
- Vá. Não o deixe esperando. – Disse Jasper sério.
- Depois eu que sou a cabeça dura! – Reclamou a menina dando as costas ao garoto irritado.
- Ele não gosta de você só como amigo. – Disse Jasper puxando pelo braço. – Eu pude sentir isso.
- Você não é a primeira pessoa a dizer isso. E também não é a primeira com quem eu tenho que discordar. – Ela disse puxando o braço da mão de Jasper. – Agora me deixe ir. – E saiu batendo os pés com força até a porta da saída por onde em menos de um minuto Luke desaparecera.

X.X.X

caminhou pelo estacionamento frio a procura do carro de Luke. Encontrou o menino parado ao lado do conhecido carro, carregando uma caixa razoavelmente grande e trazendo um sorriso no rosto amarelado. Ai meu Deus! O que é isso? Pensou enquanto forçava um sorriso em sua face apática. Ela não estava feliz em ter brigado com Jasper. Mas ele provocou. Ele não tem o direito de mandar em mim. E eu conheço o Luke...Não conheço? A dúvida pairou na mente atordoada da garota. Mais do que amigo. É lógico que não. Então, Luke entregou a caixa nas mão de .
abriu a caixa sem que sua curiosidade realmente a atiçasse. Piscou os olhos e retirou da caixa alguns DVDs. Olhou para Luke com o mesmo sorriso marcado. E ela achou que se ficasse assim por muito tempo iria ter câimbra nas bochechas. Sorriso forçado é o pior que existe. Repugnou o pensamento. Ela nunca precisava forçar o sorriso perto de Luke. Ele normalmente era divertido, mas alguma coisa tinha mudado. Ela não apreciava mais tanto a presença do amigo.
- É um Box de filmes clássicos. – Comentou ele sorridente. – Eu sei que você está gostando do curso de cinema que está fazendo. Então resolvi contribuir com a sua videoteca.
- Obrigada, Luke. – Disse cordialmente. – Eu adorei.
Se tudo estivesse igual como antes, ela começaria a tagarelar sobre ter comprado um novo sistema de som e que ia adorar que ele a acompanhasse para assistir os filmes que acabara de ganhar. Mas isso nem sequer passou pela cabeça da garota. Ela queria apenas que ele fosse embora para que ela pudesse voltar e conversar com Jasper.
- Você gostou mesmo? Eu meio que fiquei na dúvida sobre quais filmes escolher. – Ele coçou a cabeça.
- Eu gostei sim. – Disse ela simplesmente.
- Você nem viu quais são os filmes! – Ele reclamou.
- Ah. – Ela observou os DVDs nas mãos. – Eu gosto de E o vento levou. – Ela sorriu.
- Você está diferente. – Revelou ele.
- Diferente? Eu? Não, é impressão sua. – Ela disse rápido.
- Tem alguma coisa diferente sim. – Ele insistiu. – Mas eu não sei o que é.
- Não tem nada errado.
- É. Talvez não. – Ele concluiu. – Você vai voltar para a festa? – Ela fez que sim com a cabeça. – Vai voltar para o tal Jasper? Você nunca me falou sobre ele.
- Ele é meu vizinho. Conheci há pouco tempo. – Explicou percebendo que dessa vez, Luke não tinha errado o nome de Jasper. E veio em sua mente a hipótese de que ele estava errando de propósito.
- Ele parece legal. – Disse.
- E mesmo assim você esfregou o dedo na cara dele. Imagina se você não o achasse legal hein? – Reclamou a menina.
- Ah, droga. Desculpa por isso. – Ele se desculpou com visível vergonha. – Eu vou embora.
- Você vai dirigindo? – Perguntou incrédula.
- Claro que sim. Meu carro está aqui, não está? – Ele balançou as chaves na mão.
- Não. Você não vai. Pegue um táxi, por favor. – Ela recomendou.
- Eu não estou bêbado, . – Disse ele dando alguns passos para o lado. – Tudo bem, só um pouquinho. – E riu.
- Deixe o carro aí e venha pegar amanhã. Vá de táxi. – Ela disse observando alguns táxis parados no estacionamento e vários motoristas conversando.
- Tudo bem. Eu vou. – Ele disse a puxando para um abraço e encontrando a caixa como barreira. – Maldita caixa. Nem um abraço em você eu posso dar. – Ele riu pelo nariz e saiu em direção ao táxi.
esperou que ele entrasse num dos carros e se encaminhou de volta para a boate. A passos lentos, pensava em o que ia dizer as garotas e a Jasper quando a vissem com uma caixa enorme nas mãos. Chegando a porta iluminada da boate, encontrou Jasper a esperando do lado de fora. Com cara de preocupado e com as mãos no bolso. Ele não sorriu ao vê-la e ela sentiu que ele ainda estava com raiva. Mas não acontecera nada demais, então ela ainda estava com a razão. Diminuiu a velocidade do passo para retardar o encontro inevitável dos olhos de Jasper com os seus. Jasper a olhava completamente sem expressão quando apontou para o carro, indicando um local para guardar a caixa volumosa.
Ela o seguiu quando ele se direcionou ao Porshe vermelho e abria uma porta. Jasper pegou a caixa das mãos de e colocou-a no banco traseiro. A garota observou Jasper trancar a porta do carro ainda sem expressão e em total silêncio.
- Desculpa. – Ela arriscou dizer.
- Desculpa pelo quê? – Ele perguntou olhando para ela.
- Por eu não ter ouvido você. – Ela explicou.
- Como assim? Ele fez alguma coisa? – Perguntou Jasper surpreso.
- Não! Francamente, Jasper, eu já disse que eu conheço aquele maluco. – Ela apressou-se a dizer. – É só que...Você parece que está com raiva de mim. E eu não gosto disso.
- Eu não estou com raiva de você. – Ele disse como se fosse óbvio. – Não poderia. Afinal você foi cabeça dura desde sempre, não é? Eu não posso mudar você. – Disse ele sorrindo. – Eu aprendo a conviver.
- Que bom, Jazz! No mesmo momento em que eu saí por aquela porta eu tive vontade de voltar. Para não ter brigado com você. – Ela revelou.
- Não se preocupe. Afinal de contas – Ele levou a mão ao colar no pescoço da menina. – a gente sempre se entende, não é?
- Fênix. – Ela disse baixinho.
- Exatamente. – Ele sorriu. – Agora vamos voltar. Devem estar nos procurando. – Ele pegou na mão da menina que dessa vez não viu a menor necessidade de relutar.
Seguiram de mãos dadas até próximo a mesa em que os outros se encontravam. e Emmett se divertiam com selinhos roubados enquanto e riam da situação. Os braços de Carlisle estavam em volta da cintura de , que se encostava a ele carinhosamente. Edward foi o primeiro a notar a aproximação de Jasper e à mesa, e sorriu ao ouvir os pensamentos desgovernados dos dois ao largarem as mãos um do outro.
- Onde é que você dois se enfiaram? – Perguntou .
- Nós vimos o Luke. – Falou . – O que ele veio fazer aqui?
- Veio me dar um presente. – Explicou . – E o Jazz foi me ajudar a guardá-lo no carro.
- O que ele te deu? – Perguntou .
- Nada demais. Só uns DVDs. – Disse dando de ombros.
- Como ele sabia que você estava aqui? – Perguntou intrigada.
- Ah, qual é! Se brincar o Luke sabe até a hora que a toma banho! – ergueu as sobrancelhas ao falar.
- Não exagera, . – Reclamou .
- Galera, eu não quero ser a estraga prazeres não, mas eu estou morrendo de sono. – Disse bocejando. – Seria muito ruim se formos para casa agora?
- Para falar a verdade, eu acho que eu também já estou cansada demais para dançar. – Disse .
- Essa noite já deu o que tinha que dar. Acho que podemos ir. – Disse . – Tudo bem para você, Jazz? – abafou uma risada ao ouvir se Jasper concordava com ela.
- Vamos. – Disse Jasper. – Você deve estar cansada.
Emmett deu mais um beijo rápido em antes de se levantarem, e logo depois disso, todos já estavam nos carros, voltando para casa. As meninas chegaram muito cansadas em casa e se jogaram nos sofás da sala, suspirando. Com certeza dormiriam ali mesmo, se isso não implicasse uma imensa dor nas costas no dia seguinte. estava tirando os sapatos quando começou:
- Eu levei o Carlisle para o compartimento de limpeza da boate. – Todas as meninas a olharam com os olhos arregalados. Ela ainda sorria.
Com certeza tinham muita coisa para conversar antes de dormir.


Capítulo treze.

Depois de ter contado todo o episódio cômico que passara no armário da salinha de desinfetantes da boate e todas as garotas gargalharem até perderem o fôlego, todas as meninas foram se organizar para dormir. Já viam o sol nascer quando finalmente deitaram cada uma em suas camas. Provavelmente dormiriam muito. foi a primeira a acordar, às 12:30 do domingo, com o bipe do seu celular indicando uma mensagem: Bom dia, minha linda! O que vamos fazer hoje? By: Emm.
Não reprimiu um sorriso ao ler e reler a mensagem. Esticou-se na cama e se levantou para acordar as outras. Bateu de leve na porta de e ouviu um gemido vindo de dentro. Direcionou-se para as outras portas, repetindo o último gesto, e em seguida correu para o banheiro quando viu que já abrira a porta do quarto. Se entrasse primeiro não haveria previsão para que ela pudesse usar o banheiro. xingou ao ver correndo, e mesmo assim sorriu. Tinha, com certeza, acordado de bom humor. abriu a porta do quarto a tempo de ver abrir a dela, com os cabelos completamente desorganizados.
- Que horas são, hein? – Perguntou atordoada.
- Já é hora do almoço. Mas eu não to com fome. – Respondeu olhando para o celular.
- Novidade você não estar com fome. – Ironizou . – Se um dia você acordar dizendo que ta morrendo de fome eu vou ter um ataque.
mostrou a língua para a garota e depois caiu na gargalhada. entrou no quarto e saiu com uma toalha nas mãos.
- Eu sou a próxima. – Informou.
- A próxima é uma ova! Eu vou entrar naquele banheiro quando sair. Sem negociações. – Disse .
- Eu não deixo a porta abrir e você não entra. – Riu .
- Como se portas trancadas me impedissem de alguma coisa. – desdenhou e se deu por vencida. Não havia nada que ela pudesse fazer para impedir a atravessadora de paredes de entrar primeiro no banheiro.
- Ao contrário de vocês duas, eu já tomei meu banho. – Riu que agora penteava os cabelos molhados enquanto olhava para as amigas, sorrindo.
- Você não pode parar o tempo assim, ! Isso é injusto! – Reclamou .
- O que você fez com a ? – Perguntou .
- Nada. Ela não tinha nem tirado a roupa ainda. Estava completamente ridícula, rindo para si mesma e se olhando no espelho. – Respondeu sorrindo.
- Depois eu é que enrolo no banheiro! – Exclamou irritada.
- Eu vou preparar alguma coisa para vocês comerem. E conseqüentemente para mim também. – desapareceu da frente das outras duas num estalo e não se demorou em comentar:
- Ela ta usando os poderes demais para o meu gosto.
- Não sei o que deu nela. Mas eu gosto dela assim. – Revelou sorrindo.
abriu a porta do banheiro deixando que o cheiro do seu xampu escapasse do ambiente.
- Isso é inaceitável. – Resmungou .
- O quê? – Perguntou sem entender.
- Você estar linda quando eu ainda estou um trapo. – Disse emburrada enquanto se dirigia para o banheiro.
entrou no seu quarto ainda sorrindo, e se sentou num banquinho que decorava o corredor de sua mais nova casa. Ela se permitiu lembrar dos acontecimentos emocionantes que lhe aconteceram na noite passada. Não conseguia parar de pensar nisso. A voz de Edward parecia caminhar pela sua cabeça, sem intensão de abandoná-la. A menos que você me dê um motivo plausível para me ignorar, eu não vou desistir. Essa frase martelava a mente de . Edward parecia muito seguro ao dizer aquilo. precisava fazer alguma coisa quanto a isso. Não podia simplesmente ignorar o fato de estar apaixonada por Edward Cullen. Não para sempre.
O almoço correu rápido e nada silencioso. As meninas pareciam sempre ter alguma coisa para contar, alguma novidade, apesar de estarem quase todo tempo juntas. ainda brigou com por nenhum motivo relevante. comeu seu habitual prato repleto de folhas e vegetais, sob as caras e bocas de repugnância de .
- O que vamos fazer hoje? – Perguntou as amigas, depositando seu prato vazio na pia de lavar louças.
- Eu não sei. – Disse . – Eu estava pensando em...De repente a gente podia chamar os Cullen para uma sessão cinema aqui em casa. Alguém contra?
- Perfeito, . – Disse sorridente. – De onde você tira essas idéias fantásticas?
- Elas moram todas aqui dentro, . – sorriu apontando para a própria cabeça.
- Convencida. – Disse mostrando a língua para a amiga.
- Convencida ou não, a idéia foi minha. – Esclareceu . – Agora, sem mais delongas, vamos arrumar essa casa.
- Ai, que saco. – Reclamou . – Quando eu vou me livrar disso?
- Quando ficar rica e contratar uma empregada. – Respondeu que já acabara de comer.
- Sim, , antes de você ir lavar o banheiro... – Começou .
- Banheiro não! – Implorou a menina, mas a amiga fingiu não ouvir.
- Ligue para o Emmett. Chame todos. Eu não vou ligar porque meu celular ta desligado. – Disse .
- Ah, tudo bem. Esperem só um segundo e tudo estará pronto. – pegou o celular do bolso do casaco que vestia. – Estou morrendo de saudades. Eu também, Emm. Foi exatamente por isso que eu liguei. Eu posso ir aí? Não, querido, ainda não. Sabe, não gosta que os outros vejam nossa casa desarrumada, então, a gente vai ter que fazer uma faxina. Ah, entendo. Então quando eu vou poder te ver? Hoje ainda, é claro. Bem, a quer estrear o novo sistema de som dela, então ela resolveu chamar todos vocês. Vocês querem vir? É claro que nós vamos, minha linda. Nunca perco a oportunidade de estar perto de você. - ficou vermelha com o carinho de Emmett. As meninas abafaram risinhos enquanto ouviam toda a conversa, grudadas ao telefone. – Tudo bem, Emm. Então...Venham às 18:00. Nós estaremos prontas. - Eu te amo, sabia? ficou muda do outro lado da linha. ? Você ainda está aí? – Perguntou Emmett preocupado, ainda que rindo. – Estou. Emmett, eu...Eu...Eu também te amo. – Emmett riu pelo nariz e desligou o celular.
- Ahhhhhhhhh...Que bonitinho. – Explodiu olhando completamente vermelha sentada em sua cadeira.
- Minha linda! – Caçoou .
- Nunca perco a oportunidade de estar perto de você. imitou Emmett.
- Esses Cullen são tão românticos. – Disse sonhadora. – E lindos, e carinhosos, e perfeitos, e cavalheiros, e...Ai, é tanta coisa. – Concluiu sorrindo e todas as outras a acompanharam, menos , que permanecia em silêncio.
- Meu Deus... – Disse devagar.
- O que foi, ? Que cara é essa? – Perguntou .
- Eu o amo. – Ela disse ainda em voz baixa.
- Dã!! É claro que você o ama. Ele também, você não ouviu? – Riu .
- Ouvi, mas...Meu Deus! Eu o amo! Mais do que podia imaginar! Eu nunca senti isso! – agora estava desesperada.
- Calma, . Isso ainda é uma coisa boa, não? – Perguntou .
Eu sabia. Não é só um namoro. Oh Meu Deus, e agora? Isso pode estar indo longe demais. Os pensamentos vagavam pela mente de sem coerência. Com certeza a entrada triunfante dos Cullen na vida dessas meninas, que já tinham muito com o que se preocupar – tentavam com todas as forças se proteger da Companhia, escondendo de todo e qualquer humano normal seus poderes extraordinários -, tinha mudado completamente o modo como elas agiam e pensavam. Elas não imaginavam que em algum momento de suas vidas, pudessem acreditar e amar uma outra pessoa com tal intensidade. As histórias de contos de fadas e amores para uma vida toda não tinham muito crédito na vida atordoada que elas levavam. Elas viviam cada momento como um só, nunca, jamais se permitiam apaixonar. Mas talvez isso não fosse uma questão de escolha. Existem coisas na vida que esperam o exato momento para acontecer e mudam completamente a vida dos envolvidos.
Depois do almoço, as meninas dividiram entre si os trabalhos domésticos. , se dando por vencida, lavou o banheiro, mas ainda assim, obrigou as outras a ouvir suas duras críticas sobre ter que limpar a privada. era a que menos ouvia o que tinha a dizer, pois continuava no primeiro piso, lavando os pratos e organizando a cozinha. mandava fechar a boca de cinco em cinco minutos, ao mesmo tempo em que espalhava cera líquida no chão da casa com um pano. procurou rápido enfiar os fones de ouvido na orelha, no instante em que começou a limpar as dezenas que vidraças da casa.
A tarde passou rápida e silenciosa, pois todas se ocupavam de algum afazer doméstico. exigiu o banheiro primeiro, porque afinal de contas, fora ela que passara horas e horas trancafiada naquele lugar, tentando deixá-lo limpíssimo. Mesmo revirando os olhos, as meninas concordaram com a loirinha que fervilhava ao dizer isso. Tomaram banhos rápidos, e se apressara em fazer pipocas doces e salgadas para assistirem ao filme. a ajudara com as bebidas e tudo estava devidamente organizado quando os Cullen tocaram a campainha anunciando a sua chegada.
abriu a porta com um sorriso triunfante, e se jogou rápido nos braços de Emmett. Ficaram abraçados e dando selinhos estalados até que ouviram os outros pigarreando. ficou completamente vermelha ao dizer aos meninos que entrassem. Edward riu do embaraço da garota e subiu com os outros para a sala de vídeo. Emmett e , ao perceberem que estavam sozinhos na sala de estar da casa, entregaram-se quase que imediatamente a um beijo cheio de saudade e paixão.
sorriu docemente para Carlisle quando o viu apontar no topo da escada, e não demorou a puxá-lo para sentar-se ao seu lado num sofá de dois lugares. e sentaram-se lado a lado no enorme sofá em forma de “L” e Jasper sentou ao lado de . ficou completamente desesperada quando Edward a olhou, antes de escolher um lugar para sentar-se.
Edward, não se sente aí. Você não escuta os pensamentos dela, mas eu consigo saber o que ela está sentindo. E ela está nervosa. Ela precisa de um tempo para pensar. Jasper se comunicou com o irmão em silêncio. Edward, a contragosto, sentou-se ao lado de Jasper e esperou que e Emmett subissem.
- O que vamos assistir? – Perguntou Carlisle quando viu Emmett puxar para sentar-se no seu colo, num pequeno sofá.
- Podemos escolher entre um filme clássico e um moderno. – Esclareceu .
- Pode escolher, . – Disse Jasper.
- Tudo bem então. Eu sou fã de clássicos, então... – se levantou e correu a ponta dos dedos na estante que guardava toda sua coleção de DVDs. – Tem problema se for de terror?
- Acho que não. Você não tem medo, não é querida? – Perguntou Emmett carinhosamente a .
- Você deve estar brincando. Eu sou a mulher sem medo. – Ela respondeu rindo para o garoto.
- Tudo bem. Então...Poltergiest. – Revelou colocando o DVD no aparelho.
O filme se passava calmamente, e Carlisle roçou os dedos frios nos braços de ao ver que era se eriçava ao ouvir a frase mais marcante do filme: Venha para a luz, Caroline. Ela sorriu e isso apenas fez com que ele a abraçasse mais. Os olhos de brilhavam a cada cena eletrizante do filme e Jasper sorriu ao sentir sua empolgação. Ela estava completamente absorta no filme quando o som da campainha soou, atrapalhando a todos, inclusive Emmett, que parecia dar mais atenção à orelha de do que ao filme.
- Quem será que veio atrapalhar a festa? – Bufou .
- Calma, eu vou ver quem é. – Disse se levantando e se dirigindo à varanda. – Podem continuar a assistir.
olhou para a rua, de cima, e reconheceu um carro prateado estacionado na frente de sua casa. Voltou para sala sem muito entusiasmo e perguntou:
- Quem é?
- Luke. – Disse calma e sem expressão.
- O que ele quer, pelo amor de Deus? – Rugiu .
- Ele quer que eu desça para falar com ele. – Explicou a garota.
- Mas você não vai, certo? – Insinuou Jasper.
- Bem, ele disse que é rápido. – Disse coçando a nuca.
- Ele é realmente muito inconveniente. – Disse . – Nunca gostei dele.
- Eu sei disso, . Não precisa ficar divulgando isso o tempo todo. – Reclamou .
- Diga que está ocupada. – Sugeriu .
- Eu não quero que você vá. – Disse Jasper sério.
Ele acabara de fazer o que mais odiava que qualquer um tentasse fazer: Dar ordens a ela. Ela inflou o peito ao ouvir o tom de Jasper e não se demorou em dizer:
- Eu vou. – Disse clara e sonora.
- Fique aqui. – Jasper insistiu.
- Não tente mandar em mim. – Ela reclamou. – Eu vou.
Jasper respirou fundo e vendo que não tinha como discutir com ela, abandonou boa parte da raiva que sentia antes de falar:
- Faça o que achar que é certo. – Finalizou.
desceu as escadas sem olhar para trás e abriu a porta para Luke. reprovou mentalmente a atitude da amiga, mas não disse nada. Luke abriu um sorriso amarelo ao ver abrir a porta.
- O que você veio fazer aqui? – Ela perguntou rápido e logo percebeu que estava sendo grossa com Luke sem motivo algum. Luke não pareceu perceber a hostilidade na voz da menina.
- Eu vim lhe pedir desculpas. – Ele disse.
- Desculpas pelo quê exatamente? – Perguntou ela sem entender.
- Por ter aparecido bêbado ontem na boate. – Ele esclareceu.
- Ah. Tudo bem. Eu nem me lembrava mais. – Ela disse percebendo que, para ela, a noite anterior tinha acontecido há séculos.
- Sabe, eu tinha bebido um pouco além da conta porque...Bem, eu tentei vir te dar o presente aqui na sua casa, mas não tinha ninguém. – Ele começou. – Então eu liguei para o celular do seu pai. Mas estava fora da área. Então eu resolvi ligar para o celular da mãe de . Eu sabia que vocês provavelmente estariam juntas, já que o aniversário de vocês é no mesmo dia. Daí, a mãe dela disse que vocês tinham ido àquela boate com uns amigos novos. – Ele abaixou o tom de voz. – Então eu não sabia mais o que fazer. Eu não ia aparecer lá, não era a minha intenção, mas... – Ele respirou fundo. – Como você sabe, eu bebi um pouco além da conta, e você me conhece, eu faço bobagens quando estou bêbado. – Ele sorriu fraco e imediatamente concordou com ele, se lembrando do dia em que Luke, bêbado, acordara todo mundo da casa dele, batendo panelas e gravando um vídeo, durante uma viagem de férias, há dois anos. se lembrava de o quanto o pessoal da casa quis bater nele e ela teve que defendê-lo. – Então, me desculpa, . Por favor.
- Tudo bem, Luke. Não tem mais importância. – Ela falou sem interesse.
- , você sabe que eu só bebo quando to tentando tomar coragem para fazer alguma coisa, não sabe? – Ele perguntou devagar.
- É. Eu sei. – Disse ela confusa.
- Bem, você não tem um palpite sobre para quê eu precisava de coragem ontem? – Ele continuou.
- Eu acho que...Não. – Ela deu um passo para trás.
- , nós somos amigos há muito tempo, e... – Ai meu Deus! O que ele ta fazendo?! Pensou dando mais um passo para trás e topando com o muro da casa. – E eu nunca tive coragem para te dizer isso, mas... – Luke apoiou as mãos no muro, na altura do rosto de , forçando-a a olhar para ele e sem ter como se mexer. – Eu encontrei coragem para mostrar. – Disse se aproximando perigosamente do rosto de . Tentando afastar toda a surpresa e repulsa que sentia naquele momento, buscou toda a concentração que guardava dentro de si e conseguiu parar o tempo.
Ela olhou para o Luke que jazia imóvel na sua frente com os olhos quase fechados e se esgueirou para sair da posição. Posicionou-se ao lado dele, completamente desesperada, e sentiu grossas lágrimas despencarem de seus olhos.
- DROGA! DROGA! DROGA! MAS QUE MERDA, LUKE! – Ela gritava descontrolada olhando para Luke petrificado. – POR QUE VOCÊ TENTOU FAZER ISSO, SEU IDIOTA?! – Ela respirou fundo três vezes antes de encontrar uma razoável solução.
Ela precisava acabar logo com aquilo. Forçou a mão de Luke a se afastar do muro, para que quando o tempo voltasse a correr normalmente ela pudesse virar o rosto e sair de perto dele. Voltou à posição de onde tinha saído, sentindo um nojo quase incontrolável ao ver a expressão desvairada de Luke. Enxugou as lágrimas do rosto e destravou o tempo.
Luke ainda conseguiu encostar o nariz no de antes que ela saísse desesperada da posição indefesa. Luke olhou-a confuso e ela ainda gritou um “Você não devia ter feito isso” e bateu a porta da casa o deixando do lado de fora, pasmo.
subiu as escadas correndo e incapaz de controlar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, se deixou soluçar. Não titubeou em correr direto para o seu quarto e não falar com mais ninguém que estava na sala.
, Jasper e Edward viram o vulto de adentrar a porta de madeira do próprio quarto e ficaram preocupados. Jasper fez menção de levantar, mas Edward o segurou, enquanto ouvia os pensamentos desordenados de .
- Converse com ela, . Acho que ela precisa de você. – Recomendou Edward olhando para .
A menina assentiu e se levantou do sofá, deixando os outros sem entender nada do que acontecera. andou devagar até a porta do quarto de , e viu que a garota chorava apertando uma almofada contra o peito. se aproximou da amiga e se sentou na cama, ao lado dela. Deu leves palmadinhas no ombro da garota, que soluçava.
- O que aconteceu? – Perguntou cautelosa.
- O Luke...Aquele imbecil...Ele... – fez uma cara de reprovação quando se lembrou da cena. – Ele tentou me beijar! – Gritou.
- Calma, calma. – encostou a cabeça da amiga no próprio ombro, acariciando seus cabelos. – Todas nós sabíamos que isso era uma questão de tempo.
- Como eu fui burra. – Disse .
- Não. Você só não quis enxergar o óbvio.
- Burra, burra, burra, burra... – Sussurrava chorando.
- Não seja tão dura consigo mesma. Veja pelo lado bom, agora você sabe da verdade. – tentou animar a garota.
- Eu preferia continuar sem saber. – enxugou os olhos e olhou para .
- Ah, qual é! É sempre melhor saber da verdade.
- , não foi o seu melhor amigo que tentou te beijar. – Disse .
- Como assim? Ele não conseguiu? O que você fez? – Questionou .
- Eu parei o tempo, xinguei o máximo que pude aquele idiota, mudei levemente a posição dele, destravei o tempo e depois corri. – Disse .
- Garota inteligente! – gargalhou e a acompanhou. – Finalmente disse umas verdades para aquele ridículo.
conseguiu sorrir enquanto dizia algumas barbaridades sobre Luke, e logo depois, um rosto conhecido adentrou o quarto, depois de ter batido três vez com o nó do dedo indicador na porta.
- Você está bem? – Perguntou Jasper.


Capítulo quatorze.

Por alguns milésimos de segundos após a voz de Jasper entoar o local com timbres melodiosos, e se encaravam. entendia que a expressão da amiga trazia consigo um ligeiro medo e desespero contido, e ela sabia exatamente o porquê de tal reação. Queria explicar tudo à outra garota antes de falar com Jasper, por isso, mais uma vez, abusou do seu poder. Piscando os olhos com calma, avisou a que ela já podia falar sem ser ouvida por mais ninguém, pois o tempo não mais andava cronologicamente. se remexeu na cama inquieta antes de se pronunciar com a pergunta óbvia:
- Ele nos ouviu? – Ela perguntou mesmo com medo da resposta. Ela sabia que o maior segredo da vida delas estaria perdido se alguém as tivesse ouvido.
- Impossível. – Respondeu calmamente.
- Mas ele está bem aqui na porta do seu quarto! Ele pode ter ouvido... ouvido o seu segredo! E se ele entendeu?! Estamos perdidas! – se desesperava na cama, ao mesmo tempo em que passava as mãos nos cabelos, afastando-os do rosto.
- Você acha mesmo que eu seria tão descuidada?! – Indignou-se . – O tempo é minha especialidade, querida. Ele não correu muito durante nossa conversa, digamos assim. – Ela esperou que a amiga entendesse.
- Você parou o tempo pra me contar isso? – implorava por uma resposta positiva em suas palavras.
- Claro que sim. – A outra lhe respondeu como se fosse óbvio. – Ninguém no universo inteiro poderia nos ouvir.
Houve um momento de silêncio, um momento que ninguém poderia dizer por quanto tempo, já que não era uma unidade que se pudesse usar quando se tratava de .
As duas puderam ouvir o alívio emanando pelos poros de , junto com uma respiração pesada, então ela abaixou a cabeça e agradeceu em silêncio.
- Não se preocupe. – Disse , confortando-a.
- Espera... ainda tem uma coisa... – ergueu a cabeça e transparecia confusão e dúvida. – Como Jasper está na porta?!
- É exatamente isso que me deixou curiosa. – Refletiu . – Ele foi... muito rápido. – Falou franzindo o cenho e logo pôde ver que sorria pelo canto da boca. – O quê?!
- Ele está preocupado com você. Deve ter vindo correndo atrás de mim. – A garota sorriu mais abertamente.
- Ah... não enche! – fechou a cara irritada.
- Mesmo assim eu não sabia que ele podia ser tão rápido. – coçou o queixo, mas mudou a expressão logo em seguida, reassumindo a posição divertida. – Contudo, se trata de você. Algo me diz que ele é capaz de ser mais rápido que o normal quando se trata de você. – Sorriu e apertou a bochecha da amiga carinhosamente.
- Cala essa boca! – A raiva de apenas alimentou o divertimento de . – Eu vou destravar o tempo, cala a boca de verdade.
A garota prendeu o riso e enxugou os vestígios de lágrimas desobedientes e infantis do rosto, se levantou da cama ao ver que mais uma vez piscara os olhos levemente, avisando-a. Olhando-se por uma última vez, soltou uma piscadela para a amiga que lhe devolveu um dedo médio com cara de ódio.
- Eu vou deixar vocês conversarem. – Disse saindo do quarto e deixando a porta entreaberta.
Jasper andou devagar e sentou-se no exato lugar em que em menos de um minuto, sentava. Ao ver que ainda enxugava os olhos que estavam vermelhos, ele tornou a perguntar:
- Você está bem? O que aconteceu? – Ele perguntou calmo.
- O Luke...Ele... – respirou fundo e viu que não tinha outra saída a não ser dizer a verdade. – Ele tentou me beijar.
- O quê?! – Jasper aumentou o volume da voz.
- Eu não deixei. – Ela apressou as palavras.
- Bem, eu disse que não confiava nele. – Ele se acalmou.
- Sim, você disse.
- E também pedi para que você ficasse.
- Sim, você pediu.
- E disse que ele gostava de você mais do que como amigo. – Ele continuou.
- Você vai mesmo querer ficar jogando isso na minha cara?! – Ela rugiu.
- Bem, eu não posso te dar a razão. Não quando eu que estou certo. – Ele estava calmo.
- Mas que droga! O que você quer? Que eu me ajoelhe aos seus pés e peça desculpas?! – Ela estava falando muito alto.
- Não, . Eu não quero. – Ele cruzou os braços no peito ao dizer isso. E entendeu que isso não era um bom sinal. Se ela continuasse, provavelmente eles começariam um grande briga.
- Ai meu Deus. Desculpa, Jazz. – Ela abaixou a cabeça. – Você tinha razão. Eu sou muito idiota, mesmo.
- Oh , você não é idiota. Nem perto disso. – Ele levantou a cabeça dela com a ponta dos dedos. – Mas confesso que você massageia meu ego toda vez em que está errada e me pede desculpas. – Ele riu e lançou-lhe um olhar indignado, mesmo prendendo o sorriso que queria sair de seus lábios.
A garota, embora já tivesse desistido de não sorrir, começou a dar vários socos nos braços e peito de Jasper, que sorrindo tentava se defender. Jasper lutou contra as mãos de que se movimentavam com uma incrível rapidez, a fim de prendê-las. se viu completamente sem movimentos quando Jasper uniu seus pulsos e rindo a empurrou para trás. Jasper fez com que deitasse na cama e caiu completamente por cima dela. As mãos da garota ainda estavam sobre sua cabeça e Jasper ainda as segurava fortemente. O rosto dos dois estavam indescritivelmente próximos um do outro. Jasper organizou todos os pensamentos que dançavam em sua cabeça no instante em que sentiu o peito de inflar embaixo do seu.
- , eu...Eu acho que não consigo mais esconder. Não quero mais segurar. – Ele começou. – Eu quero você para mim. Talvez seja o instinto mais egoísta que eu tive na vida, mas eu não consigo evitar. Eu podia fazer com que você quisesse. Mas não seria justo. Eu quero que você diga. , diga o que você sente por mim. – Ele esperou até que a garota abrisse a boca para falar.
- Eu...Eu...Não...Consigo...Respirar. – Disse arfante.
Jasper se levantou imediatamente de cima da garota, completamente frustrado e se sentou em silêncio na cama, encostando as costas na parede e apoiando a cabeça nas mãos, sem olhar para a garota. ficou alguns poucos segundos deitada na cama, sem realmente saber o que fazer. Ela se sentou devagar, e percebendo que Jasper mantinha a cabeça baixa e não a olhava mais, decidiu falar.
- Jazz...
- Não precisa explicar. – Ele a cortou.
- Eu não quero explicar. Olhe para mim, por favor! – Ela pediu exigente, e o garoto lhe direcionou os olhos instantaneamente.
- Oh meu Deus. – Ela suspirou. – Você quer saber o que eu sinto por você? Ah, que se dane o mundo! Eu vou te mostrar agora o que eu sinto por você.
E reunindo toda a coragem que guardada dentro dela, jogou a perna por cima do corpo de Jasper, que a olhou surpreso enquanto a menina se sentava no seu colo, de frente para ele. Sem deixar que Jasper dissesse ao menos uma palavra, apoiou as mãos na nuca do garoto e comprimiu seus lábios nos dele. Pedindo passagem, roçou levemente sua língua na de Jasper, ao mesmo tempo em que puxava os cabelos loiros do garoto. Jasper finalmente entendeu que o que acabara de fazer tinha sido real, e agarrou a cintura da garota com as duas mãos, fazendo com que seu corpo ficasse completamente colado ao dela. E com toda a felicidade perpassando por seu corpo, Jasper deixou suas mãos passearem por debaixo da blusa de , que estava colada ao corpo dela. suspirou com o toque das mãos de Jasper em suas costas e sua barriga. Descolando os lábios dos de , Jasper procurou rapidamente o pescoço da garota, beijando-o incessantemente. estava completamente ofegante quando afastou seu rosto do de Jasper e ainda acariciando os braços fortes, que prendiam seu corpo tão delicadamente, falou:
- Quando você chega perto de mim, meu coração dispara. Quando você me olha, minha respiração descompassa. Quando você me toca, todos os meus pêlos se eriçam. E acabo de descobrir que quando você me beija, nós dois somos um só. – Ela encostou o seu nariz no de Jasper. – Desejo. Paixão. Amor. É isso que eu sinto por você, Jasper Cullen.
Jasper sorriu incapaz de esconder toda a felicidade que parecia emanar por todos os seus poros, pegou pela cintura e a levantou carinhosamente, movimentando-a devagar e deitando-a na cama, fazendo uma réplica da posição em que acabavam de estar. Deitado mais uma vez em cima dela, ele depositou vários selinhos na boca ligeiramente avermelhada de .
- Eu amo seus olhos. – Disse Jasper vagando com a ponta dos dedos, o rosto da garota. – Eu amo seu nariz. Amo sua boca. Amo esse sinal que você tem no queixo. – Ele sorriu ainda deixando seus dedos caminharem. – Eu amo seu pescoço. Amo seus ombros. Eu amo cada parte do seu corpo, desde os seus cabelos até o seu dedo mindinho. , eu amo você.
Dizendo isso, puxou-o pela nuca para mais um longo beijo. A mão de Jasper transcorria a cintura e o quadril de , ao mesmo tempo em que ela lhe mordia a orelha. sentiu alguns pingos caírem em seu rosto, e Jasper falou:
- Olha só que novidade, está chovendo. E sua janela está aberta. – Ele se apoiou nos joelhos para se levantar e fechar a janela, mas o puxou de volta.
- Eu gosto da chuva. – Ela disse beijando o pescoço do garoto.
- Mas você pode ficar doente. – Ele disse.
- Eu tenho um bom sistema imunológico. – Ela falou, e Jasper sorriu quando ela levantou a camisa dele com as mãos.
- Ainda assim eu prefiro não arriscar. – Ele se levantou e ela fez cara de criança emburrada. – Não faça essa cara.
- Pode fechar a janela, mas eu ainda quero ver a chuva. – Ela disse e ele ficou sem entender. – Tem um lugar aqui em casa, para onde eu vou quando quero ver a chuva.
Jasper fechou a janela e logo em seguida foi puxado por pela mão. Ela saiu do quarto e olhou de relance para a sala. Viu Edward sorrindo e lançando a ela um olhar cheio de subentendidos. Ela sorriu de volta para Edward e piscou um olho para , levando Jasper para longe dali. Jasper ainda não sabia para onde o levava quando começou a subir uma escada espiralada. Ele nem ao menos tinha prestado atenção que aquela escada existia.
Jasper olhou admirado para o lugar em que se encontrava. Definitivamente era um sótão. sorriu para ele e lhe largou a mão, andando na frente. Jasper observou o belo lugar minuciosamente, e constatou que tinha cheiro de livro. Seguiu ao ver que ela se sentara em num sofá vermelho que parecia ridiculamente pequeno no imenso sótão. Ele sentou-se ao lado dela e observou a grande placa de vidro que jazia inclinada na sua frente, como uma extensão da parede incomum. A água da chuva deslizava sobre ela, fazendo desenhos indiscerníveis.
- Por que você nunca me mostrou esse lugar? – Perguntou Jasper.
- Digamos que eu não me sentia confortável em mostrar a você o meu recanto. – Ela sorriu. – Eu procurava não deixar meus olhos se encontrarem com os seus. Mostrar para você esse lugar, que significa muito para mim, seria não resistir. Não resistir a você.
- Mais um motivo para você ter mostrado antes. – Ele falou. – O que você faz aqui?
- Bem, eu sempre venho aqui sozinha, para escrever. Eu gosto de escrever olhando a chuva. Assim como gosta de pintar sentindo cheiro de grama e terra molhada, entende?
- Acho que sim. É uma bela inspiração. – Ele disse se levantando e olhando um monte de papéis rabiscados numa mesa.
- Eu gosto desse vidro. – Ela falou quando pôs a mão na vidraça em que a chuva escorria. – Ele é frio. Às vezes eu venho aqui só para tocá-lo. É como se ele me fizesse bem.
- Eu gosto do sol. – Disse Jasper se aproximando de . - E ele é quente. – Ele disse laçando a cintura de com os braços. – Como você, quando eu chego perto assim. – Ele sorriu e a beijou.
E por um tempo incontável, os dois ficaram no sótão, se beijando e olhando a chuva. Eles não tinham pressa em se juntarem aos outros. A vontade deles não impediu que a voz de chegasse aos seus ouvidos, vinda do andar de baixo:
- ! Jasper! – Ela chamava. – Seja lá o que vocês estiverem fazendo aí em cima, parem agora. Pelo amor de Deus, eu sei que vocês estão aí em cima!
- O que foi? – Perguntou no topo a escada que levava ao sótão.
- Querida, o filme já acabou. Isso significa que os garotos vão embora. Inclusive esse que ta trancado aí com você. – Disse .
- Ai , não seja inconveniente. – sorriu. – Nós já vamos descer.
sorriu marotamente para a amiga e voltou para a sala, para se juntar aos outros que agora conversavam.
- Gostaram do filme? – Perguntou Emmett a Jasper e . – Sabe, teve uma hora que eu achei que você não estavam mais aqui. – Ele sorriu e todos o acompanharam.
- Não enche, Emmett! – Brandiu Jasper.
- Calma, Jazz. – pegou o braço do garoto.
- Bem, vamos embora. Já é tarde e todos temos trabalho e faculdade amanhã. – Disse Carlisle se levantando.
As meninas acompanharam os Cullen até a saída da casa e se despediram carinhosamente. evitou chegar muito perto de Edward, que há poucos segundos atrás, tinha lhe pedido explicações sobre a noite passada. Ela precisava fazer alguma coisa. Assim que os meninos entraram no casarão iluminado, fechou a porta e se virou para três rostos sorridentes e sonhadores.
- Precisamos conversar. E é um assunto muito sério. – Disse ela arrancando imediatamente os sorrisos das amigas e substituindo-os por expressões preocupadas.


Capítulo quinze.

deixou que as meninas olhassem-na preocupadas por mais alguns segundos e em seguida adentrou a casa. , e olharam para a garota que estava visivelmente perturbada e não hesitaram em seguí-la. subiu as escadas e entrou no próprio quarto, deixando a porta aberta para que as outras entrassem. se sentou ao lado de na cama, enquanto e acomodavam-se num pequeno sofá branco.
- O que foi que aconteceu para você estar com essa cara? – perguntou a .
- Eu não sei por onde começar. Não sei qual vai ser a reação de vocês. – passou a mão nos cabelos.
- Respire fundo e conte tudo o que está pensando. – Pediu .
obedeceu a e se demorou um pouco para decidir por onde começar.
- Há uns dias atrás...Eu e o Edward fomos buscar a na faculdade. – As outras permaneciam em silêncio. – Nessa ocasião, bem...Nós nos beijamos.
- Como é? E você não nos contou nada? – Perguntou .
- Desculpa. Mas é que...eu não consegui me entregar completamente. – Disse .
- Por quê? – questionou.
- Eu sentia que o estava enganando. Eu não sou uma humana normal, não é? Então, eu não conseguia beijá-lo sem imaginar que estava escondendo algo. Ele não sabe quem eu sou. Eu não posso fazer isso com ele. – se maldizia.
- Mas você gosta dele, não gosta? – Perguntou devagar.
- Esse é o problema. Eu gosto demais dele! Se fosse uma coisa passageira, bem...eu conseguiria. Mas vocês têm que entender que...Eu não posso mentir para o Edward. É mais forte do que eu.
- Eu entendo o que você quer dizer. – Disse baixinho. – E não é porque os seus sentimentos estão interferindo nos meus, eu quero isso deixar bem claro. Eu não queria ficar com o Jasper exatamente por causa disso. Mas, não consigo segurar. Eu...Eu o amo.
- Eu sei, . E eu realmente admiro você por ter conseguido jogar tudo para o alto e se entregar ao seu amor. Mas, eu não consigo!
As meninas se entreolharam e o pensamento inevitável passou pela cabeça delas. Amor e mentiras não são duas palavras que exatamente combinem.
- O que você quer dizer, ? – Disse .
respirou fundo, piscou os olhos lentamente e falou:
- Eu quero contar. Contar a verdade.
- Você o quê?! – Disse . – Todas nós sabemos que isso é terminantemente proibido e inadequado a todo aquele que quer se proteger da companhia.
- Meninas, eu estou infeliz. – Revelou deixando uma lágrima escorrer pelo seu rosto. – Eu preciso do Edward.
- Eu concordo. Eu concordo em dizer a verdade. – Disse , e todas as outras a olharam.
- Eu não sei se é seguro. – Disse oscilando.
- Isso é uma questão de confiança. O que nos impede de contar? A companhia? Como ela vai saber que nós contamos? Não há como saber. – Disse .
- A menos que eles contem a mais alguém. – Disse .
- Eu confio no Emmett. Ele não faria isso. – respondeu confiante.
- Eu sei. Eu devo estar maluca. Mas a idéia me parece convidativa. – Comentou .
- Está vendo, ? Se até a concorda, eu acho que deveríamos contar. – Disse .
- Se eu não contar eu não vou conseguir olhar para o Edward sem me sentir uma mentirosa imunda. – Disse enxugando os olhos. – E eu vou sofrer mais ainda se não puder mais nem olhar nos olhos dele.
- Oh meu Deus! Isso é muito perigoso. – Disse passando as mãos no rosto. – E além do mais, qual vocês acham que vai ser a reação deles ao saber que estão namorando aberrações?! Vocês acham que eles ainda iriam nos querer? Eu tenho medo.
- Vai mais além do medo, . É um passo inegavelmente grande. Talvez maior do que nossas pernas podem dar. Temos que nos perguntar se é isso mesmo que nós queremos. – esboçava preocupação.
- A pergunta correta a se fazer é: Nós os amamos? Faríamos qualquer coisa por eles? Daríamos a vida por eles? – Perguntou pensativa.
- , uma coisa eu posso lhe dizer com toda a franqueza que há dentro de mim: O que eu sinto pelo Edward é mais forte do que qualquer coisa que um ser no mundo inteiro pode sentir. – Revelou . – Agora me diga: Você ama o Carlisle?
engoliu seco ao ouvir aquela pergunta. Era, com certeza, a pergunta mais importante que alguém já lhe fizera na vida. O tipo de pergunta em que não há outra resposta a não ser a verdade.
- Mais do que eu poderia imaginar ser capaz. – Respondeu finalmente.
deixou que uma faísca de esperança brotasse em seu rosto em forma de sorriso. Um alívio imenso tomou conta do corpo de e ela enfim podia voltar a respirar normalmente. estendeu as mãos para as amigas e logo estavam todas de mãos dadas esboçando leves sorrisos carregados de sinceridade. A lágrima que agora passeava pelo rosto de , não mais era de desespero.
- Quando contamos? – Perguntou .
- Amanhã. Não posso esperar muito mais tempo. – Respondeu . – Eu não agüento mais mentir...
- Para ela! – Edward completou a frase enquanto os irmãos o olhavam. – Precisamos contar a verdade. O plano de apenas “nos relacionarmos” foi por água abaixo. Eu me apaixonei. Ela precisa saber da verdade. Elas têm o direito de saber.
Os quatro Cullen tinham saído para caçar logo depois do fim da sessão-cinema na casa das garotas. Edward fizera todos pararem no meio do mato, antes de começarem a caçar, para conversar sobre o assunto delicado.
- Você não acha que elas iam acabar morrendo de medo? – Disse Emmett assustado. – Eu não suportaria ver a com medo de mim.
- Emm, você concorda que desse jeito não vamos chegar a lugar nenhum? A quem estamos enganando? Nós estamos apaixonados!
- Isso é irônico. Vampiros apaixonados. – Disse Jasper.
- Você discorda? – Perguntou Edward ao irmão.
- Eu nunca disse isso. Eu não nego que amo . – Explicou Jasper. – É só...Estranho.
- Edward, eu não acho bom contarmos. – Disse Carlisle. – Elas são humanas, e nós...Nós vamos condená-las se dissermos que somos imortais.
- E se não contarmos estaremos condenando a nós mesmos. Por tempo indeterminado. – Disse Edward. – O que você sugere que façamos agora?
- Nós erramos. Erramos em concordar em conhecê-las. Não devíamos ter interferido. Não temos o direito de interferir na vida delas. São só adolescentes! – Rugiu Carlisle.
- Você acha que devemos... – Começou Emmett.
- Nos afastar. Para não aumentar o estrago. – Concluiu Carlisle.
- Não! – Brandiu Jasper. – Eu não suportaria! Eu preferiria deixar de existir a fazer isso.
- Jazz, isso é um ato de puro egoísmo. – Alertou Carlisle.
- Que seja! Eu a amo! Você não vai me convencer a fazer isso! – Jasper gesticulava irritado. – Você teria coragem de deixá-la? Sabendo que ela vai sofrer?
- Eu nunca a faria sofrer, Jasper. – Disse Carlisle rispidamente. – Eu só acho que estamos enganando uns aos outros. Quanto tempo duraria nossa felicidade? Você a transformaria? A condenaria por egoísmo, Jasper?!
- Elas têm o direito de escolha, Carlisle! Não podemos nos afastar e deixá-las sofrer, sem nenhuma explicação. – Jasper ainda estava furioso.
- Nós estamos enganando elas. – Carlisle abaixou a cabeça.
- Podemos consertar isso, Carlisle. Podemos contar. – Sugeriu Edward. – Eu não posso mais mentir.
- Eu quero contar. – Disse Emmett. – Não vejo outra saída.
Carlisle tamborilou um tronco de árvore ao mesmo tempo em que decidia o que era certo a se fazer. Os outros três, que já haviam decidido o que era mais correto a se fazer, apenas esperavam que Carlisle se pronunciasse. O silêncio emanava no meio da floresta, e havia uma tensão tão densa entre os vampiros que era quase palpável.
- Tudo bem. Vamos ver no que isso vai dar. – Disse Carlisle por fim. – Eu não consigo imaginar a hipótese de existir sobriamente longe de .
- Eu sabia! Isso é um alívio para mim, sabiam? Vocês não sabem o peso que tiraram da minha mente concordando com isso. – Edward deixou que o ar lhe escapasse rapidamente, a medida em que via o sorriso no rosto dos irmãos, e também no de Carlisle.
- Nós sabemos, Edward. Pode acreditar que nós sabemos. – Disse Jasper sorrindo levemente.
- Bem, agora que já está tudo decidido e ninguém tentou se matar, me dêem licença, porque eu acabo de ouvir passos de um urso pardo. E Jazz, esse é meu! – Disse Emmett e em seguida saiu correndo e gargalhando alto.
- Hei! – Jasper correu o máximo que pôde atrás do irmão. – Você que pensa, grandalhão!
Edward e Carlisle se olharam divertidos e seguiram seus caminhos separados, pouco depois dali, se encontrariam no mesmo lugar e voltariam para casa. A caçada sempre era uma coisa divertida para os Cullen, mas eles admitiam que não era uma coisa bonita de se ver aos olhos humanos. Podia assemelhar-se a um filme de terror. E eles não eram os mocinhos.

X.X.X

- Bom dia? – Disse abrindo a porta do quarto de .
- É, eu acho que é um bom dia. – Respondeu a amiga que acabara de levantar. – e já acordaram?
- Sim, sim. Já estão até fazendo o café da manhã. E o cheiro está bom. – Disse aspirando o delicioso aroma de café e torradas vindo do andar de baixo.
- Eu vou com você para a faculdade, certo? – Perguntou .
- É claro. E eu também vou levar as outras. Vou deixar bem mais próximo da faculdade delas. Agora levante e vá tomar banho. Eu já estou descendo. – falou e saiu do quarto, deixando a porta entreaberta.
se levantou desleixada e se assustou ao olhar para o espelho, mas depois achou engraçado como seu cabelo estava diferente, com um aspecto incomum. Saiu do quarto arrastando os pés e entrou no banheiro. Tomou um banho rápido e já saiu do ambiente com um ânimo muito mais enérgico.
- Quem fez o café? – Perguntou ao se aproximar da mesa em que as outras comiam e conversavam.
- Fui eu. – Disse .
- Ai que medo. Não vou mais tomar. – Disse fantasiando uma terrível repulsa.
- Beba água então. – Respondeu com descaso. – Sobra mais para mim. – E mostrou a língua.
- Chata. – se sentou na cadeira vaga, se serviu do café e mordiscou uma torrada.
- Devemos contar todas juntas? – Perguntou parando de comer.
- Eu prefiro contar sozinha. – Reivindicou . – A idéia de estar com o Emm sozinha para contar isso me parece menos amedrontadora.
- Eu sei bem por que você quer ficar sozinha com ele, . – Insinuou risonha, coçando o queixo com a ponta dos dedos.
- Ah, que saco, ! – Reclamou amarrando a cara.
- Não , eu concordo com . Devemos contar individualmente. – Replicou .
- Eu também acho. – Concordou .
- Ta! Então tudo bem. Eu vou contar hoje de noite. Porque vou ter que trabalhar a tarde toda. – Disse se levantando.
- Vamos logo, ou vamos nos atrasar para nossa vidinha de humanas comuns. – Disse também se levantando e soltando uma piscadela marota às amigas.
Em poucos minutos, todas as garotas estavam dentro do carro em direção às suas rotinas, enquanto gargalhavam e cantavam uma música que tocava na rádio local. quase estrangulava por ela sempre cantar antes da música começar e ficar o tempo todo tentando atrapalhar as outras. deixou e muito próximo de seus prédios, e seguiu com ao seu lado para a conhecida faculdade de cinema, que não ficava muito longe dali.
As aulas matinais não pareciam querer acabar, e a impaciência de só aumentava. Ela não tinha aulas junto com naquele dia, e estava contando os minutos para correr para o estacionamento e voltar para casa com e .
estava falando ao telefone quando se aproximou dela, no estacionamento. Ficou ao lado da amiga esperando até que ela desligasse o telefone para entrar no carro.
- Foi a . – Disse depositando o celular na bolsa. – Ela teve os últimos dois tempos livre, e já está desesperada de tanto esperar a gente.
- Coitada. Eu pelo menos tive a voz do professor Bonnie para me distrair. – Disse entrando no carro ao mesmo tempo em que . – Se bem que eu nem me lembro sobre o que ele estava falando. – constatou.
- Ele é um ótimo professor. Eu viajo quando ele começa a falar. – Disse . – Mas confesso que hoje eu também não prestei atenção na aula dele, que foi a primeira.
- Ainda bem que isso vai acabar. Não agüento mais sentir esse aperto no coração. – Disse .
- Tudo vai acabar bem. – ligou o motor do carro e logo deram partida.
e avistaram de longe uma cabeleira loira sentada num banco e com uma expressão de tédio. deixou sua cabeça erguer quando viu o Mercedes preto estacionar na sua frente. Não demorou mais do que dois segundos para entrar e se acomodar no banco traseiro espaçoso do carro.
- Você devia estar morrendo de tédio. Desculpa. – Disse olhando para o rosto apático de pelo retrovisor.
- Tudo bem. A Kátia estava comigo até pouco tempo atrás, tentando me distrair. Eu disse que se ela me deixasse só eu provavelmente ia mofar. – Disse sorrindo. – Mas, há pouco mais de dez minutos o namorado dela apareceu por aqui. Então não teve jeito, fiquei sozinha.
- O Emmett não te ligou? – Estranhou .
- Não. Não sei o que aconteceu, mas ele não veio me buscar, nem avisou nada. – Disse infeliz.
- Ele deve ter ficado na faculdade por algum tempo a mais. – Sugeriu .
- É. Deve ter sido isso. – deu de ombros.
As meninas seguiram o resto do caminho em silêncio e tentavam com todas as forças esconder o nervosismo e a ansiedade, apesar de ambos serem visíveis. tamborilava no volante cada vez que uma curva demorava a aparecer. Chegaram em casa e não se demorou em olhar para a garagem dos Cullen e perceber que tanto o Volvo quanto o Porsche estavam estacionados.
- O Emm não está em casa mesmo. – Constatou .
- Ele vai te ligar. – Disse e logo depois o telefone de tocou.
- Você... – Começou ao mesmo tempo em que vasculhava a bolsa com avidez.
- Não. Eu não vi o futuro. Isso é só previsível. – Respondeu rápido, desligando o motor do Mercedes na garagem da casa.
- Emm!... Eu? Não, eu já estou em casa. e me buscaram...Oh desculpe, querido...Falar comigo?...Não, não. Sem problemas, eu também preciso falar com você... E...Emmett, eu te amo... Te vejo mais tarde. – desligou o celular e olhou para as amigas que saiam do carro. – Ele disse que quer falar comigo. Será que ele desconfia de alguma coisa? Ele tava tão preocupado.
- Eu acho que não. Mas, isso não importa realmente, importa? Nós vamos contar mesmo. – deu de ombros.
As garotas entraram em casa e organizaram um almoço no qual quase não tocaram. logo se levantou e pegou o celular para ligar para Emmett novamente. Ao ver que se afastara, e viram que não havia mais por que adiar e também se levantaram. O momento mais importante e decisivo de suas vidas tinha finalmente chegado. Um momento ansiado por todas, mas que ainda assim era guardado com um pouco de receio. Porém não havia mais como nem por que adiar. Elas deveriam seguir os seus caminhos.


Capítulo Dezesseis.

- Edward. – estava inegavelmente nervosa ao ver o ruivo atender a porta do casarão Cullen.
- . Eu estava mesmo querendo falar com você. – Edward deixou que entrasse na casa.
- Você está sozinho? – Ela perguntou.
- Jasper está aqui. Mas eu acho que ele já vai sair. – Ele respondeu.
- Edward, me deseje sorte. Eu já vou ind... – Jasper parou de falar ao ver .
- Sorte? – Perguntou a garota confusa, imaginando que quem precisava de sorte era ela.
- Nada de mais. Erh...Eu já vou. Depois a gente se fala. – Jasper se atrapalhou e logo em seguida saiu rapidamente pela porta de entrada da casa.
Edward e esperaram até que Jasper entrasse na casa da frente, recepcionado por , que já estava de saída também. Emmett acabara de chegar. Provavelmente queria contar tudo ao moreno em outro ambiente. Outro ambiente. É disso que eu preciso. Pensaram Edward e juntos, sem saber da coincidência.
- Você se importa em me acompanhar até outro lugar? – Perguntou Edward.
- Eu acho que sei onde eu quero ir. Se você não tiver um lugar em mente, claro. – Respondeu a garota.
- Você pode dizer o lugar. Eu vou aonde você quiser ir. – Ele disse carinhosamente.
esboçou um leve sorriso ao ouvir a gentileza de Edward. Ela o acompanhou até o Volvo e esperou que ele abrisse a porta para ela, até poder falar:
- Eu quero te explicar tudo. – Ela falou. – Mas nós temos que estar lá. Eu me sinto melhor lá.
Edward apenas acenou com a cabeça e entrou no carro, girando a chave na ignição. Ele não sabia se o que tinha para lhe explicar era algo bom ou ruim, e isso o deixou nervoso. E, além disso, não sabia qual seria a reação dela ao saber o seu maior segredo. Ele dirigiu lentamente e aos poucos descobriu aonde queria o levar. Desviou o carro para a direita, entrando numa estrada de terra eternamente molhada e estacionou. respirou fundo antes de sair do carro, pois se sentia cada vez mais nervosa e palpitante. Com a mente bloqueada, como de costume quando estava perto de Edward, ela saiu do carro e caminhou lentamente, fazendo o garoto a seguir.
Como uma réplica do que havia sido o local do primeiro beijo entre os dois, Edward viu se agachar na beira da cachoeira barulhenta. Ele andou até ela e a levantou com o braço. Percebeu que os olhos da garota estavam brilhando por causa das lágrimas que ela fortemente reprimia. Ficou desesperado, sem saber o que fazer, imaginando que a menina sofria. Pensou por um segundo em abraçá-la e não contar mais a verdade, com medo de assustá-la. Ela já parecia estar em uma contradição interna.
deu um passo para trás e respirou fundo, ao tocar de leve o tronco de uma árvore visivelmente antiga. Tentou prender dentro dos pulmões o ar da floresta que tanto a agradava, em busca de confiança. Acariciou a árvore antes de olhar novamente para Edward.
- Eddie, eu tenho uma coisa muito importante para falar para você. Eu não sei como começar, mas...Eu sei que preciso falar. – Edward continuava a olhá-la. – Eu não sou o que você imagina que eu seja.
- Como assim? – Edward transpareceu nervosismo, ao ouvir da garota o que ele havia planejado dizer.
- Eu...Bem, você realmente não sabe por que eu não quis beijá-lo? – Ela perguntou.
- Você não quis? – Ele perguntou inseguro.
- Na verdade eu quis. Eu quis muito, Edward. Era uma vontade incontrolável. Mas eu não podia. Eu não devia. – Ela segurou o líquido salgado que teimava em escorrer pelo seu rosto.
- Diga-me o por quê. – Edward se aproximou da menina.
- Quando eu te beijei...Era como se eu estivesse enganando você. Mentindo para você. – Ela deu um passo para trás, se afastando do garoto preocupado e nervoso.
- Mentindo para mim?
- Eu não consigo mentir para você, Edward. – Ela desistira de segurar as lágrimas desobedientes.
- Eu não estou entendendo. – Ele agora estava parado.
- Eu quero que você saiba quem eu sou, antes de pensar em me querer. – Dizendo isso, estendeu a mão para as águas da cachoeira.
Milhares de gotas de água, unidas, se ergueram no ar, alterando o curso natural da corrente. Edward observou abismado trazer para perto de si a água flutuante em forma de globo. Ela moveu os dedos levemente e o globo se desfez, formando outro desenho. Edward olhou atentamente enquanto as gotículas se reagrupavam formando a seguinte frase em transparente: Essa sou eu, Edward.
Ele voltou a olhar para que agora deixava as águas voltarem para o rio verdejante. Permaneceram em silêncio por alguns segundos, e ficava cada vez mais nervosa.
- Eu não sou humana, Edward. – Ela falou devagar, ainda chorando. – Eu não sou normal. – E se ajoelhou no chão, entregue aos soluços.
Edward ainda não acreditara no que vira, e uma mistura de desespero, alívio, preocupação e felicidade passaram pelo seu corpo. Ele posicionou-se ao lado de que mantinha a cabeça baixa e chorava incessantemente.
- Eu não sei se entendi bem. Mas eu acho que você também precisa saber quem eu sou. – Ele disse dando dois passos lentos para trás e roubando a atenção dos olhos vermelhos de .
Edward correu o mais rápido que pôde e subiu na árvore que há pouco acariciava. Não demorou um tempo considerável no instante em que descia com facilidade e rapidez, entregando à garota uma maçã verde.
- Receio lhe informar que você não beijou um humano. – Ele disse enquanto ela o olhava admirada e pegava a fruta das mãos do garoto. – Você sabe o que eu sou?
- Eu...Eu não sei bem. Mas não acho que seja o mesmo que eu. – Ela parecia confusa.
- Eu sou o maior predador que existe na face da terra. – Ele se levantou. – Eu sou um vampiro.
- Vampiro? Você é um vampiro? – Ela se levantou.
- Não precisa esconder a repulsa que você sente de mim agora. Eu sei. Eu sou uma aberração. Você não tem chances contra mim. Ninguém tem. – Ele falava amargurado.
- Eu não tenho medo de você, Edward. Não poderia. E quanto a eu não ter chances contra você...Bem, não é bem assim. – Ela falou.
- O que exatamente você é? Diga-me por quem eu me apaixonei. – Ele a olhou nos olhos.
- Eu sou o que se pode chamar de...Escolhida. Eu guardo em mim poderes que nenhum outro humano pode ter. Um tipo de ser...Privilegiado. – Ela falou a última palavra ironicamente.
- Oh meu Deus. Eu nunca conheci ninguém como você. Escolhida. Eu achava que pessoas como você viviam distantes da sociedade humana. – Ele falou.
- Bem, eu posso dizer que também achei que pessoas como você vivessem distantes da sociedade humana. – Ela repetiu.
- Deveríamos, afinal de contas, seria mais fácil. Mas, eu e os outros da minha família não gostamos dessa vida assassina que os outros como nós levam. Nós encontramos uma maneira de viver sem matar seres humanos.
- Como? – estava confusa.
- Animais. Só animais. Nós não queremos ser monstros. Não é certo. Mas também não é fácil. – Ele olhou para a garota que estava perplexa.
- Eu nunca vi um vampiro. – Ela disse devagar.
- Não precisa ter medo.
- Eu não tenho medo de você! – Ela exclamou. – Isso é impossível.
- Por quê? – Ele perguntou cauteloso.
- Porque desde que eu te vi pela primeira vez não consigo pensar em outra coisa concreta que não seja você. Porque eu não consigo não desejar você com todas as minhas forças, mesmo que eu tente. Porque você é algo completamente irresistível perto de mim. Porque eu estou completamente apaixonada por você. – No instante em que ela disse a última frase, Edward a beijou.
E dessa vez, havia sido para os dois completamente diferente das outras duas vezes. Não havia receio, não havia segredos. Com uma vontade incontrolável, enroscou as mãos na nuca do garoto que tecia delicadamente a sua cintura. Edward passou as mãos no rosto delicado da menina que o beijava com um desejo irrefreável. Largou os lábios da garota e beijou-lhe as bochechas, o queixo, o pescoço e os ombros. suspirava de felicidade quando Edward aproximou a boca de sua orelha e depois de mordê-la, falou:
- Eu te amo, . E você não faz idéia da euforia que eu sinto em saber que você não vai mais resistir. – Ele disse.
- Eu não só faço idéia, Eddie. Eu sinto. Eu amo você. – Disse colando novamente seus lábios aos de Edward num beijo impregnado de romantismo e doçura. – Veja o que eu faço por você. – Ela se afastou dele.
As folhas que antes jaziam imóveis e calmas no chão úmido da floresta, agora faziam piruetas ao redor dos dois. Em uma velocidade incrível, Edward observou sorridente as folhas dançantes que o rodeavam. se aproximou do garoto e ainda ordenando mentalmente que as folhas flutuassem, entregou-se a um beijo longo e interminável.

X.X.X

discava o número de Emmett com rapidez no celular. Estava impaciente. Ela esperou menos de cinco segundos até que Emmett atendesse o celular.
- ?
- Emm. Você vai demorar?
- Estou chegando. O meu professor me fez ficar tempo demais na sala depois do horário. Mas eu já estou chegando. Por quê? – Ele perguntou.
- A gente pode conversar em outro lugar? – Ela pediu.
- Onde?
- No jardim. Eu gosto daquele lugar. – Ela revelou.
- Claro, querida. Eu vou pegar você agora, e então nós vamos para lá. Eu quero te explicar uma coisa. – Disse Emmett. – Já estou perto de casa. Em cinco minutos eu estou aí.
desligou o telefone e logo sabia que seriam os cinco minutos mais longos de toda a sua vida. Ela observou se aproximar dela, devagar.
- Onde está ? – Perguntou.
- Foi falar com Edward. – Respondeu com a voz fraca.
- Eu vou sair com o Emm. Ele já está chegando. Te vejo depois. – Disse saindo da sala e se dirigindo a porta.
ficou um tempo sem saber o que fazer. Estava sozinha em casa. Ela deveria esperar ou pedir para falar com Jasper? abriu a porta e deu de cara com um belo garoto loiro.
- Jasper. – Ela disse surpresa.
- Erh..Oi. A está aí? – Ele perguntou.
- Está. Pode entrar. Olha, eu já estou saindo. Então, feche a porta, por favor. Já consigo ver o carro do Emm.
Jasper acenou a cabeça afirmativamente e entrou na casa, fechando a porta atrás de si. correu para a calçada e esperou até que Emmett parasse o carro perto dela, para poder entrar. Olhou para o moreno e sorriu, escondendo o nervosismo. Entrou no carro sem dizer uma palavra.
- Você está bem? – Perguntou Emmett preocupado.
- Claro. – Ela respondeu rápido demais. – Podemos ir?
- Como você quiser. – Emmett deu partida no carro.
O caminho, para , parecia mais longo do que da primeira vez que o fizera, apesar de também ter estado nervosa da última vez. Nada se comparava ao nervosismo de agora. Emmett, mesmo nervoso e inseguro, mostrou segurança ao pressionar de leve a mão de , que suava. Ela sorriu para ele e depois sentiu um medo terrível de este ser o último momento em que veria Emmett tão perto de si. Afastou o pensamento com persistência, até chegarem ao jardim.
- Eu acho que vai chover. Como da última vez. – Disse Emmett saindo do carro.
- Não tem importância. – Retrucou abrindo a porta do carro para também sair.
Eles caminharam até próximo ao laguinho que continuava perfeitamente igual a antes. apertou forte a mão de Emmett quando chegaram ao local desejado. Emmett soltou a mão dela e todo o resquício de segurança que ela havia trabalhado em conseguir pelo caminho, a abandonou. Estava novamente se sentindo indefesa.
- , eu disse que queria falar com você uma coisa. E é uma coisa muito importante. – Emmett começou.
- Eu também tenho algo a dizer. E é definitivamente muito importante. – Ela disse. – Mas eu quero que você diga antes.
Emmett respirou fundo e piscou os olhos freneticamente, decidindo por onde começar.
- Antes de tudo, eu quero que você saiba que eu te amo. E que faria qualquer coisa por você. E vou entender qualquer que seja a sua reação. – Ele destacou a parte mais importante. – Eu...Eu não sou exatamente o que você vê. Eu não sou humano.
- Não é humano?! – Perguntou escondendo os pensamentos sobre coincidência que passavam por sua mente.
- Você nunca duvidou? – Ele perguntou.
- Duvidar de quê?!
- , eu sou diferente. Quantas pessoas com a minha cor você conhece? Quantas pessoas frias como eu você conhece? Quantas? – Ele questionou.
- Branco...Frio...Emm, o que você é? – mantinha na cabeça uma idéia que considerava maluca.
- Minha ...Não tenha medo de mim. Por favor. Isso iria doer demais. – Ele pediu. – Você não sabe o que eu sou? Não tem nem idéia?
- Eu prefiro que você diga.
- , eu sou um vampiro. – Emmett disse realmente com medo de qual podia ser a reação dela.
- Emm...Emm... – Ela balbuciou. – Meu Emm! – E, para a maior surpresa do garoto vampiro, se jogou nos braços dele num abraço apertado.
- ! O que deu em você?! Você não está com medo? – Ele perguntou admirado quando a garota o largou.
- Medo de você?! Nem em sonhos! Nunca! Eu amo você, Emmett! – E abraçou o moreno mais uma vez. Emmett, ainda confuso, deixou escapar um sorriso.
soltou o pescoço do garoto e andou devagar para trás.
- Você não parece assustador perto de mim, sabe. Nem um pouquinho. – Ela sorriu marotamente.
- Tem certeza? – Emmett estava realmente feliz ao entrar no jogo de .
- Você não sabe quem eu sou, Emmett Cullen. Mas agora vai descobrir. – Disse ela dando mais alguns passos para trás.
- Aonde você vai? Está chovendo, ! – Ele disse, mas a garota já corria para a chuva.
- Tente me mostrar o que é ser assustador, Emm! – A garota gritou de longe.
- ! Você é louca ou o quê? – Emmett nunca imaginaria que a reação de pudesse ser tão descontraída e positiva.
- Tente me achar! – Disse se escondendo atrás de uma árvore.
Emmett seguiu a garota pela chuva e não conseguia reprimir o sorriso. Não estava entendendo o que ela queria lhe dizer, mas confiaria a sua existência a ela. Ele correu, e sem muitos esforços, pensou ter encontrado , pois vira exatamente atrás de qual árvore a garota se escondera. Unindo as sobrancelhas e sem entender nada, Emmett não achou a garota. E continuou a procurar atrás das outras árvores. Já havia procurado em todas os troncos, agora ele estava preocupado. Onde estaria ?
- Eu acho que você não procurou direito, querido. – Disse em voz brincalhona e Emmett não sabia de onde vinha. – Siga a minha voz.
Emmett, ainda confuso, seguiu a bela voz da garota e observou atrás de uma árvore em que já procurara. Mais uma vez não encontrou a garota e demonstrou seu desespero.
- , onde você está? Eu estou ficando preocupado. – Ele disse com a voz trêmula.
- Emm, me prometa uma coisa: Não me interrompa enquanto eu falar. – Ela pediu ainda escondida de Emmett.
- , o que você...
- Prometa. – Ela repetiu.
- Tudo bem, eu prometo. – Ele se rendeu, mas ainda procurava a garota.
- Eu não sou normal. Eu...sou provida de habilidades especiais. – Ela começou.
- Você o quê?! – Ele perguntou perplexo.
- Você prometeu, Emmett! – Lembrou a garota.
- Tudo bem. Continue.
- Como eu ia dizendo, eu não sou uma humana comum. Tenho dúvidas até de que sou humana. – Ela continuou. – Bem, eu e todas as meninas. , ela move objetos com a mente. pode curvar o tempo e o espaço. atravessa paredes. – A voz se aproximava de Emmett. – E eu....Eu, Emmett...Eu posso ficar invisível. – Ela abraçou Emmett por trás. - Não tenha medo de mim. Eu não tenho medo de você. Vire-se.
Emmett virou de costas esperando encontrar abraçada a ele. Mas em vez disso, não encontrou nada a não ser o conhecido jardim ao fundo. Tentou encontrar , mas ainda assim não viu absolutamente nada.
- ? – Ele chamou.
- Eu estou aqui. – Ela falou baixinho na frente dele.
- Eu...Eu realmente não consigo te ver. – Disse ele e ouviu o sorriso nasalado de .
- Invisibilidade, lembra? – Ela questionou.
pegou a mão de Emmett, que estava sem reação a sua frente, e a posicionou em seu rosto.
- Você sabe que sou eu? – Perguntou soltando a mão de Emmett.
- Eu não consigo te ver! – Ele exclamou.
- Não basta você sentir? – Ela perguntou acariciando-lhe a mão.
Emmett dedilhou a delicada face de antes de responder.
- Basta, . Basta. – Respondeu ele tateando os cabelos da garota.
- Feche os olhos, Emm. – Pediu a garota aproximando-se de Emmett, deixando que ele sentisse seu hálito quente e perfumado.
O garoto obedeceu à garota e voltou a acariciar o rosto da menina.
- Eu consigo te ver, . – Ele disse ainda de olhos fechados.
- Consegue? – Ela depositou um selinho no garoto.
- Consigo. E você é linda. – Ele elogiou.
- Obrigada, Emm. – Ela sorriu.
- Não há de quê. Eu sempre vou te achar linda, minha querida. Você mora na minha mente. Você existe dentro de mim. – Ele disse perpassando a boca de com os dedos.
- Eu te amo, Emmett Cullen. Amo você mais do que a mim mesma. – Ela disse.
- Pois eu te amo mais do que qualquer um pode amar. Eu te amo mais do que tudo. Eu te amo mais do que essas árvores amam a água da chuva. Mais do que a água ama a terra. Mais do que é possível amar. – Disse Emmett com toda a sinceridade que existia dentro de si.
o beijou delicadamente, e caminhou lentamente, presa ao garoto, até que a chuva pudesse os molhar. Ficou um tempo acariciando a nuca e o pescoço. Emmett não conseguia e nem queria esconder toda a euforia que exalava do corpo dele. Ele lançou os braços ao redor da cintura da garota e, com uma felicidade evidente, levantou-a em seus braços. reduziu o beijo a simples selinhos, quando Emmett a colocou no chão novamente. Emmett abriu os olhos mais uma vez e viu o corpo de invisível delineado pela chuva que encharcava seu corpo.
- Eu consigo te ver, meu amor. – Ele disse sorrindo para .
- A única coisa que me impede de passar completamente despercebida: a água. – Ela disse sorrindo.
- Você nunca vai passar despercebida por mim, . Não com o seu cheiro. – Ele disse.
- O que tem o meu cheiro? – Ela perguntou voltando a ficar visível.
- É inacreditavelmente perfeito para mim. – Ele falou a beijando novamente.


Capítulo dezessete.

E agora? O que eu faço? Ele está bem aí na sua frente! Ele trabalha no hospital na sua frente! Fale com ele! Eu não consigo. Coragem, garota! Mas por que ele não veio almoçar comigo hoje? Por acaso você saiu dessa floricultura que você fez de toca? Mas ele nem veio me buscar! Você que tem que falar com ele. estava num debate mental ao fim da tarde. Ela cuidava de algumas tulipas na terra úmida do jardim da floricultura. Não tivera oportunidade e nem coragem de falar com Carlisle. Martirizava-se por isso.
As tulipas reclamavam em silêncio da agressividade e preocupação de . Ela nem ao menos sabia o que estava fazendo de verdade. Quando estava completamente perdida em sua dualidade mental, a bondosa velhinha que atendia por Sra. Parkinson, acordou a menina avisando-a do fim do expediente.
- Tudo bem, Sra. Parkinson, eu já estou indo. – Ela falou ainda agachada na terra.
- Querida, tem um rapaz lhe esperando na minha sala. – Disse a Sra. Parkinson.
- Quem é? – Perguntou nervosa mesmo já sabendo quem era.
- O Dr. do hospital St. Anthonty, . Ele já está aí há algum tempo. – Explicou a velhinha.
- Ai meu Deus! – Exclamou sem realmente querer.
- Oh minha jovem, você tem algum parente internado no hospital, sim? – Perguntou a Sra. Parkinson gentilmente.
- Não, não. Ele é meu namorado. – Explicou rindo da confusão.
-Ah! – A velhinha pareceu surpresa. – Bem, você não parece muito confortável quanto ao seu namorado, querida. – Concluiu delicadamente.
- Impressão sua, Sra. Parkinson. Só impressão. – Disse agitada, se levantando e batendo uma mão na outra, a fim de espantar a terra. – Agora, se a senhora me der licença, eu vou lavar as minhas mãos e dar um jeito na minha aparência.
- Pode ir, minha filha. Use o banheiro de sempre. Aquela garota da limpeza... A Kate, bem, ela usou o seu aroma preferido hoje. Sei que você gosta de lavanda. – Disse a Sra. Parkinson se retirando do ambiente.
sorriu carinhosamente para, com certeza, a melhor chefe que ela poderia ter na vida, e entrou no banheiro levemente perfumado. Olhou-se no espelho e passou a mão pelos cabelos. Treinou como esconder o nervosismo ao passar batom. Demorou um tempo considerável para sair do ambiente e encontrar Carlisle, que estava sentado num sofá da sala da Sra. Parkinson, com um olhar distante.
entrou na sala e Carlisle imediatamente notou sua presença, direcionando a ela um olhar que demonstrava insegurança e felicidade. Carlisle se levantou e caminhou até , que esboçou um sorriso involuntário ao vê-lo. Ele pegou na mão dela devagar antes de começar a falar.
- , por que você não foi almoçar comigo hoje? – Ele perguntou.
- Erh...Bem...Eu estava ocupada. – Ela deu uma desculpa.
- Poderia ter me avisado. – Ele sugeriu.
- Eu sei, meu amor. Mas eu não pude. Desculpa. – Ela sorriu para reforçar a sua mentira.
- Tudo bem. Mas eu queria falar com você. Podemos sair daqui? – Ele pediu. – Podemos ir ao meu escritório?
- Claro. – Respondeu prontamente.
Os dois saíram de mãos dadas pensando em coisas aleatórias e sem falar nada concretamente. Carlisle entrou no hospital e a bela secretária estranhou a volta do médico, após o seu expediente.
- Carlisle? – Ela chamou e corrigiu mentalmente a menina: Doutor Carlisle Cullen, queridinha.
- Sim, Srta. Pullman? – Ele se voltou para a garota atrás do balcão e se sentiu menos indignada pelo formalismo dele para com a menina.
- Eu creio que o seu horário já acabou. O que o senhor faz aqui? – Ela perguntou. Aprendeu direitinho. Pensou ao ver a garota usar de algum pronome de tratamento menos íntimo.
- Bem, tem algum problema em usar minha sala após o fim do meu horário? – Ele perguntou cordialmente.
- Erh...Eu acho que...Não, Doutor. Nenhum problema. – Ela mudou de opinião ao ver o sorriso de Carlisle.
- Que bom. Eu não vou demorar. Preciso ter uma conversa em particular com essa senhorita, o irmão dela está aqui no hospital. – Mentiu Carlisle e pensou que o garoto ouviu o palpite de sua chefe há poucos minutos atrás.
Sem fazer nenhum movimento brusco e nem mudar a expressão, acompanhou Carlisle até sua sala que tinha seu nome gravado em dourado na porta. Ele deixou a garota entrar primeiro e em seguida fechou a porta atrás de si, sem fazer barulho. analisou a mesa de trabalho do namorado, que era metálica e com uma tampa de vidro. O lugar transparecia tranqüilidade e estava milimetricamente organizado. não tocou em absolutamente nada até Carlisle lhe oferecer uma cadeira também de metal, que jazia em frente à mesa. Ele olhou pela janela branca que oferecia uma vista panorâmica da rua e da fachada da floricultura, e em seguida fechou-a com as cortinas brancas que ali estavam. Andou até a frente de mais uma vez e sentou-se numa maca simples, que servia de apoio aos seus atendimentos diários.
- Eu te trouxe aqui porque eu preciso contar uma coisa muito séria para você, . – Ele começou.
Ai meu Deus. Me chamou de ‘’, e isso não é um bom sinal. Ela pensou.
- Querida, eu quero que você saiba o que eu sou. – Ele disse cauteloso.
- O que você é? – Ela quis esclarecer se ouvira direito. Ele afirmou com a cabeça.
- , você entende completamente a palavra imortalidade? – Ele perguntou.
- Creio que sim. – Ela respondeu sem titubear.
- Muito bem. Isso para você é uma coisa boa? – Perguntou novamente.
- Sim. – Ela respondeu mais uma vez e se sentiu desconfortável em estar apenas respondendo a perguntas sem nexo.
- Você acreditaria se eu dissesse que sou imortal? – Ele estava mais nervoso.
- Você mentiria para mim? – Ela rebateu.
- Nunca. – Carlisle respondeu de imediato.
- Então, sim. Eu acreditaria. – Ela respondeu.
- Eu sou imortal. – permaneceu em silêncio, os pensamentos vagando tão rápidos em sua cabeça que ela mal conseguia compreender. – Mas só isso seria uma coisa boa, como você disse. Eu vou além da imortalidade.
- Como assim? – Ela secou as mãos que suavam sem parar.
- Existe um preço a se pagar pela imortalidade. – Ele disse.
- Qual seria? – Ela engoliu em seco. Não estava mais com muito sucesso em esconder o nervosismo.
- Talvez... Eu não me alimente como um humano. – Ele estava com medo de falar. – Eu...Eu não sou um humano. E...Eu só posso me alimentar...De...Sangue. – Disse esperando realmente que saísse correndo da sala.
- Sangue? – Ela arregalou os olhos.
- De animais. – Ele acalmou a garota, como se isso fosse possível. – Eu me alimento de sangue de animais.
- Você é um... – Ela semicerrou os olhos.
- Algumas lendas me chamam de “frio”. – Ele falou.
- Frio... – tentava assimilar os fatos.
- Em outras lendas – Ele respirou fundo. – me chamam de vampiro.
- Oh meu Deus! Pode ser estranho essas palavras saírem da minha boca, mas...Eu não acreditava nessa lenda. – Disse olhando Carlisle.
- Estranho? Eu digo que eu sou um vampiro e você me diz que acha estranho ter que falar isso? – Ele perguntou. – Francamente! É mais do que normal um humano não acreditar em lendas.
- Mas eu acredito em lendas. Algumas eu provo que são reais. – Ela se levantou.
- , o que eu quis te dizer com isso é que eu não sei se sou a melhor pessoa para você. Você ainda tem tanto o que viver e...
- Isso é verdade. – Ela disse se aproximando devagar dele.
- Sim, é verdade. E eu não quero te prender a uma criatura maligna como eu. Eu não tenho o direito de fazer isso. Eu não tinha o direito de me apaixonar. Eu não sirvo para você . – Ele disse completamente magoado com as próprias palavras.
- Pois eu digo que você se encaixa perfeitamente a minha vida. Eu sinto isso. – Ela disse dando mais dois passos em direção a ele.
- Você não pode sentir nada em mim. Meu coração não bate mais. Você nem ao menos pode ouvi-lo. – Ele estava atordoado com os fatos que invadiam sua mente.
- Eu posso senti-lo, Carlisle. Eu posso. – Ela disse tocando o peito do rapaz.
- Ele não bate, . Vampiros não têm o coração vivo. Não têm nada vivo. – Ele olhou para a garota e depois para a mão dela em seu peito, se admirando.
deixou sua mão mergulhar devagar no peito de Carlisle até que seus dedos tocassem o coração imóvel dele. Ele olhou apavorado para ela, ao ver sua mão penetrada em seu tórax. Ela o olhou expressiva e tentou acalmá-lo.
- Eu posso sentir seu coração, meu querido. – Disse calmamente. – Não tenha medo.
- O que você pode fazer ? – Ele perguntou ainda imóvel. – Como?
- Eu disse que acredito em lendas, não disse? E também disse que posso provar que elas são reais. – Ela retirou a mão no peito de Carlisle. – Eu tenho um dom, Carlisle. Eu posso atravessar paredes. Não existem barreiras para mim.
- Você não é...Humana? – Ele perguntou cuidadoso.
- Eu não posso afirmar isso. Mas eu sou mais do que uma humana. – Ela respondeu. – Você já ouviu falar em pessoas com capacidades especiais e extraordinárias?
- Sim, mas...Eu não acreditava de verdade. Achei que fosse uma invenção humana. – Ele balançou a cabeça sem entender.
- Pois eu tenho uma novidade, não são lendas. – Ela falou. – Assim como eu tenho esse dom, as outras meninas também têm. Cada uma tem uma capacidade sobre-humana.
- Isso é fantástico! – Ele se admirou com a revelação. – Até que ponto você é humana?
- Em quase todos os aspectos eu sou humana. Eu faço tudo o que um humano comum faz. Eu como, eu durmo. Mas é difícil conviver com humanos normais quando se é uma aberração. – Ela encarou os próprios joelhos.
- Você não é uma aberração, . Não perto de mim. – Ele sorriu amarelo. – Não perto de alguém que não come, não dorme, não sai ao sol por que brilha e é frio desse jeito. sorriu sem humor algum a voltou a encarar o vampiro.
- Pois você fique sabendo que quando eu era pequena eu tinha pesadelos constantemente em aparecer na sala de aula entalada na cadeira que transpassava meu corpo, e sempre acordava embaixo da cama por que eu me assustava e acabava caindo. – Ela disse. – E minha mãe nunca entendeu muito bem porque eu sempre estava chorando embaixo da cama.
Carlisle sorriu com das lembranças de infância da garota.
- Então você não faz idéia de quantos anos eu passei isolado da sociedade com medo de fazer mal a alguém. E como eu demorei a encontrar pessoas que quisessem viver como eu vivo. Só com animais. Não existem muito de nós com esse costume, sabe. – Ele falou.
- Você vive há muito tempo? – Ela perguntou.
- Tenho alguns séculos na bagagem. – Ele largou um sorriso fraco.
- Minha nossa! Isso é fantástico! – Ela exclamou.
- Não foi tão fantástico até eu conhecer você. – Ele falou.
- Pois eu digo o mesmo. Eu não tenho toda a sua extensão de vida, nem perto disso, mas...Receio que eu ainda vou viver muito. – Falou lembrando de uma questão importante. – Nós, escolhidas, não vivemos o tempo igual à de um humano.
- Não? Então vocês também são imortais?
- Não. Imortalidade não existe. Bem, agora você provou que existe. – Ela sorriu. – Mas eu vou viver um longo tempo. Não sei bem quanto tempo, mas pelo que eu sei, não existe registro de pessoas como eu morrerem.
- Você conhece outros? – Ele mostrou curiosidade.
- Conhecer mesmo, eu não conheço. Mas existe uma Companhia, que protege pessoas como eu e as meninas, e também proíbe que contemos alguma coisa a alguém. O líder dessa Companhia tem mais de 400 anos. – Ela revelou.
- Isso é incrível! – Exasperou Carlisle. – Mas espera... Se eles proíbem vocês de revelarem alguma coisa, significa que você está desobedecendo a ordens de seus superiores? – Ele perguntou.
- Só por você. Eu precisava contar a você.
- Ora essa! Por quê?
- Por quê?! Carlisle! Eu te amo! – Ela falou alto e rápido. – É impossível, tanto para humanos e mais ainda para Escolhidos, mentir para as pessoas amadas. É como uma dor irrefreável e irrevogável. – Ela desabafou.
- Oh , eu não queria lhe causar essa dor. – Ele passou a mão nos cabelos cacheados da garota.
- Não é sua culpa. É como se isso fosse inevitável. Não há nada que você possa fazer para mudar isso. Eu te amo. Isso é um fato. – Ela olhou para ele.
- Eu te amo, minha querida. Com uma força incontrolável. E eu não posso admitir que você sofra. Nunca. Eu desistiria da minha existência por você. – Ele acariciou o rosto de .
- Meu amor, isso sem dúvidas me faria sofrer. – Ela avisou afagando-lhe a mão dele em seu rosto.
- Então, hipótese descartada. – Ele sorriu. – Eu só quero que você seja feliz.
- E eu só posso viver feliz se for ao seu lado. – Ela falou diminuindo a distância entre os dois. – Você ainda acha que não serve para mim? – Ela fez cara de inocente.
- Como eu disse: Hipótese descartada. – E selou seus lábios frios aos de .
A garota conseguiu sorrir ao ouvir o comentário de Carlisle, mas logo se entregou a um beijo apaixonado e direcionou as mãos ao rosto perfeito de Carlisle, o empurrando levemente para trás. Carlisle pegou pela cintura e logo ela estava sentada em seu colo, na maca. fez com que Carlisle deitasse completamente na maca e mordeu-lhe o pescoço alvo. Carlisle sorriu e suspirou quando escorreu as mãos pelo seu abdômen e arrancou-lhe a camisa em um só movimento. Ela beijou seu tórax com uma cautela e doçura indescritíveis. , sem olhar, jogou a camisa de Carlisle para o lado, a fim de se livrar dela, mas a camisa bateu exatamente em cima do suporte para soro fisiológico que caiu com um estampido estridente. Carlisle, assustando-se com o barulho, largou os lábios de e olhou para o lado. pressionou os braços do rapaz para poder ver o que acabara de fazer.
- Minha nossa! Nós realmente fazemos muito estrago quando juntos. – Ele falou entregue a uma gargalhada. – Vamos sair daqui antes que a Srta. Pullman venha ver o que a gente ta fazendo. Ela vai pensar que seu irmão morreu.
- Ela sempre chama você de ‘Carlisle’? Onde está o profissionalismo daquela garota?! – Ao se levantar de cima de Carlisle, lembrou de quando entraram no hospital.
Carlisle se levantou rápido e vestiu a camisa que estava grudada aos ganchos do suporte de soro, caído ao chão. Levantou o objeto com cuidado, devolvendo-o a posição inicial. Olhou para e sorriu ao ver o ciúme estampado no rosto da garota e percebeu que ela ainda esperava por uma resposta.
- Não importa, . Eu amo você. – Ele respondeu a garota, logo pegando sua mão para enfim saírem do escritório.
fez cara de irritada ao pegar a mão de Carlisle, mas sabia em seu íntimo que isso realmente não importava. Ela sabia que ele a amava com igual intensidade.


Capítulo dezoito.

se sentou no sofá da sala esperando que fosse embora, ao mesmo tempo em que debatia internamente se deveria bater na porta da casa dos Cullen. Assustou-se ao sentir um cheiro conhecido se aproximar dela.
- Oi. – Disse Jasper.
- Jazz?! Como você entrou? – Ela perguntou embaraçada se levantando imediatamente do sofá.
- . Ela saiu com o Emmett e me deixou entrar. – Ele explicou.
- Ah... – Ela mordeu a parte inferior dos lábios, mas não conseguiu fazer outra coisa a não ser abraçá-lo fortemente. – Jazz, eu te amo. – E ficou grudada nele até que ele dissesse alguma coisa.
- Oh , eu também te amo. Te amo muito. Mas, aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou.
- O quê? Não, não. Quer dizer, sim. Mas...Não. Não aconteceu nada. – Ela se viu completamente perdida nas palavras.
- Eu não estou entendendo. – Disse Jasper pegando as mãos da garota nervosa.
- Jazz, eu preciso te contar uma coisa. – Disse depois de encontrar as palavras certas.
- O quê?
- Venha comigo. – Ela disse o puxando pela mão.
Mais uma vez ela fez com que Jasper a seguisse e o levou para o sótão. Jasper tropeçou ao subir a escada espiralada do primeiro andar, com a rapidez de em chegar ao local desejado. Ele caminhou ao lado da menina, até que ela o fizesse sentar no pequeno sofá vermelho. Jasper olhou a menina nos olhos e não demorou a sentir todo o nervosismo que passava pelo seu corpo.
- Você está nervosa. – Ele constatou. – E está me assustando.
- Não se assuste, por favor. Eu...Eu preciso lhe mostrar uma coisa. – Ela disse se sentando ao lado do menino.
Jasper observou passar a mão pelos cabelos e ficou cada vez mais preocupado em perceber que ela não parecia se acalmar. Resolveu tentar acalmá-la. Normalmente ele não faria isso, pois seria confundir seus sentimentos, mas ela estava realmente aflita. olhou para Jasper e se assustou em se sentir tão calma de repente, mas não falou nada. Depois de alguns segundos em silêncio, ela estendeu as mãos para Jasper, que lhe ofereceu as dele. uniu suas mãos as de Jasper e fez com que ele deixasse as palmas viradas para cima. Jasper não entendeu o que a garota pretendia fazer, mas deixou que ela o guiasse.
- Eu vou lhe mostrar o que eu posso fazer. E depois você pode me fazer quantas perguntas quiser, mas, por favor, não tenha medo. – Ela disse olhando fixamente nos olhos do garoto.
- , eu não... – Ele começou.
- Por favor, Jazz. Apenas observe. – Ela reforçou o pedido.
Jasper assentiu e esperou até que fizesse o próximo movimento. A garota mostrou-lhe um vaso solitário, em que jazia uma única flor. Uma rosa branca desabrochava devagar dentro do vaso de cristal. Jasper constatou que o vaso estava à cerca de dois metros dele e obedeceu quando o mandou não desviar os olhos do mesmo. Concentrou toda a atenção que tinha na rosa branca, e como numa alucinação de sua mente, a rosa desaparecera. Ele então voltou a olhar para , que ainda segurava suas mãos. Jasper se espantou ao ver que agora a bela rosa branca jazia imóvel em suas mãos. Ele ficou por um grande espaço de tempo olhando estático para a rosa.
- Você consegue entender o que eu fiz? – Ela perguntou ao garoto silencioso.
- Eu...Não. Eu não consigo. – Ele respondeu.
- Jasper, eu curvo o tempo e o espaço. E posso comandar o tempo. Eu posso pará-lo. Posso ver o passado. Posso me teletransportar. Eu sou diferente. – Ela tentou explicar.
Jasper a olhou perplexo por mais alguns instantes.
- Você pode mover o tempo? – Perguntou devagar.
- Posso.
- E foi você quem pegou a rosa? Essa rosa? – Ele perguntou segurando a flor.
- Sim. Num período de tempo não perceptível para você. – Ela disse calmamente e depois continuou. – Você está com medo? Medo do que eu sou?
- Medo. Não é um sentimento que eu costume ter. Eu não tenho medo de você, . – Ele relatou.
- Eu posso ser muito perigosa. Eu sei que posso. Mas isso não é uma escolha. Eu não pedi para nascer assim. – Ela sentiu seus olhos ficarem turvos.
- Você nasceu assim? – Ele quis esclarecer.
- Sim. Não me lembro de como é ser uma humana comum. Eu sempre fui isso. – Ela falou com o maior desprezo.
- As outras também podem fazer o que você faz? – Ele perguntou afagando-lhe as mãos.
- Não. Cada uma pode fazer algo diferente. – Ela abaixou os olhos. – Às vezes eu tenho medo de ser quem eu sou. Ser o que eu sou. De poder fazer mal a outras pessoas. Mas eu não tenho culpa, Jazz. Eu não tenho. – deixou uma lágrima varrer-lhe o rosto.
- Claro que não, meu amor. Você não tem culpa. – Jasper puxou a menina para um abraço. – Você é brilhante, sabia?
- Brilhante? Eu? Eu sou uma anormal! – Ela falou se afastando dele. – Eu sou uma ameaça. Eu sou o perigo. – Ela chorava ao cuspir as palavras.
- Você não sabe o que é o perigo. – Disse Jasper amargamente. – Eu também tenho uma coisa para lhe falar.
- O quê? – Ela limpou o rosto e esfregou os olhos.
Jasper voltou a segurar as mãos de e agora ela esperava que ele falasse alguma coisa. Mas vendo que ele continuava em silêncio, ela uniu as sobrancelhas em uma expressão confusa.
- Jasper, você quer falar...
E no momento em que ela ia terminar de falar a frase, um turbilhão de sentimentos a invadiu. abriu os olhos rapidamente e olhou para Jasper, que permanecia imóvel a sua frente. Ela sentiu ódio, amor, dor, prazer, calma, desespero, felicidade, solidão e paz perpassarem o seu peito com uma velocidade incrível. Sentiu-se ofegante e não conseguia dizer uma só palavra. Não sabia nem ao menos se aquilo um dia ia parar. Balançou a cabeça e puxou todo o ar que pôde de uma só vez, e então, tudo parou. Ela olhou desesperada para Jasper e não conseguiu formular uma frase concreta. Sentia que tinha acabado de emergir de um rio com uma correnteza inexplicavelmente forte, e precisava respirar. Quase se afogara em sentimentos.
Abraçou Jasper em procura de segurança e desatou a chorar. Ouviu Jasper pedir desesperadamente que ela tivesse calma. Ficou alguns instantes pressionando as costas do garoto que acariciava de leve as suas costas com as mãos frias, a fim de acalmá-la. Ela percebeu que suas unhas, nas costas de Jasper, tinha agido forte demais em seu desespero, viu que os nós de seus dedos estavam brancos e sentiu medo em ter machucado o rapaz. Retirou as mãos do garoto e voltou a olhá-lo.
- Você não me machucou. Não se preocupe. – Ele disse.
- Como você...?
- Como eu sei que você está preocupada em ter me machucado? Bem, eu sei. Eu sei de todo e qualquer sentimento que passa por aqui. – Ele tocou de leve o peito arfante da garota com a palma da mão. – Que bom que você gosta quando eu faço isso. – A garota corou levemente ao descobrir que Jasper sabia o quanto ela gostava que ele a tocasse. – Não precisa ter vergonha. Eu também sinto o mesmo. – Ele riu tentando confortá-la.
- Você também é um Escolhido? – Ela perguntou por fim, sem querer se aprofundar no assunto de suas preferências quanto a Jasper.
- Creio que não. – Disse ele simplesmente.
- Mas, o que você consegue fazer? – ela perguntou. – Isso não é normal.
- Definitivamente não é normal. – Ele afirmou. – Eu não só consigo saber o que os outros sentem, como também posso interferir. Eu posso fazer qualquer um sentir o que eu quero que sinta.
- Você sempre soube que...Bem...Erh...Que eu queria você? – Ela perguntou com visível vergonha.
- Não. Se eu soubesse não teria demorado tanto. Eu sabia que você ficava diferente quando eu estava por perto. Mas era complicado. Por que eu não sabia se eu poderia estar interferindo. Você sentia o mesmo que eu. Isso era bom, mas eu não sabia se era real. Eu não sabia se era eu que estava fazendo você querer. – Ele explicou. – Eu precisava que você dissesse.
- Bem, eu disse. – Ela lembrou.
- Ainda bem. Eu não estava agüentando mais. – Ele sorriu. – Ainda mais quando aquele Luke apareceu. E eu sabia desde o início que ele gosta de você. E você não acreditou em mim. – Ele disse amargurado.
- Você sabia que ele queria a mim? – Ela perguntou.
- Ele não só queria. Ele te amava. Mas era estranho. Era um amor doentio. – Ele explicou e uma onda de horror passou pelo corpo de . – Não precisa ter medo. Já passou. Eu acho que ele entendeu o recado. – E riu.
- Espero que sim. – Ela concordou. – Mas, Jazz, se você não é um Escolhido, então o que você é? – Ela perguntou e viu a expressão de Jasper mudar rapidamente.
Ele se levantou do sofá, deixando a rosa nas mãos de , e deu as costas para ela. Ela olhou para sua nuca, apreensiva, esperando que Jasper começasse.
- Você já ouviu falar em uma lenda que diz que pessoas frias vivem eternamente? – Ele deu partida a sua confissão no instante em que tocava a vidraça da excêntrica janela do sótão. – De criaturas da noite que lutam por toda a eternidade?
- Talvez. – Ela respondeu.
- Lendas que dizem que essas criaturas da noite são malignas e que se alimentam de...Sangue? – Ele perguntou sondando o que estava sentindo.
- Claro, Jazz. São lendas sobre... – Ela parou de falar ao perceber o que o garoto estava tentando falar.
- Vampiros. Lendas sobre vampiros. – Ele se virou nos calcanhares para olhar a garota de frente.
- Vampiro. Jasper...Vampiro! – Ela falou alto e Jasper se assustou quando a garota parecia perdida em pensamentos e lembranças.
vagou pelas suas mais obscuras lembranças e fechou os olhos para se concentrar. Ela ficou em silêncio enquanto uma viela voltava a sua mente. Sangue. Guerra. Mulheres bonitas. Um cavalo. E então abriu os olhos.
- Jasper! Eu já te vi! – Ela rugiu se levantando. – Eu vi! Eu lembro!
- Lembra de quê?! – Perguntou ele ao sentir a euforia de .
- Jazz, você entende que eu posso viajar no tempo, não entende? – Ela perguntou. – Entende que eu posso ver o passado?
- Sim, eu entendo, mas..., o que você está tentando dizer? – Ele olhou para os olhos arregalados da menina.
- 1861. Texas. O Exército Confederado enfrentava a sua primeira batalha: A batalha de Galveston. Em uma noite fria, um garoto cavalgava em um cavalo calmamente. Ele voltava de Houston. Ia em direção a Galveston, eu presumo. – falava sem olhar fixamente para Jasper, pois estava vagando em sua lembrança. – Ah, aquele garoto me chamou a atenção. Eu tive que ir atrás dele. Mas ele não podia me ver. Ele estava vestido de major do exército e parecia descansado quando parou para falar com três mulheres com vestidos brancos. Ele desceu do cavalo, acho que para ajudá-las, pensando estarem perdidas. Duas delas se foram, e ele estava só, com apenas uma delas. A mulher se inclinou, chegou muito perto, e minha curiosidade me impediu de virar o rosto. Foi a coisa mais estranha que eu já vi na minha vida. Eu tive vontade de gritar. Mas eu não podia. Eu apenas posso olhar o passado. Nunca interferir. – Jasper olhava para e estava completamente abismado. – Oh meu Deus! Jasper! O garoto era você! – voltou a chorar.
Jasper ficou algum tempo sem ação e apenas olhou a garota se debulhar em lágrimas, tentando assimilar o que acabara de ouvir. Ela sabia como e quando ele havia mudado. Essa era uma lembrança que ele preferia que não voltasse a sua mente, mas havia sido inevitável. Voltara ao pior momento de sua vida. A transformação era a pior coisa que Jasper já tinha passado na vida. Guerras e lutas contra vampiros sanguinários depois disso não tinham sido tão aterrorizantes quanto descobrir que sem nenhum aviso prévio, deixara de ser humano.
Jasper recobrou a consciência e instintivamente, pegou pelos braços e a abraçou. A garota estava desesperada e ele tentava acalmá-la.
- Eu não pude te salvar, Jasper. – Ela repetia entre soluços. – Eu não pude. Eu deixei você morrer. Eu deixei!
- Calma, meu amor. Por favor, acalme-se. Já passou. – Ele passava as mãos pelos cabelos da menina.
- Eu vi. Eu vi tudo! – Ela parara de soluçar. – Desculpe, Jazz. Desculpe.
- Você não teve culpa. Está tudo bem agora. – Ele fez com que ela o olhasse nos olhos. – Mas me diga, o que você estava fazendo lá?
- Eu não sei. Não sei nem há quanto tempo foi. Mas eu já vi outras guerras antes. – Ela explicou. – É mais fácil para eu compreender as coisas. Eu estava lá para entender a guerra, e então eu vi você. Mas eu não pude te salvar.
- Não era permitido. Eu entendo. – Ele secou as últimas lágrimas no rosto dela. – Mas existe um lado bom nessa história.
- Existe? – Ela perguntou olhando o garoto.
- Se você tivesse me salvado, eu seria mortal. E talvez não chegasse vivo até 1900. Talvez não saísse vivo nem daquela guerra. E isso seria um grande castigo. Eu nunca conheceria você. E nunca viveria um grande amor. – Ele disse se aproximando de .
- Oh Jazz. – Ela sorriu admirada. – Eu te amo.
- Eu amo muito mais. – Dizendo isso, Jasper a beijou.
Jasper sentiu o gosto doce da saliva da garota misturado com as lágrimas que ela tanto derrubara invadir sua boca. Ela, com as mãos em volta da nuca do rapaz, deitou no sofá, puxando-o para ficar em cima de si. Jasper permitiu que suas mãos vagassem pela lateral do corpo da garota, pressionando cada vez que suas mãos passavam pela cintura curvilínea dela. Ela soltava suspiros de felicidade toda vez que Jasper largava seus lábios e se dirigia ao seu pescoço. E ficou feliz ao saber que não precisava dizer que adorava quando ele fazia isso, pois sabia que ele sentia. Ele se levantou de cima dela quando percebeu algum desconforto da garota.
- Não saia. – Ela disse.
- Estava pesado em você. – Ele explicou. – Eu senti.
- Eu quero sentir o teu corpo pesando sobre o meu. – Ela pediu carinhosa.
- Eu prefiro assim. – Ele disse levantando a garota e invertendo as posições.
sorriu ao perceber toda a força que Jasper tinha e que normalmente escondia. Ele a levantou com uma facilidade incrível. Agora ela estava deitada sobre seu peito, e se sentia inexplicavelmente feliz. Nada nem ninguém poderia estragar aquele momento. Ela estava ao lado de quem mais amara e desejara na vida. Ela estava completa.


n/a-Manu: Hey meus amores, tavam com saudades de mim? Bom pelo menos da fic eu sei q vcs estavam. ^^ Como vcs estão? Pularam muito carnaval? Vou confessar q não sou muito fã de Carnaval não, pra mim a única coisa boa é o feriadão xD’ Mas não tenho nada contra quem gosta de um bom Blobo, samba e frevo no pé. xD
haushaushaushaushasu’xD
Enfim... não foi de carnaval q eu vim falar aqui, como eu havia prometido mil séculos atrás (desculpem pela demora mais uma vez, mas é q tivemos probleminhas técnicos com o meu querido note, q voltou um pouco fora de forma, mas já está tudo resolvido agora xD’) a att é DUPLA novamente, *OBA!* as Jazz’girls e as Carl’girls podem comemorar a vontade. Esse é o momento de vcs. ^^ Espero q tenhamos suprido as expectativas de quase todas vcs, pq a de todas seria pedir demais. (; Os capítulos foram escritos com muito carinho, assim como a fic toda. ^^
Bom meninas, acho q é isso, são exatamente 6:05 da manhã e adivinhem, eu ainda não foi dormir ‘-‘ devo está com uma cara terrível, mas valeu a pena. xD’ Afinal oq eu não faço por vcs. (L’
So...fiquem os nossos sweets vampires...Uma ótima leitura! Comentem bastante.^^
Amo todas de paixão. s2
Até o nosso próximo encontro minhas Cullens.
Beijometwitta. xD’
Fui...

n/a-Milah: Hey Folks! olhaaa! vi agora que mudamos para o Echo! bye bye HaloScan! xD e a contagem voltou! aeeee! enfim.. hoje não vou me estender mto não, pq a att ja ta mto atrasada *sorry* mas me digam! oq acharam dessa att dupla?? hein JazzGirls?? 66' hein CarlGirls?? momento exclusivo p vcs que esperaram tanto, hein! gosttaram? *o*
Eu tenho que falar que eu me morro completamente no Jasper.. gente, oq é ele?! perfeição em vampiro! Assim como todos os Cullen! *-----* Deliciem-se galerinha do bem e do mal! Comentem sempre! e Ha! o niver da Manu foi dia 15! Parabéns p ela por aqui! AEW! O meu é dia 24... sim, a gente faz MESMO aniversário MUITO próximas uma da outra...xD' ... viva fevereiro!! kkkkk' então é isso, gateenhas! muitas novidades estão por vir! GARANTO!
Bjinhometweeta' e tweeta o Underwear tbm! *o* segue os links, como sempre! nós não mordemos, podem followar! xD'
Luv Ya' minhas pipocas!
#MilahOff

n/b: Oioi pessoas!! Como estão?! Rum, além do problema no note da Manu, ela havia enviado a fic e eu não recebi '-' aí demorou mais um pouco para chegar aqui >< Mas enfim houve a att, e dupla *-* E ah gente, eu ameii! as Team Carlisle se deram bem ;) e as Team Jasper ein, muito lindo os dois *--*
Aahhh e PARABÉNS queridas autoras!!! Mais um ano de vida fazendo de nós felizes leitoras com esta fic que conquista sempre mais pessoas :) Aliás, essa semana faz seis meses que SDD está no ar *batepalmas* ah, queria agradecer a Milah e Manu por me escolherem e acolherem como beta desta fic, e a todas as leitoras que enchem a caixinha de coments com alegria e combustível para que SSD continue cada vez melhor :D
E é isso, continuem acompanhando e comentando ^^
Beijoos...

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