Clarão No Mar Negro: Por um único dia
By: Juliana Lopes dos Santos
Eu realmente precisava conseguir. Definitivamente, se eu me esforçasse dessa vez conseguiria manter minha promessa, eu acho. Como isso tem sido difícil nos últimos tempos: promessas! Tantas mudanças ocorreram ao mesmo tempo que parece que não tenho vivido dia-a-dia, mas semana-a-semana.
Agora Alice havia me incumbido de uma difícil tarefa: afastar Edward da cidade no dia de seu aniversário, para que ele não lesse os pensamentos dela a respeito de uma comemoração surpresa que ela queria organizar. Edward não aprovaria isso, não da maneira como provavelmente ela pretende fazê-lo. Meu maior problema é que ele não consegue ler os meus pensamentos, mas consegue ler minhas expressões! Se eu não conseguir me fazer ser convincente Alice ficará muito desapontada comigo. Preciso me esforçar! Prometi que eu a ajudaria com isso. Ela disse que daria tudo certo, mas temo que algo não saia tão bem: “ímã de problemas”.
Edward já deve estar chegando. Combinamos para que ele chegasse logo que Charlie tivesse saído... melhor evitar problemas explicando aonde vamos, uma vez que nem eu mesma decidi ao certo e Edward acha que eu quero ir a algum lugar específico que ele ainda não sabe qual é, nem por qual motivo.
A campainha soou. Seu sorriso maroto me acolheu, ao mesmo tempo que seus aconchegantes braços. Quando abri a porta, doces e gélidos lábios encontraram os meus de forma sutil, delicada, mas apaixonada. Ufa!
- Para onde vamos, Bella? É realmente raro você querer sair dessa forma, tão inesperadamente. Alice está caçando, se ela estivesse por aqui esse seria o tipo de atitude que ela teria, não você.
- Vamos fazer compras. Preciso de camisas de flanela novas e um suéter bordô. Meu guarda roupa sofreu grandes perdas nos últimos tempos. Além disso, pretendo renovar minha estante: preciso de livros novos.
- Realmente você está passando tempo demais com Alice: compras. – Disse ele, rindo de forma espontânea. - Port Angeles?
- Não, creio que Seattle seja melhor. Lá há maior variedade e Port Angeles não me traz recentes boas lembranças.
- Claro, você decide. Estarei com você onde quer que você esteja, eu prometi. - Disse ele, dessa vez com um leve sorriso. Seus olhos, hoje mel, reluziram nos meus.
Caminhei até minha caminhonete, lentamente. Ele me acompanhou atenciosamente, segurando minha mão.
- Bella, você quer que Charlie me persiga? – Ele levantou a sobrancelha e prosseguiu - Se formos com a caminhonete acabaremos chegando em casa muito tarde, talvez somente amanhã no ritmo em que você dirige.
- Eu realmente queria dirigir. Você não deixaria que eu dirigisse seu carro, deixaria?
- Hunn...não creio que seja muito boa idéia.
- Por favor! – eu disse insistentemente, resolvendo usar minha mais recém descoberta arma. Isso me daria mais tempo e, conseqüentemente, daria mais tempo a Alice.
Ele olhou para a caminhonete, olhou para mim, olhou para seu Volvo prata e novamente para mim.
- Tudo bem, mas somente na viagem de ida. Na volta, quando estiver escuro e talvez estivermos atrasados, eu dirijo.
Durante o caminho não passei de 60 km/h. Edward pareceu não se importar com minha lentidão dessa vez, aproveitando cada segundo ao meu lado para fixar seu olhar em mim, mexer em meu cabelo e falar sobre todos os assuntos “normais” que poderiam ser discutidos. Depois de tantos problemas e confusões era uma das primeiras vezes que conseguíamos ir a algum lugar sozinhos sem nos preocuparmos com nada. Resolvi então, para testar sua atenção, acelerar um pouco mais. Cheguei a 100 km/h.
- Ah! – gritei assustada e no momento seguinte só pude perceber os braços de Edward em torno de mim, me protegendo. Um animal ou algo assim havia invadido a estrada e eu perdera a direção do carro. Houve tempo suficiente somente para que eu gritasse. Quando abri meus olhos novamente já estava longe do Volvo prata, agora retorcido entre os grossos troncos de duas antigas árvores. Houve uma explosão quase instantaneamente e o carro queimou em ardentes chamas. Eu teria com certeza morrido se Edward não estivesse ali. Ainda um pouco sem ação, olhei para ele, que me segurava em seus braços com uma expressão de susto e angústia, e disse:
- Segunda vez só no quesito acidente automotivo? Você ainda vai se cansar de salvar minha vida um dia.
Seu semblante mudou. Ele riu.
- No final das contas realmente acho que não foi uma boa idéia dirigir. Desculpe.
- Não seja boba, Bella. Você está bem e é isso que importa. Não foi culpa sua. Porém, agora acho melhor voltarmos para casa. Você está tremendo, precisa se recompor.
- Não estou tão mal assim – resmunguei. – No entanto acho que precisamos avisar Carlisle sobre o que aconteceu. Alice pode ver isso, ficar preocupada e ligar para ele.
- Não acho que ele ficaria preocupado com isso. Ele sabe que posso perfeitamente cuidar de você. Em todo caso, vamos voltar então. Acho que no final das contas teremos que nos locomover um pouco mais rápido do que há pouco, enquanto você dirigia sem tentar nos matar. Suba em minhas costas.
- Muito engraçado, senhor Edward. Você chegou a ver o que entrou na frente do carro?
- Não reparei muito bem, eu estava muito entretido para perceber os detalhes do que estava acontecendo. De qualquer forma, vamos dar uma olhada na pista de onde saímos para podermos comunicar à seguradora. Será um pouco complicado explicarmos como saímos ilesos disso. É melhor começarmos a pensar em alguma coisa.
Voltamos até a beira da estrada para tentar encontrar algum vestígio do que havia me desviado do caminho. Eu não sabia se com minha grande manobra de desvio havia ferido algum outro animal. No caminho, porém, só haviam marcas de pneus, um pouco de óleo, o estrago feito entre os galhos por onde o carro havia passado e algo muito pequeno que brilhava do outro lado da pista. É claro que não fui eu quem notou a presença desse último “detalhe”. Eu estava nas costas de Edward, ainda me recompondo do susto e não conseguia pensar em outra coisa a não ser em um jeito de fazer com que Edward não voltasse para Forks. Alice deveria estar nesse momento cuidando dos preparativos para o que planejara em homenagem aos 107 anos de Edward. Eu precisava ocupar a mente dele com qualquer coisa, levando-o para qualquer lugar.
Edward abaixou-se delicadamente, pegou o objeto brilhante, olhou para os lados procurando por qualquer sinal de vida e, não encontrando, mostrou-me o pingente de prata em formato de flor que agora estava na palma de sua mão.
- Bonito pingente. Mas o lugar parece ser deserto. Na certa alguém o perdeu há algum tempo, quando passou por aqui. Estenda o braço Bella.
- Estender o braço? O que você pretende fazer?
- Apenas estique o braço em que está o bracelete que Jacob lhe deu com o pingente dele e o que lhe dei.
Estiquei o braço sem entender ao certo por que. Edward colocou a flor entre o lobo e o coração. Me senti muito estranha por um momento, talvez fosse o constrangimento por ter algo que não sabia a quem tinha pertencido em meu pulso.
- Bella, isso não é um presente, não me olhe com essa cara. Considere isso apenas uma lembrança da vez mais recente em que mantive você viva. Além disso, ficou muito bem no conjunto. A flor é delicada e linda, como você.
Corei. Ele me beijou e fiquei um pouco mais tonta do que estava pelo susto.
- E se fossemos ao cinema em Port Angeles mesmo, só para aproveitarmos o dia e ficarmos juntos, longe de tudo?
- Você tem certeza de que está bem? Não quer ir para casa descansar?
- Não, definitivamente. Já tenho comigo tudo o que preciso para ficar bem. Você é meu melhor remédio.
Subi em suas costas e fomos até as proximidades de Port Angeles.
Chegamos na cidade caminhando, como se tivéssemos estacionado nas proximidades. Edward, no entanto, me pareceu um pouco estranho. Ele não fez grandes comentários enquanto corria. Ao chegarmos ao cinema, ele parou e me olhou com cautela e estranheza:
- Bella, o que Alice está preparando para que você tivesse que me levar para longe de casa?
- O que você disse? – meus olhos se arregalaram. Não pude conter meu espanto. Eu não havia conseguido ser convincente!?
- Você esteve todo o caminho pensando em ter que me manter fora de casa porque do contrário desapontaria Alice! O que isso quer dizer?
- Espere aí, você nunca pôde ler meus pensamentos! Como...?
Ele fechou os olhos em uma expressão de descrença. Em seguida os abriu novamente e olhou para mim.
- Então é mesmo verdade?? Não posso dormir, então não posso estar sonhando! No caminho para cá, não sei como nem por que, comecei a escutar uma nova voz em minha cabeça. Pressupus que seria a sua, já que não havia mais ninguém por perto, mas achei-me louco porque isso nunca aconteceu antes, por mais que eu tentasse. Sua mente sempre foi um mistério para mim. É como se um forte clarão iluminasse o mar negro de tal forma que se pudesse enxergá-lo com clareza até as mais densas profundezas. Não sei se isso é permanente ou se não durará muito. Você está se sentindo bem? Eu me sinto absolutamente normal, não pode haver algo errado comigo.
Atônita, não consegui responder nada além da verdade:
- Estou me sentindo um pouco estanha, mas deve ser por conta do acidente, do susto. Ainda não consigo acreditar que você consegue ouvir meus pensamentos. Isso é muito desconfortável.
- Eu sei, mas não se preocupe, tentarei não bisbilhotar. Mas, afinal de contas, por que é que você se lembra dele ao pensar nisso? Os pensamentos de Jacob nem eram tão interessantes quanto você pensa e ele não devia se sentir como você se sente agora por ter seus pensamentos lidos. Às vezes eu tinha a impressão de que ele pensava em certas coisas de propósito quando estava perto de mim, penso que isso o deixava confortável de certa forma às vezes;
- Edward...
- Me desculpe. Tentarei evitar. Eu prometo.
Entramos no cinema. O filme já havia começado. Sentada ao lado dele, pela primeira vez me senti desconfortável. Alice iria me matar. Com certeza ela já sabia que Edward sabia. Eu precisava pensar em qualquer coisa, menos no que ela havia me dito sobre planejar algo. Sentada no cinema, no escuro, a única coisa em que consegui pensar ao tentar fugir do “futuro” foi no passado. A última vez em que havia ido ao cinema tinha sido com Jacob e Mike. Edward me olhou com reprovação, mas não disse nada. Também não queria magoá-lo. Tentei buscar outros pensamentos. Sem querer recordei os momentos que passei antes de reencontrá-lo na Itália. Ele sorriu com um sorriso melancólico.
- O que você pensa que está fazendo, Edward? – Disse baixinho, no ouvido dele.
- Me desculpe. O filme não estava tão interessante. Não pude evitar.
- Pois tente com mais vontade.
Ele me abraçou. Nos momentos seguintes tudo em que consegui pensar foi em como me sentia bem ao seu lado e em como minha vida havia encontrado novas perspectivas e um sentido maior depois que eu o reencontrara. Pensei em todos os momentos que passamos juntos, em todas as dificuldades que enfrentamos e superamos juntos. Ele me abraçou mais apertado e me perdi em minhas lembranças.
Quando saímos do cinema, Edward resolveu me levar para almoçar. Pensei em me opor para ganhar tempo conversando e o dia passar mais rapidamente, mas ele já sabia que eu havia pensado assim e também já sabia que eu realmente estava com fome. No restaurante, inicialmente só ele falou. Eu não precisava responder a nada oralmente: ele já sabia as respostas.
-Bella, afinal de contas, o que Alice está planejando?
Pensei comigo mesma: não, não, não, não, não. Mas, afinal de contas, mesmo que eu tentasse pensar no que ela pretendia não seria de grande ajuda a ele. Ela não havia me dado nenhum detalhe. Será que Alice já sabia que Edward poderia ler meus pensamentos hoje e se precavera?
- Não sei ao certo.- Respondi finalmente, em voz alta. - Só sei que tem algo a ver com seu aniversário. Não me envolvi diretamente com isso, ela sempre prefere cuidar de tudo. A única coisa que fiz foi comprar seu presente e me comprometer a distraí-lo até o crepúsculo. O presente e tudo o mais eram para ser surpresa, mas agora creio que não adianta mais tentar esconder.
- Não se preocupe, Bella. Fico realmente feliz com essa cumplicidade entre você e minha irmã, por mais que isso possa ser traiçoeiro para mim, no bom sentido. Alice tem um grande poder de persuasão. Não vou tentar entrar na mente dela para não estragar os planos de vocês, prometo.
- Agradeceria muito! Você não está chateado por eu não ter te contado antes que você soubesse sem querer de tudo? Não está chateado por eu ainda não ter te dado os parabéns para que pudesse fazer surpresa mais tarde?
-Não. Entendo perfeitamente como você foi influenciada por aquela criaturinha pequena e maquiavélica. Porém, para me recompensar posso pedir uma coisa? Você promete me conceder esse desejo?
- Sim. – Droga! Nunca consigo pensar antes de responder quando ele fala tão calidamente!
- Se em seu aniversário você me proibiu de gastar dinheiro com você, hoje, que é meu 107º aniversário, eu quero que você me permita fazer o que quiser com meu dinheiro, inclusive gastá-lo com você e quero que você me acompanhe e me apóie nisso.
- Não posso concordar com isso. Você sabe o que eu penso sobre você gastar dinheiro dessa forma. Eu nunca poderei comprar para você todas as coisas que você quer comprar para mim. Não seria justo com você.
- Você já prometeu. Vamos indo, teremos uma longa tarde.
Saímos juntos do restaurante poucos minutos depois. Ele estava mais animado do que de costume. Durante a tarde, poderia jurar que ele era realmente irmão biológico de Alice, se esse tipo de comportamento fosse genético. Primeiro fomos a uma concessionária para ele encomendar um novo carro. Ao escolher, ele ficou indeciso entre um Jaguar e o novo modelo Volvo. Ao olhar para mim, escolheu o Volvo, na cor prata. Eu não conseguia desvincular sua imagem à daquele carro, que me trazia boas e antigas lembranças. Depois fomos a uma loja de departamento. Ele me pediu que aguardasse sentada e sumiu por alguns instantes, retornando com três sacolas contendo exatamente o tipo de roupa que eu pretendia comprar um dia, no exato tamanho em que eu teria comprado. Fomos por fim a uma livraria. Ele me deixou bisbilhotando alguns volumes enquanto encomendou no balcão uma série de livros que sabia, revirando meus pensamentos, que eu gostaria de ler, mas que a livraria não tinha no momento. Ele encomendou dois volumes de cada: um para mim e outro para ele, depois me entregou o comprovante para que eu conferisse os títulos. Eu o olhei com reprovação.
- Esses são presentes que eu resolvi me dar. Não me olhe assim, se você pretende ler isso, eu também quero ler para poder conversar com você a respeito deles. O que te interessa me interessa também.
Assim passamos a tarde, até que o sol começou a ficar muito fraco e ele leu em meus pensamentos que já era hora de voltar.
- O crepúsculo se aproxima, Bella, nossa mais cara hora. Vamos voltar para Forks para ver o que Alice fez dessa vez, ou melhor, que grande evento ela promoveu.
Subi novamente em suas costas e ele correu mais rápido que nunca, percebendo minha urgência em cumprir os horários combinados. Chegamos em minha casa, tomei um banho, lembrei Charlie de que ia à casa de Edward, saí e entrei em minha caminhonete, onde ele me esperava, com o pacote de seu presente, que eu deixara no porta-luvas, aberto em suas mão.
- Realmente adorei, Bella querida! Não somente o CD e o cartão, mas todo o dia que passamos juntos! Poder saber o que você pensa e poder fazer o que eu podia para te fazer mais feliz foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado! Esse, sem dúvida é o melhor aniversário dentre todos que já tive porque estamos sem dúvida alguma mais próximos do que nunca.
Eu o beijei demoradamente e saímos antes que Charlie percebesse minha demora ao ligar a caminhonete.
Ao chegar à casa dos Cullens, haviam antigas luminárias penduradas na varanda, marca registrada de Alice. Na escada de entrada, ela nos esperava. Primeiramente abraçou Edward com mais força que a de costume, depois entregou-lhe um embrulho e olhou para mim agradecendo-me com o olhar pelo esforço que sabia que eu havia feito por seu projeto. Edward abriu o pacote: era um chaveiro de aço em forma de piano, muitíssimo bonito. É claro que Alice sabia o que havia acontecido ao antigo carro do irmão.
Ao entrarmos em casa, vimos que a sala de estar havia se transformado em algo parecido com um teatro ou uma sala de cinema: havia um palco, uma grande tela branca ao fundo, as paredes, inclusive as de vidro haviam sido cobertas por camadas de tecido e material que isolam som e os sofás haviam sido substituídos por largas poltronas acolchoadas. Alice subiu no palco, com um vestido de festa similar aos vistos em filmes que retratavam as primeiras décadas do século XX, sem que eu pudesse ter tido tempo de vê-la subir, se trocar e descer as escadas até o palco. Ela pediu que nos sentássemos e iniciou sua “apresentação”. Toda minha futura família estava presente, com sorrisos nos rostos ao perceber a minha expressão impressionada. Edward não parecia tão surpreso, com era de se esperar.
Alice havia montado uma apresentação de slides com os principais momentos da vida de Edward em seus 107 anos: haviam pinturas antigas que ela havia guardado e pinturas novas, que ela havia encomendado, fotos dos lugares por onde a família Cullen passou, das pessoas com as quais conviveram e por fim fotos atuais da formatura e de todos os outros eventos pelos quais havíamos passado nos últimos tempos. Ela fez comentários, trocou de roupa várias vezes nos intervalos preenchidos com pequenos vídeos e tocou músicas durante a apresentação. Quando Alice terminou, eu estava chorando de emoção e Edward estava sorrindo enquanto me abraçava e olhava para ela, em agradecimento. Acenderam-se as luzes e então foi a vez de todos os outros Cullens entregarem seus presentes a Edward. Em meio a tudo isso, a campainha soou. Esme foi atender e em seguida retornou à reunião calmamente:
- Alguém sabe algo a respeito de um pingente de prata em forma de flor de lis? – Esme perguntou, aguardando resposta.
Olhei para Edward e ergui meu braço para que Esme visse o pingente em meu bracelete.
- Seria esse? – perguntei.
Senti algo puxando minha perna. Olhei para baixo e pude ver um gato preto que me observava com atenção.
- Isso pertence à minha mestra, cara senhorita. Poderias devolver para que eu volte aos meus serviços? Se eu retornar sem o pingente serei com certeza um gato morto.
Fiz um gesto para que Edward tirasse o pingente de minha pulseira, sem conseguir responder ao gato, tamanho meu espanto.
- Você não precisa fazer isso, Bella. – disse Emmett- Eu posso cuidar disso. Nem se quer teria graça.
- Não será necessário. A culpa foi inteiramente minha. – disse Edward, devolvendo o pingente ao gato. – Me desculpe por dar a alguém algo que pertence a outra pessoa.
- Agradeço pela gentileza e peço licença para retirar-me, pois penso ter interrompido alguma comemoração familiar. Meu nome é Salém, sou servo de uma feiticeira aliada, que aguarda por esse pingente para quebrar um encanto que foi posto em uma jovem. Ele é um artefato muito valioso para o mundo da magia, capaz de desfazer qualquer feitiço ou quebrar qualquer barreira. Com sua licença, preciso me apressar, pois o perdi enquanto voltava para casa de manhã e quase fui atropelado em uma estrada um pouco distante daqui. Demorei-me já demasiadamente e a cliente de minha mestra sofre enquanto conversamos.
Esme abriu a porta para o gato que, após uma última reverência, se retirou o mais rápido que pôde.
Edward me olhou com um pouco de desapontamento.
- Então era isso que estava acontecendo. Isso explica o fato de que em sua mente agora tudo voltou ao normal. Ela está mais ilegível do que nunca para mim, Bella querida. Contudo, foi uma maravilhosa experiência conhecer seus pensamentos por um dia. Quem sabe não devo seguir o rastro do gato e recuperar o artefato? – ele disse, sorrindo.
Carlisle o olhou fixamente.
- Estou brincando, desculpem-me. – Edward replicou. – Será que aos 107 anos já se é velho demais para fazer uma brincadeira?
Todos riram.
Eu o beijei e disse baixinho em seu ouvido:
- Parabéns, querido. Te amo.