O Mais Perto Que Eu Estiver Do Céu
By: Cleide Barbosa C. Lima



Pra mim era apenas mais um dia. Mais um dia comum, chuvoso e monótono. Como todos os meus dias haviam sido. Pra Alice, porém, era um dia pra comemorar; realmente não sei de onde ela tira disposição pra ser tão enérgica assim o tempo todo. Eu estava no meu quarto, observando a chuva cair pela janela, e isso me fez pensar em muitas coisas. Mas todas as minhas reflexões foram interrompidas de repente pela entrada súbita de Alice no meu quarto e pelo grito de ‘feliz aniversário’ que ela deu.
“Ah, Edward, se anime! Afinal, só se faz 107 anos uma vez na vida não é?”, Alice sempre tentava me animar e me convencer que não ia ser tão ruim assim. Nunca tive muita certeza disso.
“Tá bom”, respondi à meia voz, deixando o desdém transparecer no tom que eu usei. Me arrependi amargamente de ter dito isso ao ler os pensamentos de Alice.
“Seu insensível, você não pode sentir um mínimo de felicidade por você estar conosco e pelo fato de que nós nos importamos com você?”
“Desculpe Alice, é que isso tudo me faz lembrar...” Parei de repente. Dizer aquele nome ainda doía como uma ferida profunda e mal-curada e isso me surpreendeu. Talvez eu ainda não estivesse pronto para dizer aquele nome de novo sem me sentir a pior pessoa do mundo. Apesar de alguns anos terem se passado desde que a deixei, eu ainda não havia me recuperado por completo, ela havia sido como um vendaval que passou pela minha vida e deixou só destroços, despedaçados demais pra que eu simplesmente juntasse os pedaços e me refizesse. Isso levaria muito tempo, mas o tempo que me tomasse não me importava, afinal eu teria a eternidade pra me refazer, em alguns anos ela teria ido, e eu permaneceria. Eu bem sei que ela deve ter ficado muito pior do que eu, ela é apenas humana, com certeza a falta da minha presença constante deve tê-la destruído, e é isso que me faz sentir mal, o fato de que eu pudesse tê-la machucado de alguma forma. Mas o que me mantém são para poder me suportar, é o fato de que o fiz pra que ela pudesse ser feliz de novo, algum dia, com alguém que a mereça e não ache que vai matá-la quando a tocar.
Alice ficou tão surpresa quanto eu. A menor referência a ela causava espanto na minha família, principalmente se fosse eu a falar sobre ela.
“Eu sei Edward”, Alice havia mudado seu tom de defensivo e magoado para um tom compreensivo, colocando a mão por trás de mim e escorando a cabeça no meu ombro.
“Eu sei o quanto é difícil pra você, essa data, o seu aniversário, o seu passado... Acredite em mim, sei como se sente”.
E eu sabia que era verdade. Alice havia passado muito tempo quase catatônica, e ela sentia a falta dela, tanto quanto eu. Só que ela estava se curando, ela havia aceitado, e no fundo eu me negava a me curar, eu não queria me curar, porque curar significava esquecer. Isso era tudo o que eu não queria.
Alice olhou fundo nos meus olhos, esboçou um leve sorriso e saiu, me deixando só e absorto em meus pensamentos de novo. Era tudo o que eu precisava para lembrar dela. Dois anos sem contemplar o seu sorriso, ou rir quando ela batia na minha porta toda molhada, dois anos sem beijar os lábios quentes e reconfortantes dela, sem segurá-la em meus braços e protege-la. Dois anos, 24 meses, 730 dias, 17.520 horas. Essa conta não fazia nenhum sentido, porque eu não via como eu consegui passar tanto tempo sem sentir o cheiro doce que exalava por sua pele e sem acariciar seus cabelos ou sem percorrer minhas mãos por seu rosto. Os dias simplesmente passavam um após o outro, porque eu tentava ao máximo não pensar nela. Mas hoje era diferente. Fazia dois anos que eu havia sentido aquele perfume único, que eu havia olhado naqueles olhos pela primeira vez. Há dois anos atrás, eu estava trocando as primeiras palavras com Isabella Swan, o amor da minha vida, quer dizer, da minha eternidade.
Fui até meu armário, abri uma caixa, e lá estava a foto. Eu abraçando Bella, na cozinha da sua casa, foto tirada por Charlie. Tudo isso parecia tão distante de mim, como se tivesse acontecido em outra vida. Surpreendi-me ao ver a foto em minhas mãos, meus dedos percorrendo a garota da foto e eu murmurando “Minha Bella”. Se eu pudesse de alguma forma chorar, com certeza nesse momento, minhas lágrimas teriam molhado aquela fotografia. Era quase insuportável olhar pra ela sem que eu sentisse uma dor aguda e extrema no meu peito. Guardei a foto, era melhor mantê-la longe dos meus olhos, principalmente hoje. Peguei as chaves do meu Volvo, e passei tão rápido pela sala que ninguém pareceu ter me visto, ou ao menos fingiram que não viram. Quando cheguei a minha garagem, Carlisle estava encostado no capo do meu carro.
“Você não precisa dizer nada, eu estou bem”, me adiantei a ele com um tom seco.
“Tudo bem, eu não ia dizer nada, só pensei que você gostaria de ter alguém pra te escutar, mas pelo o que eu percebi você não está muito disposto a falar hoje”, disse ele num tom paternal, tão doce que eu quase me rendi às pretensões dele.
“Não estou muito bem hoje, pra ser sincero. Vou sair”.
“Tudo bem, dirija com cuidado”, disse Carlisle sorrindo, verdadeiramente como um pai aconselhando seu filho.
Eu simplesmente entrei no meu carro e sai de lá o mais rápido possível, todos eles, a minha família inteira me fazia lembrar dela, porque de várias maneiras, ela havia marcado a existência de todos ali. Eu não sei exatamente por quanto tempo eu dirigi, mas os caminhos e as estradas começaram a ficar cada vez mais familiares, e ao reconhecer ao longe a entrada para a minha antiga casa, eu soube para onde o meu subconsciente havia me levado. Eu estava sendo trazido de volta para Forks, de encontro com o meu passado, o passado que eu tanto havia lutado pra afastar de mim, embora eu soubesse que era esse mesmo passado que traria a paz de volta aos meus dias. E o que me surpreendeu foi saber que eu nem havia feito a curva para voltar, e nem eu queria. Simplesmente deixei meus instintos me guiarem, e eles me levaram diretamente a curva que era a entrada para a minha casa. Entrei pela estrada de terra, no meio da floresta, lembrei que ela sempre reclamava que Forks era verde demais, e agora eu compartilhava do seu ponto de vista. O caminho antes tão limpo e claro, agora era tomado por samambaias e pequenas árvores. Até que avistei a linda casa branca, onde passei os melhores momentos da minha não-vida. Parei o carro e simplesmente fiquei admirando-a, tentando memorizar todos os detalhes. Fazia tempo que eu havia estado ali. Desci do carro cuidadosamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível para que eu não chamasse atenção de um possível visitante que estivesse por perto. Eu não queria que ninguém soubesse que eu havia estado ali. Então me veio à cabeça que a essa altura, Alice já devia ter visto que eu vinha pra cá, e com certeza já devia ter dito à Esme ou Carlisle.
“Isso não me importa mais”, murmurei pra mim mesmo, no momento em que alcancei o primeiro degrau da escada da frente. Subi mais lentamente do que o normal, e passei alguns segundos segurando a maçaneta da porta, com medo do que viria ao abri-la. Mas nada poderia me fazer sofrer mais do que saber que dia era aquele. Então simplesmente abri. Me impressionei ao ver que a casa estava exatamente igual desde o dia em que Carlisle havia me tirado dali a força e me levado pra longe. Os móveis estavam no mesmo lugar, quase que esperando que os moradores dali voltassem a qualquer minuto. Tudo exatamente igual. Só o que havia sido levado eram as roupas e as coisas pessoais de cada um. Apenas aquilo que o tempo limitado deixou cada um levar. A única coisa que eu levei comigo foram as fotos. Disso eu não abriria mão. Percorri cômodo por cômodo, observando cada detalhe, numa tentativa desesperada de trazer aqueles dias de volta.
Eu olhava pra cada canto da casa e só conseguia ver o rosto dela. O sorriso dela, dançando solto pelo ar, como um fantasma do passado que havia voltado pra me assombrar. E eu continuava andando por aquele lugar, que havia sido a morada da minha verdadeira felicidade. Desci as escadas de volta para a sala e avistei meu velho piano, onde eu costumava compor as minhas canções, a maioria inspirada nela. Abri o piano e meus dedos deslizaram por suas teclas, sentindo cada textura. Então comecei a tocá-la. Aquela canção que eu havia feito pensando nela, e que eu havia cantado tantas vezes pra ela dormir. A canção de ninar de Bella. Havia dois anos que minha voz não cantarolava essa música, nem muito menos os meus dedos tocavam suas notas. E foi como se eu me sentisse inteiro de novo, reconfortado pela memória mais concreta dela. E então parei de súbito. Eu não podia fazer isso, não podia me dar ao luxo de aparecer e ir embora em seguida. E se ela descobrisse que eu havia estado ali? Eu não podia ficar. Entrei no carro e dirigi na direção oposta de Forks, mas resolvi não voltar pra casa. O dia ainda não havia acabado e eu não gostaria de olhar os olhos ressentidos da minha família. Entrei numa estrada qualquer e parei meu carro lá. Desci e fiquei sentindo o cheiro da floresta ao meu redor. Então resolvi fazer uma coisa que minha razão reprovava, mas agora eu estava completamente envolvido pelas minhas emoções. Eu estava voltando pra Forks.
Corri. O mais rápido que eu pude pela floresta. O vento batia forte no meu rosto e isso me fazia sentir bem. Fazia tempo que eu não corria e eu havia esquecido o quão bom era. Era um dia de sábado e estava chovendo em Forks. Corri mais um pouco e fui parar na beira da floresta do quintal dela. Se meu coração ainda batesse, ele estaria saindo pela boca de tanto nervosismo. Com uma pequena corrida saltei em direção à janela dela. Onde eu estava com a cabeça? E se alguém me visse? Minha falta de racionalidade me envergonhou na hora. Quando parei enfim, do lado de fora de sua janela eu contemplei aquela cena da qual eu tanto sentia falta. Se eu pudesse chorar, essa seria a segunda vez que as lágrimas viriam aos meus olhos naquele dia. A coisa mais linda que eu já vi. Exatamente como eu a havia deixado. Dormindo. Perguntei-me se ela estaria sonhando, e se ainda tinha o hábito de falar durante o sono. Agucei minha atenção no que ela dizia. Sim, ela ainda falava sonhando. Meus olhos estavam vidrados no seu rosto adormecido, o cabelo desgrenhado estava espalhado pelo travesseiro que ela abraçava com força.
“Mas eu queria tanto... por favor, não...”, eu podia a ouvir murmurando. Aquela voz, capaz de ser tão doce e tão seca, mas sempre tão irresistível. O cheiro dela me invadiu quando uma rajada de vento entrou e saiu pela fresta da janela que estava aberta. Que cheiro era aquele? Era mais surpreendente do que da primeira vez que o senti. Não era nem perto do que eu imaginava. Então seu tom de voz mudou pra desespero.
“Não! Por favor, não vá! Eu te imploro, eu faço o que você quiser.”
Ela estava tendo um pesadelo provavelmente. Como eu queria poder ir lá e despertá-la desse sonho ruim e dizer que tudo iria ficar bem. Foi quando eu ouvi. A prova de que eu ainda estava em algum lugar.
“Não! EDWARD!”. Então ela abriu os olhos de repente e os fechou de novo num suspiro, foi quando eu recuei e saí dali, correndo para o mais longe que eu consegui. Parei no meio da floresta, respirando rápido demais, ofegante, como se de repente eu precisasse de muito oxigênio. Eu sabia que eu não tinha que respirar, mas eu não conseguia evitar. De repente me senti tão vivo de novo. Me sentei num tronco no meio da trilha, mal me agüentando em pé.
“Ela ainda pensa em mim, sonha comigo. Ela ainda não me esqueceu.”
Eu estava completamente extasiado, como se estivesse fora do meu corpo. E não sabia o que fazer, se eu ia embora e dava mais tempo a ela, se voltava agora mesmo e dizia o quanto eu a amava e que eu não suportaria nem mais um segundo longe. Entre o turbilhão de pensamentos e dúvidas que vinham a minha cabeça, me veio a lembrança nítida do dia da clareira. Ela olhando maravilhada para a minha pele ao sol, enquanto ela brilhava como um cristal. A lembrança do cristal me fez recordar da pulseira com o coração que eu havia dado a ela. Me perguntei se ela ainda tinha ou se havia jogado fora num acesso de raiva. Me levantei e resolvi ir à clareira, à nossa clareira, que eu gostava tanto de ir e deitar-me ao sol e observar as flores e as nuvens e os traços suaves do rosto dela. Corri ainda mais. O sol estava cada vez mais próximo do horizonte, e o céu ganhava um tom de azul cada vez mais escuro. Quando cheguei à beira da clareira, o entardecer já batia à porta, agora o céu era alaranjado, o sol se pondo por trás das colinas. Eu caminhei até o centro da clareira. A grama úmida era convidativa e me permiti deitar sob o céu e observar as nuvens passando por cima de mim. Passei um bom tempo assim, quanto ao certo eu não sei. Então, ouvi passos de alguém vindo em minha direção, automaticamente fui para a borda da clareira de onde eu havia vindo, e me escondi por trás das plantas, para observar quem estaria se aproximando.
O cheiro dela me invadiu, e de repente senti meus pés pesados, como se eles estivessem se negando a sair dali. Observei ela se aproximar, seus olhos inundados por lágrimas, o cabelo preso e os braços ao redor de seu peito. Ela estava realmente ali, não tinha como ser uma alucinação, era real demais. Eu mal podia me conter.
Sem sentir, e contra a minha vontade meus pés se moveram para frente, me colocando à mostra, e então ela se virou para me encarar. Sua expressão era de medo à primeira vista, mas depois foi se mesclando a uma de emoção, espanto e por fim, alívio. Duas lágrimas rolaram pela sua face, quando ela semi-cerrou os olhos ao mesmo tempo em que seus joelhos dobravam e a empurravam para o chão. Eu corri até ela, passando meus braços por suas costas e a segurando antes que ela alcançasse o solo. A deitei com cuidado, aninhando sua cabeça no meu peito. Essa era a minha sentença, eu não poderia mais ficar longe dela. Era tarde demais pra voltar atrás. E me rendi completamente ao momento. À luz do crepúsculo a pele dela parecia tão mais pálida e me perguntei se ela estaria bem. Foi exatamente quando ela abriu os olhos. Os olhos mais lindos que eu já havia visto.
Ela deu um pulo se afastando de mim, e me observava como se eu não fosse real. Tive vontade de rir. Eu não tinha nem certeza se eu ainda sabia rir, isso não era exatamente algo recorrente no meu rosto nos últimos tempos. Mas eu me sentia tão leve que eu poderia gargalhar. E foi isso que eu fiz. E enquanto eu estava rindo, ela me encarava, com a sua expressão mais enigmática. E eu percebi que essa expressão era nova. Ela foi se aproximando cada vez mais de mim e estendeu a mão pra tocar meu rosto. Senti as pontas dos seus dedos roçando na minha bochecha, quando ela se atirou nos meus braços em meio a uma crise de choro. Um som saiu da minha boca, algo que eu nunca havia experimentado antes. Eu estava soluçando, embora no meu caso não houvesse lágrimas caindo dos meus olhos. Ela estava em meus braços finalmente. Não sei por quanto tempo permanecemos ali, mas os nossos soluços só vieram parar por completo quanto já estava totalmente escuro e a luz já ia alta no céu.
“Charlie está vindo te buscar, Bella”, eu murmurei.
“Shhh, eu não me importo”.
Como era bom ouvir a sua voz mais um vez. Minha Bella, como sempre foi.
E ficamos deitados olhando pra lua, até que as luzes das lanternas invadiram a nossa clareira, enquanto nossos olhos se negavam a ajustar-se a repentina claridade do lugar. Quando eu ouvi a voz tão familiar de Charlie gritando por sua filha.
“Bella, graças a Deus que eu te encontrei. Meu Deus, onde você estava?”
Ela havia se levantado e ido ao encontro de Charlie, e eu havia permanecido ali, deitado, como se nada tivesse acontecido. A verdade, era que eu não queria ter que enfrentar os olhos julgadores de Charlie, que me acusariam de ter feito tanto mal a sua filha.
Em meio a um abraço, Charlie parece ter reconhecido minha figura deitada no meio da clareira e soltou Bella por um instante para me encarar. Eu levantei-me e andei em direção a ele. Ele levantou a mão num gesto de censura.
“Com você eu me resolvo mais tarde, agora eu só quero levar minha filha para casa”, disse Charlie num tom seco e agressivo. Pude ver que os pensamentos dele era bem mais hostis do que sua palavras, e ele estava se controlando por causa de Bella. Eu apenas assenti com a cabeça e lancei-lhe um olhar resignado. Ela veio em minha direção e me abraçou, e eu abracei de volta. Tão forte, que nada nem ninguém seria capaz de quebrar aquele abraço. Eu poderia ficar assim por toda a eternidade. Mas então, de súbito, a razão voltou a mim, e eu lembrei que eu devia deixá-la ir. Mas dessa vez, não era permanente.
“Te vejo mais tarde”, sussurrei em seu ouvido, e pude ver o sorriso iluminando o seu rosto. Ela me deu um beijo apressado e partiu. Eu fiquei olhando todos eles irem embora, até que tudo ficou escuro de novo. Olhei pra cima e a lua brilhava forte lá no alto. Sorri de leve e corri. Precisava urgente falar com Carlisle. Não sei se ele aprovaria minha atitude, mas ao menos ele ficaria feliz com a minha felicidade. Quando entrei no carro e liguei o motor, dirigi o mais rápido que pude, mas a estrada parecia ter se tornado mais longa e sinuosa. Entrei na cidade, e fiz o caminho de volta para a minha casa, e ao avistar de longe a porta da frente, notei algo muito estranho. Estavam todos eles, minha família, parados do lado de fora da casa, como se estivessem esperando algo. Os carros estavam todos ali também. Algo estava acontecendo. E não pude ver com clareza o que se passava nas mentes deles, eram pensamentos demais.
“O que está acontecendo?”, perguntei atônito.
Emmet, Jasper, Rosalie, Alice, Carlisle e Esme. Todos me olhando com curiosidade, como se aquela fosse a primeira vez que eles haviam me visto.
“Estamos voltando pra Forks, querido”, disse Esme, quebrando o silêncio. Seis sorrisos se abriram um por um. Eles já deviam saber de tudo.
“Vamos! Vocês estão esperando o que?”, perguntou Alice, com a ansiedade estampada em sua voz.
Um por um, eles foram entrando em seus carros, e seguindo em direção à estrada. Fiquei pensando no quão sortudo eu sou por ter uma família como essa. Senti que deveria agradecer algum dia à eles, mas a idéia foi substituída pela minha ansiedade em vê-la. O amor da minha eternidade. Enquanto dirigia, fazia planos para nunca mais deixa-la de novo.
Chegando a nossa casa, o nosso verdadeiro lar, percebi porque tudo havia permanecido como se estivesse esperando os moradores com um intuito. Eles sabiam que mais cedo ou mais tarde nós voltaríamos pra lá. Eu sorri meio envergonhado com o quão previsível eu podia ser. Apenas estacionei o carro, enquanto todos desembarcavam, e fiquei encarando-os.
“Ta esperando o que, Edward? Vai lá!”, ouvi Emmet dizendo. E eu fui. Corri e corri pra Bella. Cheguei em frente à sua casa, já era tarde e Charlie já havia ido dormir, mas Bella não, ela estava me esperando sentada na cama, com a janela aberta. Quando eu entrei, ela se atirou nos meus braços e chorou, agora um choro mais calmo, mais aliviado. Era um choro de felicidade. Eu apenas a abracei e a confortei. Como eu tinha saudade de confortá-la. De dizer que tudo ia ficar bem. Não cabiam palavras nesse momento. O abraço dela era sem dúvida uma das melhores sensações. Eu me sentia completo de novo.
“Mas Edward, como? Quando? Eu não entendo...”
“Shh, não se preocupe minha Bella, jamais vou cometer o erro de te deixar de novo. Nunca mais. Esse tempo todo passou e eu não consegui te esquecer. E quando eu vi que você também não havia me esquecido, eu desisti de me manter longe de você. Você é minha pra sempre Bella, pra toda a eternidade.”
E a beijei. O melhor beijo do mundo. Numa pressa, como se fosse o último. Mas eu havia prometido a mim mesmo que não seria.
Peguei ela em meu braços, e a deitei na cama. Ela afastou um pouco, dando espaço para me deitar. Foi o que eu fiz. Deitei-me ao lado dela, de lado, abraçando-a com cuidado. Ela olhou pra mim.
“Hoje é o seu aniversário! Ah, se eu soubesse que você estaria aqui, eu teria te dado...”
Foi quando eu colei meus lábios nos dela para fazê-la parar de falar. Ela apenas sorriu e retribuiu o beijo.
“Você é o melhor presente que eu podia ganhar, Bella. Esse é o melhor aniversário que eu já tive.”
Eu comecei então, a cantar a canção de ninar. Ela se aninhou para mais perto de mim. E fiquei assim até ela pegar no sono. Mesmo depois que ela dormia, continuei assim, com milhares de pensamentos passando pela minha cabeça. Olhei para o braço direito dela e lá estava a pulseira que eu havida dado a ela, com o coração reluzindo à meia luz. O dia então começou a clarear, e eu estava abraçado com a minha amada. Duvido muito que pudesse existir sensação melhor do que esta. Pensei então que eu não podia ser tão mau assim, passei do inferno pro paraíso no mesmo dia, e eu tenho certeza que aquilo era o mais perto que eu estive do céu.