Estúpido dono do Volvo brilhante
By: Júlia Oliveira Rosa



- Nada mais justo do que dar um presente em troca da pulseira que você me deu. – Eu falei, brincando com a pulseira e o pingente em formato de coração.
Nós estávamos deitados na enorme e confortável, porém praticamente inútil, cama do quarto de Edward.
- O meu maior presente é ter você do meu lado. - ele me disse, sorrindo o meu sorriso preferido. - É ter você todos os dias e ver a sua bochecha ficar vermelha toda vez que eu te olho. - ele pegou meu queixo e ergueu, me olhando com aqueles olhos profundos. - Não acha?
E exatamente como ele disse, o sangue começou a subir, da ponta dos pés até o couro cabeludo.
- Feliz 107 anos. – Eu disse. Ele sorriu constrangido do jeito mais perfeito possível. - Eu te amo. – Falei, suspirando.
- Mais do que qualquer coisa que eu pudesse ganhar de aniversário é te ouvir dizer isso. - Ele me abraçou, acariciando meus cabelos e beijando a minha testa. - Te ter como a minha esposa é a única coisa que eu posso querer de aniversário. Saber que você é só minha e de mais ninguém. - Ele ficou olhando nos meus olhos durante alguns segundos, enquanto o sangue tomava conta do meu corpo todo.

Então, gentilmente colocou seus lábios gelados sobre os meus, sem fazer pressão alguma, descendo sem nunca desencostá-los da minha pele, até chegar ao pescoço. Suas mãos, que até então estavam segurando meu cabelo, começaram a descer suavemente pelos meus braços, levantando-os até o pescoço dele. E lá ele os deixou, me permitindo envolver meus braços em torno do seu pescoço, enquanto ele beijava o meu. A essa altura, eu já nem lembrava que dia era ou porque a conversa tinha tomado esse rumo, mas sinceramente, eu não me importava. Era um ótimo rumo de conversa.
Eu o apertei com força contra o meu corpo, deixando os lábios dele beijarem suavemente meu pescoço e fazerem o percurso de volta para a minha boca. Ele suspirou, enquanto eu descia meus braços pelas costas dele, até chegar à cintura. Coloquei minhas mãos por baixo da camiseta, para tocar na pele gelada de suas costas. Perfeito. Como sempre.
Nesse momento, naturalmente, ele me afastou de leve, com um sorriso nos lábios. Ele me olhou por alguns segundos e suspirou.
- Mas isso não quer dizer que eu ainda não vou te dar um presente. - Eu disse, segurando a mão dele e beijando a ponta dos dedos. - E eu mal posso esperar pela nossa lua-de-mel.
Edward riu, abraçando-me com força.
- Eu sei. É só nisso que você pensa. - Ele falou, ficando mais sério.
- Pensei que você não pudesse ler meus pensamentos. - Eu respondi, atônita.
- Esses são bem óbvios, na realidade. - Ele me olhou, reprovador.
- Não posso evitar. Se olha no espelho! Espera. Você consegue se ver no espelho, né?
Ele riu com vontade e me abraçou, beijando meus cabelos. Nesse momento, Alice entrou saltitante no quarto. Os dois trocaram um olhar de entendimento. Edward ficou sério ao meu lado, com a postura rígida.

- Alice, não. – Edward disse, incrédulo.
- Essa coisa toda de ler pensamentos é muito estraga-prazeres, Edward. – Alice falou, emburrada.
- Desculpa, mas não posso evitar se você entra praticamente gritando. – Ele sorriu meio de canto.
- O quê? Eu odeio quando vocês fazem isso. – Eu falei. Pode ser muito frustrante presenciar conversas mentais.
Alice sorriu e me puxou da cama. Edward suspirou e levantou-se, me abraçando e me conduzindo pela porta. Alice segurava minha mão, cantarolando alegremente. Eu só podia imaginar o que ela havia aprontado.
- Vocês não vão me trancar de novo no banheiro e brincar de Barbie Malibu comigo, certo? – Perguntei, apreensiva.
Edward e Alice riram suas risadas musicais, e eu comecei a realmente ficar com medo. Ele apertou minha mão gentilmente e lançou um olhar reprovador para Alice.
- Nem de perto.
- Mas vai ser tão divertido quanto! – Alice respondeu, com os olhos brilhando.

Quando eu percebi, havia sido levada até a garagem da casa dos Cullen. E lá estava, ao lado do Porsche amarelo, onde o Volvo normalmente ficava, um Chrysler azul esverdeado. Alice virou-se para nós e ergueu os braços.
- Já estava na hora de trocar o Volvo, Edward. – Ela disse, sorrindo inocentemente.
Foi então que eu comecei a rir. Rir muito. Eu olhei para ele, que estava com o rosto sério e reprovador.
- Eu gosto do meu Volvo, Alice.
- Bobagem! – Alice sentou em cima do capô do carro, sorrindo. Eu fui me sentar ao lado dela, ainda segurando o riso.
- Azul esverdeado, Alice? – Edward falou, impassível.
- Não. Verde azulado. – Ela respondeu, mal segurando o riso.
- Eu acho que combina com os seus olhos. – Eu disse, o sarcasmo aflorando. Alice me deu uma piscadela.
- Deixa de ser sem graça, Edward. O que mais eu ia dar de presente? – Alice respondeu de repente mal-humorada e com voz de choro. Aparentemente, distúrbios bipolares eram de família.
- Não, Alice. Eu adorei. Obrigada. – Edward falou, sorrindo e me puxando para perto.
- Não! Já estou vendo. Não adianta. É não pode devolver, nem adianta planejar. – Alice falou, sorrindo e saltitando pela garagem até o Porsche amarelo.
- Essa coisa de prever o futuro é muito estraga prazeres, Alice. – Edward respondeu, com seu meio-sorriso. Ele não ia devolver, era um presente da Alice. O máximo que ele podia fazer era pegar o Volvo de volta, somando mais um carro para a coleção da família. Rosalie ia ficar feliz.
- Sem contar que esse pode ser o carro de passeios. Deve ser lerdo. – Alice falou, entrando no Porsche e fechando a porta. – Aposto como não ganha do meu.
- Aposta? – Edward respondeu, erguendo a sobrancelha. – Bella, eu já volto. – Ele abriu a porta do carro, me deu um beijo rápido e olhou para Alice.
- Edward, não é sensato apostar contra a Alice. – Eu disse, abismada.
- Eu sei que eu vou ganhar, Edward. Eu já vi. – Alice respondeu.
- Eu só estou querendo ser gentil e aproveitar o presente. – Edward respondeu, sorridente.
- Por que é que ela pode dar um presente, e eu não? – Falei, indignada. Homens podem ser tão injustos. Bom, vampiros nesse caso, mas o mesmo princípio se aplica.

Edward me puxou para baixo até que eu ficasse na altura dos seus olhos. Após um segundo de um olhar tão intenso que eu já tinha esquecido quem eu era, pela décima vez do dia, ele aproximou os lábios do meu pescoço, mordendo logo abaixo da orelha e sussurrando:
- Porque ela não vai casar comigo.
Ele se virou bruscamente para Alice. Ela sorriu e os dois ligaram a ignição ao mesmo tempo.
- Vamos. – Edward disse, sorrindo. – Estaremos de volta antes do crepúsculo, Bella, meu amor. Cuidado com as escadas. Não quero a minha esposa com a perna quebrada no dia do casamento.
Alice riu e revirou os olhos.
- Como alguém consegue ser tão brega?
Edward sorriu de novo, aquele seu sorriso arrasador e antes que eu pudesse recuperar o fôlego ou reaprender meu nome, eles já tinha sumido de vista. Acho que era Isadora, não, Isabella. Algo assim.
- Tudo bem, eu guardo o presente para a lua-de-mel. – Eu falei, quase gritando. Aposto como ele tinha ouvido e estava rindo.
Estúpido dono do Chrysler brilhante.

“FIM”