O Dia Das Respostas
By: Juliana Góes Rocha
Tudo bem, não é que realmente seja meu aniversário nem nada disso, porque, se pensar bem, eu não estou vivo. Sou um vampiro, e os vampiros não estão vivos... nem mortos. Mas Alice insistiu que Bella tinha o direito de saber o dia em que eu nasci, sabe como é, só para ela saber mesmo. É por isso que estou no meu Volvo agora (não que eu precise de um carro, mas Charlie acharia estranho eu chegar lá a pé, afinal, ele não sabe que sou um vampiro), indo para a casa dela, para fazer algo especial no meu “aniversário”. Eu não sabia o que Bella tinha planejado, mas fico feliz só de estar ao lado dela, sentindo o aroma maravilhoso que ela exala.
Não demorou muito e cheguei lá. Estacionei o carro, fui até a porta, mas antes que tivesse chance de bater, Bella a abriu. Ela estava linda – não, linda é pouco para como ela realmente estava – apesar de que, estava vestindo roupas simples, jeans pretos com uma blusa branca básica. Também estava com o bracelete que Jacob deu para ela, mas que havia um pingente de coração que eu dei, pendurado. Eu nunca entendi porque Bella não gosta que eu lhe dê presentes, mas não consigo resistir. Nos olhos dela havia um brilho, que sempre havia quando ela estava comigo. Fico feliz de saber que ela realmente gosta de estar comigo, mas fico preocupado também. Eu nunca poderei dar a ela filhos, e para ser sincero, vou tirar muito dela. Vou tirar a vida dela, transformando-a em uma vampira. Porque é isso o que eu vou fazer, mesmo não querendo nenhum pouco.
- Oi - disse ela. – hum.. espera só um minuto, certo? Vou avisar ao Charlie que estou saindo.
- Saindo? Aonde nós vamos? – perguntei. Eu consigo ler mentes. Sei que é estranho, mas, alguns vampiros têm poderes especiais. Estranhamente, não consigo ver o que Bella pensa. Isso me deixa nervoso, na maior parte do tempo. Ela costuma editar (e muito) o que ela pensa quando peço para me contar.
- Você já vai descobrir! – ela gritou da escada. É claro que não precisava gritar, mas acho que às vezes ela esquece o que eu realmente sou. Às vezes.
Um minuto depois ela estava de volta. Charlie estava com ela.
- Parabéns Edward – disse ele, não muito a vontade. Ele não gostava muito de mim, desde que... bom, prefiro não comentar. São lembranças muito dolorosas.
- Obrigado, Charlie. – disse.
- Bem... vamos? – perguntou Bella.
- Vamos – respondi. Não ficava feliz de saber o que Charlie estava pensando, o que eu entendo perfeitamente, mas que é difícil de se sentir confortável sabendo. Na maior parte do tempo ele pensa como se eu fosse um monstro (que vamos encarar os fatos – eu sou), que a qualquer momento vai arrancar o coração de sua filha e deixar um grande buraco em seu peito (que foi mais ou menos o que eu fiz, não há muito tempo atrás, mas que juro pela minha vida - ou morte, não sei muito bem – não foi minha intenção. É só que, eu pensava que Bella me esqueceria, e seria melhor para ela viver sem mim). – Tchau, Charlie.
- Tchau. – “Espero que ele não faça nada que vá magoar Bells” era o que ele pensava. Eu entendo, ele só está preocupado. E a culpa é minha.
- Então, onde nós estamos indo? – perguntei curioso. Bom, isso é raro. Quer dizer, ficar curioso. Afinal, eu leio a mente de todo mundo. Quase todo mundo.
- É surpresa. Não é muito longe, então acho que dá para ir a pé. – como a voz dela era linda. Será que ela percebia isso?
- Tudo bem... Você está linda – eu disse. É claro, linda não era a palavra correta.
- Obrigado... Você também está lindo – ela disse, corando. Eu amava quando ela corava. O sangue em seu rosto, era tão... tão... bem, não sei como descrever.
Caminhamos em silêncio de mãos dadas, por algum tempo, Bella me guiando. Ela estava me levando para uma área de Forks em que eu nunca havia ido realmente, só passado rapidamente, correndo durante a noite. Reparei que estávamos nos aproximando de uma pracinha bonita, com um chafariz desligado, alguns bancos e muitas árvores e flores das mais diversas cores. A noite era de lua cheia, que brilhava no céu ao lado de vários pontinhos amarelos, as estrelas que iluminavam a noite. Bella me puxou até um banco próximo ao chafariz e nós nos sentamos.
- Eu descobri esse lugar há pouco tempo. É uma pracinha pouco valorizada, mas muito bonita, acho. Eu... eu não sabia o que te dar de presente, queria que fosse alguma coisa realmente especial, algo que você nunca fosse esquecer, então resolvi te trazer aqui. Não é nada comparado a sua clareira, claro, mas é um lugar em que me sinto extremamente bem. Edward, queria que você soubesse que é a pessoa mais importante do mundo para mim, e que eu sempre, sempre vou te amar. Mais do que amar até. É uma coisa que eu não sei explicar, é um sentimento forte, um sentimento que jamais senti por ninguém antes. Daria a minha vida por você, daria tudo. Hoje é um dia especial, é o seu dia, que eu gostaria de transformar em nosso dia. O dia do nosso amor, o dia que nunca vai ser esquecido por nenhum de nós, independente de tudo o que acontecer. O nosso amor é eterno. Esse dia, é para sempre.
Eu queria chorar. Realmente queria, mas não podia. Bella já havia dito eu te amo muitas vezes, mas nunca disse que sentia algo mais forte do que amor por mim. Meu coração estaria a mil por hora se ele batesse. Nunca tinha me sentido tão feliz. Feliz não chegava nem perto de como eu realmente me sentia. Tudo parecia mais brilhante – a lua, as estrelas... mas Bella era como o sol para mim. O sol que iluminava minha vida, que inseria cores no meu céu, que fazia o crepúsculo mais lindo que ninguém jamais vira. O sol que fazia eu ter... bem, vida. Eu me sentia vivo, me sentia radiante. Nem toda a água do mar, nem a luz forte do luar tinha o infinito daquele olhar. E pela primeira vez, eu tinha ficado sem fala. Demorou alguns minutos para eu conseguir responder à Bella.
- Bella, eu... eu não sei o que te dizer. Você não poderia ter tornado esse dia mais especial. A partir de agora, esse é o nosso dia, o dia do nosso amor. Minha vida é você, Bella, e nem as palavras mais belas inventadas pelo homem, poderiam explicar o que eu sinto por você. Eu te amo não chega nem perto do que realmente sinto. Talvez você nunca entenda realmente o que eu estou dizendo. Talvez o mundo acabe e eu não tenha conseguido demonstrar esse sentimento dominante que tenho no peito. A vida não significa nada, absolutamente nada, sem você agora. Agora entendo, afinal, o porquê da vida eterna que eu tanto questionei na minha existência. Entendo que para tudo nesse mundo, existe uma razão. E na minha existência eterna Bella, esse motivo é você.
Sempre em algum momento da vida nós nos perguntamos o porquê de estarmos aqui. Ficamos horas refletindo e não encontramos uma resposta. Os dias passam, e muitas vezes continuamos pensando. Será que um dia vamos realmente encontrar todas as respostas de que precisamos? Será que encontraremos no sofrimento a felicidade? Será que encontraremos o que – ou quem – estamos procurando? A tristeza, o sofrimento, a dor, tudo isso faz parte. Nos ajuda a crescer e encontrar as respostas que procuramos. Nos ajuda a entender o significado de viver.
E no final, eu digo. Sim, nós encontraremos as respostas. Eu as encontrei.