Antes da Imortalidade
By: Lily
Traduzido por: Carol



Para aqueles que ficam me pré-julgando, eu os imploro, ouçam minha história.

Estou parada aqui. Ouvindo, observando, esperando. O mar abaixo de mim está violento; e respingava água em minhas bochechas, as entorpecendo contra as ferozes batidas do vento.
Eu olhei para o céu, as nuvens estão profundamente arroxeadas, indicando a tempestade que está por vir. Seus pequenos braços me alcançaram, tentando envolver meu corpo com a intenção de me prender em uma prisão nebulosa.
Estou parada sob a margem de um penhasco branco como osso, com uma névoa cinzenta abaixo de mim. Um movimento de luzes de um minuto no canto de minha visão.
Inclinei minha cabeça em direção a elas. Fechei o punho, tentando deter o ataque furioso e constante de medo que se construía dentro de mim. Me pergunto quando ele chegará. Disseram-me para encontrá-lo aqui, para esperar por ele a noite toda se preciso. Conforme os minutos passavam lentamente, meu nervoso corroia meu estômago. Eu pulava a cada onda que batia no penhasco, a cada batida das asas dos pássaros sobre minha cabeça. Estou com medo.
Um ruído atrás de mim fez meu coração travar de medo. Eu corri mais rápido que uma lebre. Olhei fixamente para os arbustos próximos de onde eu estava. Eles não se mexeram de novo.
As samambaias continuavam se balançando levemente na brisa, sem dar pistas do que ou de quem fez aquele som. Eu as olhei cautelosamente, em silêncio, desafiando seja lá quem estivesse atrás delas me observando. Respirei com dificuldade, mas antes que pudesse me virar, uma mão calou meus lábios, rude e indiferente.
- Victoria. – ele respirou em meu ouvido. Então ele veio afinal. James. – Você realmente pensou que eu te deixaria aqui, sozinha e no frio? – cantarolou, me abraçando de forma que meu rosto ficou encostado em seu peito.
Eu balancei minha cabeça, silenciosamente, sentindo meu sangue subir para minhas orelhas. Ele riu docemente; um profundo som ameaçador que enchia minha cabeça, me deixando aterrorizada.
- Podemos dar uma volta? – ele pediu. A ameaça fora disfarçada por sua cortesia.
Novamente balancei a cabeça, ainda sem dizer nada. Eu sei que não tenho forças para fugir dele.
Minhas mãos tremeram violentamente conforme ele as segurou e me guiou para baixo até margem da praia. As pedras pontiagudas perfuravam meu pé descalço enquanto eu andava.
Eu estremeci de dor ao sentir o sangue escorrer da ferida para a pedra. A chama vinha aos olhos de James quando ele olhava àquele líquido nojento e vermelho se cristalizando.
Ele puxou meus braços com força, seu corpo inteiro parecia estar envolvido em uma excitação fervorosa.

E o tempo todo eu estive assustada. Eu tenho 17 anos, e estou para morrer. Não sei como ou porque, mas desde o dia em que conheci James, eu sabia que minha vida estava tão boa quanto terminada.
Desde o dia em que ele olhou em volta da igreja, e sorriu para mim. Conquistando-me, meus pensamentos, minha vida. Envolvendo-me para sempre. Desde aquele dia, eu pertencia a ele, e a sua solidão. Ninguém poderia me tocar. Ninguém poderia me ajudar.

Ninguém poderia me salvar.

E agora a noite finalmente havia chegado; a única que estive temendo. E ainda assim, de alguma maneira isto era um alívio. Nunca mais eu seria sujeitada aos seus jogos psicológicos torturantes, sua voz hipnótica, mentindo sobre o quanto ele me amava. Minha alma pode descansar; meus amigos e família saberão que estou feliz. Eles precisam ser, mesmo se de maneira descuidada, sofrerem nas mãos de James. Eles poderiam ver o que ele estava fazendo para minha mente; a contorcendo, a distorcendo até que ficasse irreconhecível.

James veio para uma bruta parada.
Sua mão, que apertava a minha com força, de repente começou a afrouxar, até que a dor era demais para agüentar. Eu ouvi meus ossos se quebrarem com seu aperto sem misericórdia. Um grito de agonia passou rasgado pela minha garganta, mas ele é rápido para me calar com um beijo. Ele pára conforme eu desmorono em seus pés, gemendo destruída, e segurando minha mão quebrada.
Porque ele estava fazendo isto comigo? Ele sabia que eu era totalmente impotente contra sua força, habilidades desumanas.
Ele está rindo novamente. Ele se abaixa, e gentilmente me puxa para seus braços. Eu estremeço com sua pele fria como o gelo; dura como um granito e sem sangue.
Ele caminha de volta em direção à muralha do penhasco, me segurando com força. Eu olhei para a abundante escuridão, e consegui notar a forma turva da entrada de uma caverna, enrolada com algas marinhas, e algumas pedras. Claro, pensei amargamente. Qual o melhor lugar para matar um claustrofóbico do que em um lugar fechado, escuro, e úmido?
Porém não estava tão fechada assim. Enquanto ele entrava na caverna, eu observei que era de fato uma caverna enorme. Parecia que não tinha fim, era uma contínua e impenetrável escuridão, que não terminava nunca.
Ele me sentou em uma pedra plana e fria, com uma gentileza inacreditável. Ele se endireitou, e olhou para mim. Sua cabeça inclinada para o lado, me observando com um leve divertimento. De qualquer forma, em qualquer lugar, eu tentava encontrar minha voz.
- O que? – perguntei. Minha voz amedrontada ecoando pelas paredes milhares de vezes. – O que? O que? O que?
Ele gargalhou, o mesmo som horrendo do topo do penhasco. Ele se encolheu para me encarar, e passou seus longos e brancos dedos pela minha bochecha. Eu recuei instintivamente, tentando não bater nele, mas um espasmo de dor passou em minha mão quebrada.
- Não! – ele sussurrou suavemente. Uma flecha da luz da luz emanava sobre a entrada da caverna, o iluminando perfeitamente; parecia um fantasma. Seus olhos são pretos como um carvão. Eles parecem quase... famintos. Não, não seja boba. Eu me livrei desse pensamento.
Ele se sentou em seus calcanhares, me olhando com uma emoção que eu não conseguia entender.
- Victoria... tem uma coisa que eu deveria ter dito a você há muito tempo atrás, quanto te vi pela primeira vez. – ele pausou brevemente, esperando uma reação. Eu mantive meu rosto cuidadosamente vazio, e o deixei continuar. – Eu sabia, desde o dia em que te encontrei, que você me temia. – ele olhou para mim, me desafiando a contradizê-lo. Eu não o fiz. Ele respirou fundo, enquanto se apoiava em si mesmo, para dizer algo que ele não queria. – Então, acho que é justo que você saiba a verdade sobre mim. – Ele passou a mão em meu rosto. – Eu não sou um humano, Victoria.

Eu tive que morder meu lábio com tanta força para parar de chorar de espanto. Mordi forte mesmo. Meu lábio sangrou.
Seus olhos se desviaram para meus lábios. Ele apertou os lábios contra os dentes, os quais continham um líquido viçoso que era branco demais para ser saliva. Ele deu um assovio baixo, e se encolheu novamente. Seus músculos tensos, seus olhos, antes pretos, tinham virado um vermelho vibrante, ardente, e desconcertante. Ele não parecia mais com James, mas com um monstro.
Eu levantei, e desta vez não consegui me apoiar. Eu gritei por tudo o que tenho de mais valioso; gritos desesperados e histéricos. Eu sabia que era a toa. Nós estamos à milhas de distância de qualquer tipo de civilização. Ninguém irá me ouvir.
Ele tinha planejado isso.
Eu corri para fora da caverna, mas ele disparou atrás de mim com uma terrível velocidade, me arrastando de volta para dentro. Ele me prendeu no chão com seu corpo, enquanto eu lutava em vão embaixo dele, chorando e gritando; tomara pelo terror. Ele me segurou até que eu não tivesse mais energia para gritar, e minha garganta estivesse rouca de tanto chorar.
- Me desculpe. – ele sussurrou. Ele me colocou em pé, e tirou um pouco de cabelo vermelho do meu rosto. – Eu não queria perder o controle tão cedo.
Eu não consigo decifrar o tom de sua voz. Se era de zombaria ou de piedade. Não poderia dizer.
- O.. o... o que quer dizer? – perguntei quase sem voz.
Ele não me respondeu a princípio, mas ao invés disso me olhou por um longo tempo. Ele se levantou, e andou para a parte de trás da caverna. Agora se encontrava escondido pelas sombras. Ele ficou de costas para mim, e sua cabeça estava inclinada.
E então ele disse. Ele disse essas quatro palavras que trouxeram mais horror ao meu coração, do que qualquer outra coisa que ele tenha feito antes.

- Eu sou um vampiro.

Meu corpo começou a tremer violentamente, mas isso não tinha nada a ver com o frio. Seus braços me puxaram, e me envolveram para tentar parar com a tremedeira.
- O que está pensando? – ele perguntou. Agora eu consigo decifrar esse tom. Ele estava procurando diversão.
- Estou t-tão assustada. – eu sussurrei em seus braços, balançando minha cabeça em descrença.

Mas naquela noite, medo não foi nem o começo do que eu senti.

Porque eu tinha pensado que quando viesse aqui para morrer esta noite, seria uma morte perfeitamente humana. Estrangulamento. Afogamento, talvez. Qualquer coisa seria melhor do que isto.
Mas ao invés disso, ele queria beber o meu sangue. Ele queria me abrir, e tomar o líquido que mantinha meu coração batendo.
Eu balancei a cabeça novamente, e tentei empurrá-lo para longe, mas sem sucesso. Ele suspira e puxa minha cabeça de volta para me olhar. Eu evito sua contemplação com medo, e desvio meus olhos para olhar os pedaços de rocha na praia. A tempestade se acalmou agora, e as ondas transbordando sobre as pedras com sons tranqüilizadores; como uma canção de ninar.

- Eu amo você, Victoria. – ele murmurou. – E não tenho nenhuma intenção de te perder. Por favor, confie em mim. Isso é o melhor para nós dois.
Eu virei minha cabeça para olhá-lo incrédula; todo o medo foi momentaneamente esquecido.
- Beber meu sangue é uma coisa boa para mim? – eu disse. Agora é minha vez de dar uma gargalhada maníaca. – Essa é uma das mais engraçadas. Talvez –
Mas ele não me deixou terminar, e forçou seus lábios contra os meus, muito forte para que eu protestasse. Ele se separou, rindo da minha indignação.
- Não. – ele disse suavemente. – Se eu fizesse isso, você iria morrer. Tudo o que preciso fazer é pôr um pouco de veneno no seu corpo. – ele me mostrou seus dentes.
Seu veneno. Eu me retraí, percebendo o que era a substancia branca.
- Você será como eu. Nós podemos viver juntos para a eternidade. Ninguém jamais poderá nos separar!

Ele queria que eu fosse que nem ele. Um vampiro!
Alguém que anda por aí, matando pessoas inocentes. Pessoas com família, amigos, futuro.

Pessoas inocentes como eu.
Não! De jeito nenhum farei isso.

- Não posso, James. – eu murmurei. – me desculpe!
Observei sua expressão atordoada, muito chateada. E então a fúria.
Ele me agarrou pelo pescoço, e me carregou, me jogando contra a parede. Eu chorei de dor quando minha mão machucada estava atrás de mim. Não conseguia respirar. Ao procurar desesperadamente pelo oxigênio, ele de repente me jogou no chão com uma força incrível; eu ouvi um barulho asqueroso, como se minha perna minha perna estivesse sendo triturada. Mesmo que minha garganta estivesse seca demais devido aos gritos anteriores, eu ainda arranjava um jeito de gritar mais.
- Pare, James!! Por favor, por favor. Pare com isto! – eu pedi pateticamente, minha dor se moveu para as lágrimas do meu rosto.
Ele sacudiu a cabeça.
- Eu amo você, Victoria. – ele disse simplesmente. Sua rosto anteriormente raivoso, agora estava absolutamente desprovido de qualquer emoção. Ele se inclinou e me pegou, com tanto cuidado que minha mão e minha perna quebradas não estavam doendo tanto. Ele pressionou seu rosto em meu cabelo, e respirou fundo. Eu senti algo molhado, e então reparei que ele estava chorando. Ele lentamente retirou sua boca do meu cabelo, passou por meus olhos, nariz e lábios, até que a pressionou levemente contra meu pescoço. Pausou por um momento, ouvindo o último e suave tremor das batidas do meu coração.
Eu me contorci esperançosa em uma última tentativa de fugir.
Mas é tarde demais. Pude sentir seus dentes perfurarem meu pescoço. E eu me fui.

Esta é minha história.
Eu era Victoria Crayford. Tinha 17 anos. Feliz. Tinha amigos e família que amava, e que me amavam.

Não tinha a intenção de matar Bella Swan. Eu vim com o intuito de alertá-la. Alertá-la sobre a vida que ela estava para escolher.
E o que ele fez?? Ele me matou.
Exatamente como James.